Entrevistas |
100 anos de Madre Teresa de Calcutá: ?Qualquer acto de amor, por menor que seja, é um trabalho pela paz? (com vídeos)
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No final do mês de Agosto, assinalaram-se os 100 anos do nascimento de Madre Teresa de Calcutá. Para recordar a data, a VOZ DA VERDADE entrevistou 5 pessoas que tentam, diariamente, pôr em prática os ensinamentos do ‘anjo dos pobres’, como era conhecida Madre Teresa. O ponto de partida foi o capítulo 25 do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus, já que Madre Teresa sempre afirmou que os pobres não são uma realidade distante que só é vista na televisão, mas aqueles mais próximos que vivem na pobreza de valores, de ideais, de amor.

«Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber» (Mt 25, 35)

Isabel Jonet, 50 anos é presidente do Banco Alimentar Contra a Fome. Ganhou o prémio Direitos Humanos 2005 e o prémio Mulher Activa 2000

Madre Teresa é também conhecida pelas suas frases emblemáticas. Quando questionada sobre o seu trabalho disse: “Temos de ir à procura das pessoas, porque podem ter fome de pão ou de amizade”, “o que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o” e “se não conseguires alimentar cem pessoas, então alimenta apenas uma!” são frases que lhe são atribuídas. No seu entender de onde se devem alimentar os cristãos hoje e qual é o alimento essencial para o Homem do séc. XXI? Poderemos estar perante um novo episódio da samaritana?

Vivemos tempos difíceis. Existe um défice – ou fome – de esperança, um desencanto pelas coisas simples da vida. Penso que grande parte decorre do excessivo valor que os bens materiais adquirirem, tirando espaço, tempo, importância às coisas realmente valiosas. Será necessário regressar à essência das coisas e voltar a colocar o Homem no cerne de tudo. Mas o Homem feito à imagem e semelhança de Deus e não aquele ser que se fecha em si porque o ritmo da vida ou o peso da necessidade de bens e de consumo a isso o obriga. Os cristãos não podem de vista aquilo que é essencial. Com coragem, simplicidade, reencontrar ou recuperar o tempo de olhar para o que os rodeia, para poderem dar a mão a quem efectivamente precisa. Não desistindo nunca de lutar por um mundo, que lhes foi confiado. A Madre Teresa foi um exemplo maravilhoso de disponibilidade, olhando sempre à sua volta e acudindo os mais necessitados com pureza de coração.

«Era peregrino e recolhestes-me» (Mt 25, 35)

Padre Arsénio Isidoro, 37 anos, é pároco de Ramada e o presidente de 4 instituições que acolhem crianças e jovens em risco

Em 1948/50 (fundação da comunidade) o Papa Pio XII permitiu que Madre Teresa iniciasse uma nova congregação de caridade, cujo objectivo era ensinar as crianças pobres a ler. Começou a sua actividade reunindo algumas crianças, a quem começou a ensinar o alfabeto e as regras de higiene. Para si o que é ‘isto’ de acolher pessoas, jovens, crianças em nossa casa?

Acolher pessoas… o segredo está no coração de Jesus, a Madre Teresa simplesmente ‘traduziu’ e foi testemunho do coração do Senhor. Acolher crianças é como acolher qualquer um que chega à nossa vida. É preciso acolhê-lo sem preconceitos, sem rótulos, sem estereótipos, acolhê-lo naquilo que ele é, na sua verdade, com os ‘cacos’ que traz. Os jovens aparecem-nos marcados pela dureza da vida, aparecem-nos destruídos! E olhar para essa destruição não vale a pena, temos de encontrar dentro da pessoa o Deus que habita nele e amá-lo por aquilo que ele é. É no contexto do amor é que o Homem se reencontra. Por isso, é preciso acolher o Homem por aquilo que ele é… é esse o caminho da reconstrução do Homem! Que é muito mais complicado do que construir uma igreja ou uma catedral inteira.

«Estava nu e destes-me que vestir» (Mt 25, 36)

Marta Rodrigues, 29 anos, da paróquia de Tires, é psicóloga e trabalhou durante 4 anos num bairro social

Disposta a defender a vida, Madre Teresa mobilizou-se sempre na defesa dos direitos dos mais pobres, contra o aborto e a eutanásia, para que os valores evangélicos fossem uma realidade vivida na terra. Na sua opinião de que é que a sociedade está despida hoje em dia?

Tendo como base a minha experiência profissional, após ter estado quatro anos num projecto de inserção social com pessoas de risco, vejo que os jovens têm falta de valores, de ideais ou até de um objectivo de vida. No meu entender a família é fundamental e a ‘família cristã’ tem essa característica de educar os seus jovens de acordo com uma crença, à luz do Evangelho. E esta nudez traduz-se exactamente nisto: no nosso dia-a-dia andamos sempre a correr, numa luta desenfreada e nunca sabemos muito bem para o quê. E nos jovens vemos isso muito bem, falta-lhes um objectivo de vida ou ainda pior, um sentido para as suas vidas! Faltam-lhes exemplos, testemunhos que mostrem – em vez de só dizer – que a vida deles pode ser diferente se acreditarem!

 

«Adoeci e visitastes-me» (Mt 25, 36)

José Araújo, 61 anos, da paróquia do Cacém, é voluntário no Hospital Amadora-Sintra

Em 1965, o Papa Paulo VI colocou sob controlo do papado a congregação fundada por Madre Teresa cinco anos antes e deu autorização para a sua expansão a outros países. Centros de apoio a leprosos, velhos, cegos e doentes com HIV surgiram em várias cidades do mundo, bem como escolas, orfanatos e trabalhos de reabilitação com presidiários. Tendo como base o seu voluntariado num dos grandes hospitais da região de Lisboa, qual acha que é a ‘doença’ do mundo, em pleno século XXI?

O mundo padece da falta de valores humanos! Nota-se que as pessoas estão em baixo por causa da desumanização do sítio onde vivem. Ou seja, umas pessoas não têm família mas também não têm apoio, outras têm família, mas a própria família quase que os ignora. E isso nota-se sobretudo naqueles doentes mais idosos porque querem falar sobre assuntos pessoais, da própria vida, querem desabafar e não têm com quem! Isso é algo que faz falta, especialmente a quem está horas e horas fechado dentro de uma enfermaria, onde, muitas das vezes, só têm mesmo o colega do lado para falar… E o trabalho dos voluntários é um pouco esse, fazer companhia aos doentes, ajudá-los a passar o tempo, dar-lhes as refeições quando não a conseguem tomar por eles… no fundo, ser um ombro amigo para quem não tem mais ninguém neste mundo.

 

«Estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25, 37)

José da Cruz Marcelino (ao centro), de 78 anos, é visitador do Estabelecimento Prisional de Lisboa pela Sociedade de São Vicente de Paulo

Monsenhor William D’Souza, Arcebispo de Patna, na Índia disse por altura do centenário que “a presença de Madre Teresa é para a Índia e para o mundo de hoje uma nova encarnação que traz salvação, redenção e liberdade para todos os marginalizados. Somente uma pessoa guiada por Deus pode fazer o que a Madre fez: recolher crianças, doentes terminais, pobres e abandonados e restituir-lhes sua dignidade”. O seu trabalho junto das pessoas que estão privadas da liberdade é importante para lhes devolver um pouco de dignidade, concorda?

Enquanto membro de uma conferência de São Vicente de Paulo aqui não nos interessam os crimes, mas atendemos à pessoa, uma pessoa com a sua dignidade enquanto Homem, apesar das circunstâncias. Aqui colocamos os nossos talentos ao serviço e tentamos que eles desenvolvam os aspectos culturais, artísticos e outras áreas. Estas pessoas que aqui são ‘pobres’ em liberdade.

 

Perfil de Madre Teresa de Calcutá

Agnes Gonxha Bojaxhiu nasceu em Skopje, na Macedónia, no dia 26 de Agosto de 1910 e viria a falecer em Calcutá, na Índia, aos 87 anos, a 5 de Setembro de 1997. Madre Teresa de Calcutá, como ficou conhecida, foi uma missionária católica que fundou a congregação "Missionárias da Caridade" que, ainda hoje, têm como objectivo viver e ajudar junto dos mais pobres. Foi beatificada em 2003 pelo Papa João Paulo II.

 

 

 

 


“Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes”

(Mt 25, 40)

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