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“Hoje a paz é gravemente violada, ferida, espezinhada”
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O Papa Francisco condenou a violência no Congo e pediu orações pela Ucrânia. Na semana em que encerrou, no Coliseu de Roma, a conferência internacional ‘O grito da paz’, o Papa recebeu o presidente de França, inaugurou as inscrições para a JMJ Lisboa 2023 e viu ser renovado o acordo do Vaticano com a China para a nomeação de bispos.

 

1. “Assistimos horrorizados aos acontecimentos que continuam a ensanguentar a República Democrática do Congo”, lamentou o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 26 de outubro. “Exprimo a minha firme deploração pelo assalto inaceitável ocorrido há dias em Maboya, na província do Kivu do Norte, onde foram mortas pessoas indefesas, entre elas, uma religiosa empenhada na assistência saúde”, acrescentou Francisco. O ataque a que o Papa se refere, da responsabilidade de um grupo rebelde auto-denominado Forças Democráticas Aliadas, atingiu um hospital. Os rebeldes pilharam tudo, levaram medicamentos e, no final, incendiaram o edifício, matando vários doentes, incluindo a irmã Marie-Sylvie Kavuke Vakatsuraki, médica que estava a trabalhar. “Rezemos pelas vítimas e seus familiares e também por aquela comunidade cristã e habitantes daquela região, há demasiado tempo exaustos pela violência”, pediu.

A catequese desta quarta-feira, na Praça de São Pedro, foi dedicada aos riscos que o desânimo e a desolação podem causar. “Saber ler esta tristeza é importante, para evitar que o tentador a utilize como instrumento para nos desencorajar. Quando o desânimo sobrevém, devemos continuar com firmeza o que nos tínhamos proposto fazer. Se abandonássemos o trabalho ou o estudo por sentir tédio ou tristeza, nunca terminaríamos nada”, avisou o Papa. E o mesmo sucede na vida espiritual: “Infelizmente, por causa da desolação, alguns abandonam a oração, e até o matrimónio ou a vida religiosa, sem parar, primeiro, a interpretar esse estado de espírito, com a ajuda de uma pessoa prudente”. A regra de ouro, diz Francisco, é “nunca fazer alterações em tempo de desolação, antes aproveitar a desolação como uma oportunidade para converter a vida ou para imitar Jesus naquela firme resolução com que rejeitou as tentações”.

Antes da bênção final, o Papa pediu para se continuar a rezar pela martirizada Ucrânia. “Que o Senhor proteja aquela gente e nos conduza a todos pela estrada de uma paz duradoura”, afirmou.

 

2. O Papa declarou que “a guerra é um fracasso da política e da humanidade, uma rendição vergonhosa, uma derrota diante das forças do mal” e lamentou o facto de estar “hoje, infelizmente, a acontecer o que se temia e o que nunca quisemos ouvir: isto é, que o uso de armas atómicas, que culpavelmente continuaram a ser produzidas e testadas depois de Hiroshima e Nagasaki, está agora abertamente ameaçado”. Na terça-feira, 25 de outubro, Francisco fez uma intervenção no Coliseu de Roma, no encerramento da conferência internacional ‘O grito da paz’, organizado pela Comunidade de Santo Egídio, que reuniu dezenas de líderes e representantes de várias religiões. “Este ano a nossa oração tornou-se um ‘grito’, porque hoje a paz é gravemente violada, ferida, espezinhada” disse o Papa. “E isto na Europa, ou seja, no continente que viveu as tragédias das duas guerras mundiais no século passado e agora estamos na terceira”, lamentou, apelando aos governantes “que se inclinem para ouvir com seriedade e respeito” este grito da paz que expressa “a dor e o horror da guerra, mãe de toda pobreza”.

No final do encontro, foi lido e assinado por todos um Apelo de Paz, onde se proclama o fim da guerra e de todos os conflitos. “Chega de guerra! Calem-se as armas, declare-se imediatamente um cessar-fogo universal”, lê-se.

 

3. O presidente de França, Emmanuel Macron, foi recebido, esta segunda-feira, dia 24, pelo Papa Francisco, no Vaticano, em audiência privada. O chefe de Estado francês esteve em Roma no âmbito do encontro internacional ‘O grito da paz’, e segundo o Vaticano foram abordadas “questões de carácter internacional, a começar pelo conflito na Ucrânia, com especial destaque para a situação humanitária”, tendo sido também consideradas “as regiões do Cáucaso, o Médio Oriente e África”.

Esta foi a terceira vez que Macron se reuniu com Francisco, após os encontros em junho de 2018 e em novembro de 2021.

 

4. O Papa inscreveu-se na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) de 2023, em Lisboa, no decorrer da recitação do Angelus, na Praça São Pedro, no Vaticano, marcando assim a abertura das inscrições. O anúncio de Francisco, na janela do Palácio Apostólico, na manhã do passado Domingo, 23 de outubro, foi acompanhado por duas jovens portuguesas estudantes do programa Erasmus em Roma: Maria de Assis Libório, natural de Lisboa e estudante de arquitetura, e Diana Lourenço Gonçalves, natural de Braga e estudante de medicina, ambas na Universidade La Sapienza. “Abrem-se hoje as inscrições da Jornada Mundial da Juventude que se realizará em Lisboa, em agosto de 2023. Convidei duas jovens portuguesas para estarem aqui comigo, enquanto eu me inscrevo como peregrino. Vou fazê-lo agora, para lá ir”, disse Francisco. O Papa clica então no site das inscrições, através de um iPad. “Pronto, já me inscrevi! E tu, já te inscreveste? Fá-lo!”, referiu, a cada uma das duas jovens.

Na mesma ocasião, Francisco mostrou-se preocupado com a situação na Eritreia. “Com trepidação, sigo a persistente situação de conflito na Eritreia. Uma vez mais, repito com veemência que a violência não resolve as discórdias, mas só aumenta as trágicas consequências”, destacou.

 

5. O Vaticano e a República Popular da China chegaram a acordo para renovar, por mais dois anos, o acordo provisório sobre a nomeação dos bispos, assinado em 22 de setembro de 2018 e renovado pela primeira vez em 22 de outubro de 2020. O comunicado de imprensa, divulgado pela Santa Sé, realça que o Vaticano pretende “continuar o diálogo respeitoso e construtivo”, a “implementação frutífera do referido acordo” e “um maior desenvolvimento das relações bilaterais, com vista a promover a missão da Igreja Católica e o bem do povo chinês”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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