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“Abuso sexual por parte do clero deixa ferida indelével na Igreja”
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O Papa Francisco apelou ao respeito pelos lugares ortodoxos na Ucrânia. Na semana em que alertou para a má gestão da questão dos abusos, o Papa pediu “paz” como presente em dia de aniversário de pontificado, recordou a consagração ao Imaculado Coração de Maria e reforçou que violência contra as mulheres é “uma praga”.

 

1. O Papa Francisco fez esta quarta-feira um apelo, no final da audiência-geral, para que as autoridades de Kiev respeitem os lugares sagrados, nomeadamente os das igrejas e mosteiros dos ortodoxos ligados ao Patriarcado de Moscovo. A guerra na Ucrânia tem acentuado as divisões que já existiam entre a secular igreja ortodoxa russa e a igreja ortodoxa autocéfala ucraniana, separada de Moscovo desde a dissolução da União Soviética. A guerra em curso agravou as tensões e, recentemente, os ortodoxos fiéis a Moscovo têm sofrido perseguição por parte dos ucranianos e o governo de Kiev tomou a decisão de expulsar os monges deste importante complexo histórico-religioso. O Kremlin, através do ministro russo Sergei Lavrov, já apelou aos secretários-gerais da ONU e da OSCE para condenarem “as políticas de assédio e repressão religiosa contra a igreja ortodoxa”. Também o Patriarca Kirill, de Moscovo, escreveu ao Papa abordando o assunto. No contexto dos dez anos de pontificado de Francisco, o Kirill disse que “nos tempos difíceis que vivemos, o diálogo entre líderes religiosos pode trazer bons resultados”.

É neste contexto que, no dia 15 de março, o Papa Francisco deixou um apelo a favor dos monges ortodoxos. “Penso nos religiosos ortodoxos do Lavra (mosteiro) de Kiev. Peço às partes em guerra para respeitarem os lugares religiosos. As pessoas consagradas à oração, sejam de que confissão for, são o suporte do povo de Deus”, afirmou.

O Lavra de Kiev é o mosteiro mais antigo da Ucrânia e um dos lugares mais emblemáticos da ortodoxia oriental. Declarado pela Unesco Património da Humanidade, este imponente complexo de 28 hectares, rodeado por muralhas, foi fundado no ano de 1051 e é um dos principais centros religiosos do universo ortodoxo.

 

2. O Papa Francisco usou palavras fortes contra os que ainda minimizam ou diminuem o impacto dos abusos praticados pelo clero. “Alguém que diminua o impacto desta história ou minimize o perigo atual, desonra aqueles que tanto sofreram e engana aqueles a quem dizem servir”, escreveu o Santo Padre, numa mensagem aos participantes no Congresso latino-americano sobre a prevenção dos abusos. “O vosso trabalho a favor da proteção dos mais vulneráveis, é urgente e essencial”, acrescentou.

O Papa valorizou as três palavras-chave: “Atender, Informar e Comunicar”, que dão título a este congresso, que decorre no Paraguai. Para Francisco, estas palavras ajudam “a uma gestão eficaz dos casos de abuso sexual”. “Tal como uma violação, ou uma traição, o abuso sexual por parte do clero e o seu encobrimento por parte dos bispos e superiores religiosos, deixou uma ferida indelével no corpo de Cristo, a Igreja, devido ao dano causado a tantas pessoas”, lembrou. E acrescenta: “Alguém que diminua o impacto desta história ou minimize o perigo atual, desonra aqueles que tanto sofreram e engana aqueles a quem dizem servir.”

 

3. O Papa Francisco, que assinalou, a 13 de março, dez anos como líder da Igreja Católica, pediu “paz” como presente de aniversário de pontificado. “Pelos meus 10 anos como Papa, deem-me paz”, pediu o Santo Padre, numa entrevista com os órgãos de comunicação social do Vaticano, no podcast ‘Popecast’.

Após 40 viagens ao estrangeiro, três encíclicas, 899 santos canonizados, milhares de audiências, centenas de visitas a dioceses e paróquias, o Papa destacou o encontro com avós de todo o mundo, em 28 de setembro de 2014, como “o momento mais bonito do seu pontificado”. “Os idosos são sábios e ajudam-me muito. Eu também sou velho, não é? Mas os idosos são como o bom vinho (...). Os encontros com eles renovam-me e rejuvenescem-me, não sei porquê. São momentos bonitos, preciosos”, afirmou. Quanto às situações mais complicadas, Francisco mencionou todas aquelas relacionadas com a guerra. “Por trás das guerras está a indústria das armas, isto é diabólico”, disse, lamentado ser o Papa “da Terceira Guerra Mundial”. “Dói-me ver os mortos, os jovens – não me importo, se são russos ou ucranianos -- que não voltam. É difícil", referiu.

 

4. O Papa Francisco recordou o ato solene de consagração ao Imaculado Coração de Maria, que realizou há um ano, na Basílica de São Pedro, diante de uma Imagem da Virgem de Fátima, e pediu aos fiéis para não se desencorajarem e continuarem a rezar pela paz. “Que a nossa confiança não diminua, que a nossa esperança não vacile. O Senhor ouve sempre as súplicas que o seu povo lhe dirige, por intercessão da Mãe. Permaneçamos unidos na fé e na solidariedade com os nossos irmãos que sofrem por causa da guerra. Sobretudo, não esqueçamos o martirizado povo ucraniano”, salientou o Papa, no final do Angelus, no passado Domingo, 12 de março.

 

5. O Papa Francisco considerou que as mulheres são “o primeiro material descartável” no mundo de hoje, acrescentando que os abusos e a violência contras mulheres é “uma praga” e tem de ser combatida. “A mulher é usada, pagam menos porque é uma mulher; se está grávida fica sem o emprego, este é um hábito nas grandes cidades, por exemplo na maternidade; é uma praga”, lamentou Francisco, na audiência a cerca de 90 pessoas da ‘Aliança Estratégica de Universidades Católicas de Investigação (SACRU)’ e da Fundação Centesimus Annus Pro Pontifice, defendendo depois o papel das mulheres na sociedade: “Não deixemos sem voz as mulheres vítimas de abuso, de exploração, de marginalização e pressão desnecessária. Sejamos nós a voz da sua dor e denunciemos fortemente as injustiças a que estão sujeitas, muitas vezes em contextos que as privam de qualquer possibilidade de defesa ou redenção”.

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