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“Para muitos santos e santas, a inquietação foi um ímpeto decisivo”
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O Papa Francisco aconselhou a imitar os santos que conviveram com Jesus, sem pedir nada em troca. Na semana em que chegou às livrarias portuguesas ‘A vida de Jesus’, de Andrea Tornielli, o Papa almoçou com 1300 pessoas em necessidade, fez um pedido aos educadores cristãos e recebeu o Rei da Jordânia.

 

1. O Papa reconheceu que, por vezes, a insatisfação e o sentimento de tristeza podem ser salutares, se não fugirmos de nós mesmos. “Uma sadia capacidade de estar na solidão, de estar connosco mesmos sem fugir e até uma certa desolação, sacode a alma, mantém-na desperta, favorece a vigilância, convida-nos à gratuidade, a não agir sempre e só para viver consolados”, disse Francisco, na audiência-geral de quarta-feira, 16 de novembro, dedicada ao tema do discernimento. Na Praça de São Pedro, o Papa aconselhou a imitar os santos que conviveram com Jesus, sem pedir nada em troca. “Faz-nos muito bem estar com Jesus, sem outro desejo que não Ele mesmo, exatamente como procedemos com as pessoas que amamos: queremos conhecê-las cada vez melhor, porque é bom estar com elas. Para muitos santos e santas, a inquietação foi um ímpeto decisivo para dar uma reviravolta à própria vida. É o caso, por exemplo, de Agostinho de Hipona, Edith Stein, José Benedito Cottolengo e Charles de Foucauld”, exemplificou.

No encontro público semanal, o Papa Francisco mostrou-se ainda preocupado com a escalada do conflito na Ucrânia, horas depois de novos ataques russos com mísseis. “Soube, com dor e preocupação, das notícias de um novo e ainda mais forte ataque com mísseis sobre a Ucrânia, que causou mortes e danos a muitas estruturas civis. Rezemos para que o Senhor converta os corações dos que ainda optam pela guerra e faça prevalecer desejos de paz, para a martirizada Ucrânia, para evitar qualquer escalada e abrir a estrada ao cessar-fogo e ao diálogo”, manifestou o Santo Padre, que voltou a pedir “consolação, fortaleza nas provações e esperança de paz” para os ucranianos e também rezou “pelas vítimas inocentes do ataque terrorista que há dia ocorreu em Istambul”.

Nas saudações finais, o Papa, ao saudar os vários grupos de língua portuguesa, dirigiu-se também “aos representantes da Rádio Renascença de Portugal”. “Nunca deixeis que eventuais nuvens sobre o vosso caminho vos impeçam de irradiar a glória e a esperança depositadas em vós, louvando sempre ao Senhor em vossos corações, dando graças por tudo a Deus Pai”, referiu.

 

2. O livro ‘A vida de Jesus’ (Editorial D. Quixote) chegou às livrarias portuguesas, com o autor, Andrea Tornielli, a pedir, em entrevista à Renascença, que os leitores se identifiquem com as cenas e episódios do Evangelho, como se lá estivessem. “Este livro é uma tentativa de acompanhar o leitor na vida de Jesus, considerando-a, do princípio ao fim, como uma biografia e combinando os quatro textos do Evangelho com breves comentários do Papa, inseridos na narrativa, e com partes que resultam da minha imaginação. Mas é uma imaginação que não vai muito longe nem é fantasiosa, eu apenas juntei uns nomes, descrevi ambientes, cores, perfumes e tentei reconstruir as datas em que estes acontecimentos ocorreram. É como um auxílio para contar a biografia, a vida de Jesus. A ideia é ajudar a entender a importância do Evangelho e a entrar nas cenas do Evangelho”, referiu o antigo vaticanista e atual diretor editorial dos serviços de informação Vatican Media, a propósito da obra que tem prefácio do Papa Francisco.

 

3. Na homilia da Missa que celebrou na Basílica de São Pedro, no passado Domingo, 13 de novembro, o Papa sublinhou que o Dia Mundial dos Pobres é “uma forte advertência para romper esta surdez interior que nos impede de ouvir o grito de sofrimento, sufocado, dos mais frágeis”. Depois, deixou um apelo: “Não demos ouvidos aos profetas da desgraça; não nos façamos encantar pelas sereias do populismo, que instrumentaliza as necessidades do povo, propondo soluções demasiado fáceis e precipitadas. Não sigamos os falsos «messias» que, em nome do lucro, proclamam receitas úteis apenas para aumentar a riqueza de poucos, condenando os pobres à marginalização. Não fujamos para nos defender da história, mas lutemos para dar a esta história um rosto diferente”.

Na oração do Angelus, o Santo Padre fez votos para que a COP 27 sobre o clima, que decorre no Egipto, “possa dar passos em frente, com coragem e determinação, no sulco traçado pela Acordos de Paris”.

O Papa almoçou depois, no Auditório Paulo VI, no Vaticano, com cerca de 1300 pessoas em necessidade, entre sem-abrigo, migrantes e utentes da Cáritas de Roma, assinalando o VI Dia Mundial dos Pobres. “Que Deus nos abençoe a todos neste encontro de amigos, neste almoço, às nossas famílias. Obrigado, bom almoço”, disse Francisco, no início da refeição.

 

4. O Papa encontrou-se com os membros da União Mundial dos Professores Católicos, a quem pediu que “acompanhem os jovens sem cortar as asas aos sonhos”. “O educador cristão é chamado a ser ao mesmo tempo plenamente humano e plenamente cristão: não é humanismo sem cristianismo. E não há cristianismo sem humanismo”, referiu Francisco. Na Sala do Consistório, no dia 12, o Papa apontou que o educador católico não deve estar “fora do mundo”. “Deve ser capaz de testemunhar – antes de tudo com a vida, mais do que com as palavras – que a fé cristã abraça todo o humano, trazendo luz e verdade para cada âmbito da existência, sem excluir nada, sem cortar as asas aos sonhos dos jovens”, indicou.

 

5. O Papa recebeu no Vaticano, o Rei Abdullah II da Jordânia, com a Santa Sé a destacar “as boas relações bilaterais existentes” e que as conversações se centraram na “necessidade de continuar a desenvolver o diálogo inter-religioso e ecuménico, sempre garantindo que a Igreja Católica na Jordânia possa exercer livremente a sua própria missão”. O comunicado, após a audiência no dia 10 de novembro, sublinha também “a importância de promover a estabilidade e a paz no Médio Oriente, com particular referência à questão palestiniana e à questão dos refugiados”, bem como “a necessidade de salvaguardar e encorajar a presença cristã na região”.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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