Uma semana com... um padre |
A Cruz como centro da vida sacerdotal, por Edgar Clara
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Terminado o Ano Sacerdotal, este é o momento de fazer um pequeno balanço nas páginas que ao longo de um ano foram apresentando a vida dos padres de Lisboa, publicadas em http://umasemanacom.blogspot.com. Dia a dia, os fiéis puderam conhecer a vida dos seus sacerdotes, conversar com eles, enviar-lhes emails, dar-lhes incentivos e sugestões e até interagir com eles.

Porém, o que podemos dizer de essencial do Ano Sacerdotal como resumo de toda a experiência? Parece-me que a Cruz é a experiência mais adequada para sintetizar a experiência do sacerdócio. Foi do mistério amoroso da entrega de Cristo na Cruz que brotou a Eucaristia e, consequentemente, o próprio sacerdócio. Ao olharmos para trás, vemos como a Última Ceia, onde Jesus institui o sacerdócio, expressa o sacrifício de Cristo e dos seus discípulos que iria desembocar na morte de Cruz. Pendente no madeiro, ouve Jesus imprecações contra si. Tentando erguer-se para respirar, o Salvador ouve os outros condenados a dizerem palavras contra si. Os próprios apóstolos tinham deixado o Senhor.

Não podemos dizer que tenha havido grandes manifestações na instauração do sacramento da Ordem. Também não poderíamos, há um ano, pressentir a intensidade de manifestações silenciosas ao instaurar o Ano Sacerdotal. De facto, Bento XVI foi claro ao convocar o evento nos 150 anos da morte de São João Maria Vianney. Curiosamente, o Papa lembrou claramente que esta era ocasião para se meditar no mistério imenso da bondade de Deus que continua a suscitar vocações de consagração – o sacerdócio – na sua Igreja. Bento XVI pretendia que este fosse um ano voltado para os sacerdotes, para que a Igreja rezasse por eles, visse neles um modelo de santidade e de vida apostólica. É importante ver os encontros que Bento XVI tem realizado com o clero de Roma, todos os anos, para responder aos anseios do seu coração e, frequentemente, nas suas viagens por todo o mundo. Mas o Papa Bento XVI está habituado à cruz e ao sacrifício. O seu pontificado não tem sido fácil e sabia que não iria ser fácil convocar um Ano Sacerdotal para centrar as atenções mundiais no sacerdócio.

Primeiro, a cruz e o sofrimento vieram de dentro. Vários bispos passaram por cima do tema do ano – o sacerdócio igual ao do Cura d’Ars – e começaram a considerar o sacerdócio comum dos fiéis. É verdade que todo o povo de Deus está revestido do sacerdócio comum, mas não era este o momento de se reflectir sobre o tema. De facto, Bento XVI queria mesmo ir ao cerne da questão que lhe parece fulcral: o sacerdócio ministerial, impor ordem no sacramento da Ordem. Lembre-se que um dos primeiros documentos de Bento XVI dizia respeito à admissão dos candidatos ao sacerdócio e a homossexualidade.

Segundo, a cruz e o sofrimento vieram de fora provocados pelos pecados de dentro. Os ataques anteriormente orquestrados na América dão-se agora na Europa. Na sua vinda a Portugal, Bento XVI lembra que as perseguições de fora têm a sua raiz no pecado dos homens da Igreja. Tais declarações pacificaram a opinião pública mundial sobre a posição da Igreja e as culpas dos pecados.

Os acontecimentos levam-nos a perceber que este foi, de facto, um Ano Sacerdotal em que o mistério da cruz está no centro do ministério ordenado. Lembro-me que as palavras que mais marcaram o rito da minha ordenação foram ditadas pelo bispo quando me entregava o cálice e a patena: “Conforma a tua vida com o mistério da cruz do Senhor”. Não haverá outra forma de avaliar o Ano Sacerdotal senão a partir da cruz. Foi doloroso para a Igreja. Foi doloroso para os cristãos. Foi doloroso para os padres. Mas também diante da cruz estava ‘a mãe dolorosa’ que via o seu filho pendendo sobre a Cruz.

Podemos dizer que, apesar tudo, foi um ano em que despertou na Igreja o central que existe na vida do padre e da Igreja: a necessidade de se viver o mistério da cruz pela conversão do coração. O próprio Evangelho de Marcos diz com toda a clareza logo no início: “Arrependei-vos e acreditai no Evangelho”. Agora, a Igreja mais purificada pode transformar-se cada vez mais em salvação para o mundo.

Terminam aqui as partilhas e o nosso blogue ‘Uma semana com… um padre’. Talvez possa haver outras actividades igualmente importantes para desenvolvermos no próximo ano. Veremos o que o Espírito nos dirá. Afinal, a Conferência Episcopal Portuguesa está a preparar-se para uma renovação pastoral em todo o país… Saiba mais aqui.

 

O blogue ‘Uma semana com... um padre’ em números:

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Edgar Clara
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