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Papa convida a “abrir o coração para horizontes mais amplos”
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O Papa Francisco convidou a identificar os “elementos tóxicos” na vida. Na semana em que criticou a mercantilização dos bens alimentares, o Papa lembrou que a conversão da economia passa pela conversão dos empresários, convidou a enviar “pequenas mensagens a Deus” e elogiou o “génio pedagógico e teológico” de Giussani.

 

1. É preciso parar para conhecer melhor a nossa vida e identificar certos “elementos tóxicos” que nos afastam de nós mesmos. Na catequese da audiência-geral de quarta-feira, 19 de outubro, o Papa prosseguiu a série de reflexões sobre a importância do discernimento. “Quantas vezes nos assaltam pensamentos como ‘eu não valho nada’, ‘a mim tudo me corre mal’, ‘nunca farei nada de jeito’, etc. São pensamentos que nos fazem mal e, sem nos darmos conta, intoxicam-nos o coração”, disse Francisco. Para reconhecer e livrar-se destes “elementos tóxicos”, o Papa convidou os fiéis “a abrir o coração para horizontes mais amplos, identificando facetas e detalhes importantes da vida, que até agora nos tinham passado despercebidos” e que ajudarão a reforçar “o gosto interior, a paz e a criatividade”. Por isso, “parar é indispensável ao discernimento, pois aperfeiçoa o olhar tornando-o capaz de ver os pequenos milagres que o bom Deus realiza diariamente em nosso favor”.

No final do encontro público semanal, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Santo Padre denunciou, uma vez mais, a brutalidade da guerra na Ucrânia e pediu orações para se pôr fim às torturas, mortes e destruição. “Vamos voltar com o pensamento à martirizada Ucrânia e rezemos pela Ucrânia. Rezemos por causa das coisas más que estão a acontecer ali: as torturas, as mortes, a destruição”, pediu, falando de improviso.

 

2. O Papa dirigiu esta segunda-feira, 17 de outubro, uma crítica à mercantilização dos bens alimentares, numa mensagem dirigida ao Fórum Mundial da Alimentação promovido pela FAO. “A alimentação é fundamental para a vida humana. De facto, participa da sua sacralidade e não pode ser tratada como qualquer mercadoria. Os alimentos são sinais concretos da bondade do Criador e frutos da terra”, referiu, num texto espanhol, lido aos participantes na iniciativa promovida pela Organização para a Alimentação e a Agricultura da ONU.

Francisco deixou um elogio a todos os que “se comprometem e se esforçam todos os dias para erradicar a fome e a pobreza no mundo”. “A nossa primeira preocupação deve concentrar-se no ser humano como tal, considerado na sua integridade e levando em conta as suas necessidades reais, em particular aquelas que carecem do sustento básico para a sobrevivência”, indicou.

 

3. Numa época com “notórios desequilíbrios económicos e sociais”, Francisco pediu aos empresários espanhóis que transformem criativamente a face da economia, “para que esteja mais atenta aos princípios éticos e não esqueça que a sua atividade está ao serviço do ser humano, não apenas para alguns, mas de todos, especialmente dos pobres”. Numa audiência às associações de jovens empresários de Espanha, a 17 de outubro, o Papa pediu-lhes que sejam “profetas que anunciam e constroem a casa comum, respeitem todas as formas de vida, interessando-se pelo bem de todos e pela promoção da paz” e alertou que “sem profecia, a economia e, em geral, toda ação humana, é cega”. O Papa acrescentou que “a conversão económica será possível quando experimentarmos uma conversão de coração; quando formos capazes de pensar mais nos necessitados; quando aprendermos a colocar o bem comum antes do bem individual; quando entendermos que a falta de amor e justiça nos nossos relacionamentos é consequência de uma negligência no nosso relacionamento com o Criador, e isso afeta também a nossa casa comum”.

 

4. Para a fé não arrefecer, nem ficar ressequida, Francisco propôs a oração como remédio. “Sim, a oração é o remédio da fé, o reconstituinte da alma. Porém, deve ser uma oração constante. Não podemos viver apenas de momentos fortes ou de encontros intensos de vez em quando e depois entrar em letargia”, referiu o Papa, no Angelus do passado Domingo, 16 de outubro. A solução passa pela “água da oração diária”, apontou, aconselhando orações breves e pequenas jaculatórias, fáceis de memorizar, para repetir ao longo do dia e, assim “ficar em sintonia com o Senhor”. E dá exemplos: “Senhor, eu vos agradeço e vos ofereço este dia”, ou “Jesus, eu confio em vós e vos amo”. No fundo, é como enviar “pequenas mensagens” às pessoas que amamos, conclui o Papa. “Façamos isso também com o Senhor, para que os nossos corações permaneçam conectados a Ele. E não nos esqueçamos de ler as Suas respostas. Onde podemos encontrá-las? No Evangelho, que deve estar sempre à mão para ser aberto todos os dias, e receber uma Palavra de vida dirigida a nós”, referiu.

No final do Angelus, Francisco anunciou que o próximo Sínodo dos Bispos, agendado para outubro de 2023, sobre “uma Igreja sinodal”, será desdobrado em duas sessões, para permitir um maior discernimento no processo ainda em curso nas dioceses do mundo inteiro. Assim, a data da primeira sessão mantém-se, de 4 a 29 de outubro de 2023, e a segunda sessão será em outubro de 2024.

 

5. O Papa presidiu a um encontro, na Praça de São Pedro, onde assinalou os 100 anos do nascimento do sacerdote italiano Luigi Giussani. “O potencial do vosso carisma ainda está em grande parte por descobrir”, referiu Francisco, aos membros do Movimento Comunhão e Libertação (CL). “Encorajo-vos a encontrar formas e linguagens adequadas para que o carisma que Dom Giussani vos transmitiu chegue a novas pessoas e novos ambientes, para que possa falar ao mundo de hoje, que mudou desde o início do vosso movimento”, desejou, no encontro que reuniu milhares de pessoas de todas as idades, provenientes dos quatro cantos do mundo. “Dom Giussani foi pai e mestre, foi servidor de todas as angústias e situações humanas que encontrava na sua paixão educativa e missionária. A Igreja reconhece seu génio pedagógico e teológico, desdobrado a partir de um carisma que lhe foi dado pelo Espírito Santo para ‘utilidade comum’”, apontou.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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