Entrevistas |
Duarte Costa, ?Eu Acredito?: ?Deu-me um grande alento sentir que não estou sozinho no mundo?
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Com o movimento ‘Eu Acredito’, os jovens deram provas da sua fidelidade à Igreja. Em entrevista à VOZ DA VERDADE, Duarte Costa confessa ter ficado impressionado com a moldura humana e viu que há mais jovens como ele: católicos.

O Duarte foi um dos 11 mil jovens que participou no movimento ‘Eu Acredito’, de acolhimento ao Papa. O que o motivou a vestir a t-shirt e assumir-se como um jovem católico?

Estar com o Papa, sendo ele o Pastor Universal, é muito especial! Sentia um desejo enorme de estar perto dele. Quando descobri que havia uma iniciativa organizada por jovens e para jovens como o ‘Eu Acredito’, senti que era importante a minha presença individual e também apelar a que outros jovens tivessem também presentes. Dessa forma, dinamizei os jovens da paróquia da Ameixoeira a participar e fomos um grupo de trinta. Pessoalmente, foi também o desejo de ‘vestir a camisola’ de cristão, de católico, de pessoa que acredita… mostrando também na cidade que no meio dos ‘não crentes’ há jovens muito crentes!

 

Os jovens encontraram-se no Parque Eduardo VII, tendo depois caminhado rumo ao Terreiro do Paço onde participaram na Missa presidida por Bento XVI. O que sentiu durante esta caminhada pelas ruas de Lisboa, onde participaram mais de 11 mil jovens?

Em primeiro lugar foi muito forte e deu-me um grande alento sentir que não estou sozinho no mundo. Participaram mais de 11 mil jovens! Achei um número muito superior àquele que estava à espera! Houve um momento em que estava no Marquês de Pombal e olhei para trás e para a frente e via uma mancha enorme de t-shirts azuis e de pessoas que diziam ‘Eu Acredito’. Isso foi uma grande lufada de confiança.

Acho que também foi muito simbólico para as pessoas que estavam na rua e para a comunicação social verem 11 mil jovens claramente a manifestar a sua fé publicamente. Foi uma coisa muito forte!

 

Na Missa de Lisboa com o Papa, os jovens do ‘Eu Acredito’ ficaram num lugar privilegiado da assembleia. Como foi ter estado tão perto de Bento XVI?

Não foi a primeira vez que vi Bento XVI de perto. Já tinha estado nas Jornadas Mundiais da Juventude em Colónia, na Alemanha, em 2005, mas aqui foi muito mais especial, porque esta é a minha cidade! Aquilo que costumo dizer depois da Missa do Terreiro do Paço é que apesar das condições, do estar muita gente, dos problemas de som… na altura não consegui ‘beber’ todas as palavras do Papa. Aquela celebração no Terreiro do Paço, num lugar central da cidade, com todos aqueles jovens e toda aquela espiritualidade foi muito forte! Obviamente que o que senti é que se vive muito mais o momento, o ambiente de festa e depois mais tarde podemos então ‘beber’ das palavras. Foi isso que fiz. Quando cheguei a casa fui ao site do Vaticano e li as palavras de Bento XVI. Tudo aquilo que tinha ouvido lá mas não tinha retido por toda aquela intensidade ficou assimilado mais tarde.

 

Falando então da homilia da Missa no Terreiro do Paço, o Santo Padre pediu aos jovens que dissessem “que é belo ser amigo de Jesus e que vale a pena segui-Lo”. Que ensinamentos guarda das palavras do Papa nesta celebração?

As duas coisas mais marcantes que o Papa disse foi, em primeiro lugar, que Lisboa era uma cidade de missão e recordar essa nossa herança serviu para eu pensar para mim próprio, como lisboeta, como católico, o apelo à missão. Eu que sempre tive o desejo de um dia partir em missão, fazer missão e evangelizar.

Outro aspecto importante foi o que o Santo Padre disse aos jovens, para serem testemunho e serem cristãos pelo testemunho e não tanto pelas palavras. Foi um apelo muito forte. Sinto que às vezes nos meios onde vivemos, estudamos ou trabalhamos os jovens não são propriamente testemunhos de fé nem da presença de Cristo. Acredito que é possível darmos testemunho e dizermos que sim, que somos católicos! Sons distinguidos por um estilo de vida diferente e concreto, por amarmos o próximo, por perdoarmos. Esse foi mais um momento de confiança e de alento para continuar a fazer aquilo que Cristo nos chamou a fazer.

 

Na noite de 11 de Maio, os jovens rumaram à Nunciatura Apostólica e ofereceram uma serenata a Bento XVI. Após o jantar, o Papa veio à janela pedir que continuem a dar “provas da sua fé”. Como foi o ambiente entre os jovens e que emoção viveu nesse momento em que o Papa se aproximou da janela?

Eu fui a correr para chegar a tempo, mas não consegui apanhar o princípio da serenata… contudo, ia acompanhando pelo rádio do meu telemóvel! Gostei muito do gesto de Bento XVI em ter vindo à janela e como jovem não crítico o facto de o Papa não ter tido um momento dedicado só ao encontro com os jovens. A organização conseguiu arranjar momentos para todos e para que houvesse um impacto na sociedade e a serenata foi o momento dos jovens. Achei incrível a enchente naquele quarteirão, de jovens, de música, de barulho e alegria para que o Papa viesse à janela. A mensagem de Bento XVI foi muito simples, mas de alento e encorajamento.

 

Foi muito comentado durante a visita que os portugueses mudaram de opinião sobre Bento XVI. O Duarte, que esteve no meio dos jovens, acha que a juventude também viu um Papa diferente?

Acho! Acho que esta mudança de atitude dos portugueses se deve a uma coisa que eu gostei muito neste Papa: ele não procura ser uma pessoa simpática mas pretende ser uma pessoa verdadeira e transmitir aquilo que é essencial, que é Jesus Cristo. Ele, enquanto Pastor Universal, a mim motiva-me a seguir o Evangelho. No fundo, esta mudança não foi casual. A importância da visita do líder da Igreja Católica e a transformação que ele operou na Igreja em Portugal e nos cristãos foi de facto a presença do Espírito Santo. Um Espírito Santo que converte, que nos traz à verdade. As muitas críticas que havia do Papa são muitas vezes críticas pouco fundamentadas ou críticas fáceis já que é fácil criticar uma instituição como a Igreja Católica que não faz parte dos moldes dos Estados actuais, laicos.

Com o movimento ‘Eu Acredito’, os jovens deram provas da sua fidelidade à Igreja. E é essa fidelidade dos jovens católicos que eu espero que seja testemunho para os jovens não católicos. Está nas mãos de cada um de nós.

 

Muitos são os jovens que se disseram tocados com a visita do Papa a Portugal. Como é que a Igreja pode, hoje, fazer chegar a sua mensagem aos jovens que não conhecem Cristo?

Eu sou um grande fã da Igreja Católica! A mim parece-me que a Igreja tem usado todos os meios ao seu alcance. Meios actuais, tecnológicos, desde o Facebook, os blogues, o Twitter, para chegar aos jovens. Mas é claro que a mensagem não muda! A mensagem de Cristo é a mesma de sempre. E é essa que nós queremos divulgar.

Não sei bem o que é que se pode fazer para atrair os jovens, mas o fundamental são os testemunhos de alegria e de conversão. Ou seja, a pessoa mostrar que com o seu estilo de vida vive muito melhor com Cristo do que sem Ele! Que é muito melhor ter uma relação espiritual regular, intensa e comunitária com Cristo do que não ter relação nenhuma ou uma relação individualista, sozinho nas suas crenças... Esse é o testemunho que nós podemos dar: que fazer parte da Igreja significa ter uma união com Deus muito mais forte do que qualquer outra união!

 

PERFIL

Duarte Costa, de 21 anos, é acólito e faz parte do grupo de jovens da paróquia da Ameixoeira. Estudou geografia na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e foi um dos 11 mil jovens que ‘vestiram a camisola’ do movimento ‘Eu Acredito’ que acolheu o Papa em Lisboa.

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