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Paróquia de Alfragide inaugura igreja: ?Sem uma comunidade vivificada pelo amor de Deus, será difícil a Nova Evangelização?
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Promover o encontro com Deus e com os irmãos através de uma intensificação da oração e do conhecimento da Palavra de Deus são duas necessidades apontadas pelo pároco de Alfragide, padre Carlos Silva. Por ocasião da dedicação da nova igreja, este sacerdote falou à VOZ DA VERDADE sobre a nova evangelização.

Porquê dedicar esta igreja à Divina Misericórdia?

Uma das principais Encíclicas publicadas pelo Papa João Paulo II, e das mais ricas em conteúdo teológico, tem por título Dives in Misericordia. Esta Encíclica trata exclusivamente da Misericórdia de Deus na Humanidade, recordando-nos a sua mensagem de Misericórdia presente na Sagrada Escritura e na Igreja. O Papa João Paulo II, ao longo do seu Pontificado, muitas vezes fez referências à Misericórdia de Deus. No dia 30 de Abril de 2000, João Paulo II canonizou Santa Faustina Kowalska e nesse dia, o Papa declarou o seguinte: “É importante que acolhamos inteiramente a mensagem que nos vem da Palavra de Deus, neste segundo Domingo da Páscoa, que de agora em diante na Igreja inteira, tomará o nome de Domingo da Divina Misericórdia”. Imbuídos por esta espiritualidade e querendo que esta mensagem se divulgue cada vez mais no mundo contemporâneo, quisemos dedicar esta Igreja em Alfragide, à Divina Misericórdia.

 

Como caracteriza a comunidade de Alfragide?

É uma comunidade bem alicerçada, mas ao mesmo tempo é uma comunidade heterogénea, com grande necessidade de acompanhamento no desenvolvimento da sua fé. Se por um lado, existe um sector da comunidade mais amadurecido, em termos etários e de caminhada de fé e, por conseguinte, com valores tradicionais mais enraizados, existe um número significativo de jovens famílias, alheias e pouco participativas na vida da comunidade paroquial. Trata-se de uma população urbana, com um perfil sociológico próprio do homem moderno: maioritariamente centrado nos seus próprios problemas e pouco disponível para vida comunitária, de forma espontânea. Por conseguinte, embora seja uma comunidade que caminha, nota-se a necessidade de uma liderança que aponte e desenvolva caminhos de dinamização nos vários sectores pastorais.

 

Que projecto pastoral procura desenvolver nesta comunidade?

Deve ser estabelecida uma dinâmica de aprofundamento da fé, como por exemplo: acções formativas, cursos bíblicos, debates com peritos de várias áreas, de modo a tornarem mais atractiva a transmissão dos valores, numa vertente pedagógica, formativa e informativa. Este projecto pode transformar o comportamento da comunidade, desenvolvendo mais conhecimento, mais sentido de partilha, de pertença e interesse por outras acções de experiência da fé e da vida humana: Catequese de adultos (pais de família), apoio à 3ª idade (pessoas independentes e dependentes) e criação de grupos de jovens (pós-final da catequese da infância e adolescência).

 

Que dificuldades encontra ou tem encontrado?

As principais dificuldades assentam no baixo envolvimento de toda a comunidade. É muito reduzido o número dos que se comprometem com a seara do Senhor. Por outro lado, sendo uma comunidade bastante exigente, no que diz respeito à sua orientação para os vários projectos, exige equipas de coordenação mais coesas e disponíveis para fazer face às inúmeras solicitações. Estas equipas necessitam de um reforço pastoral directo e por mais empenhado, e competente que possa ser o pároco, não é humanamente possível alcançar todos os grupos, gerando alguma dispersão nos objectivos traçados.

 

Tendo em conta esta nova carta pastoral do Cardeal-Patriarca de Lisboa como acha que se pode dar este novo vigor à Nova Evangelização nesta comunidade?

Dinamizar a comunidade, visando uma maior adesão à vivência autêntica dos Sacramentos e à pessoa de Jesus Cristo. Pelas razões atrás referidas, há que reforçar as equipas de dinamização das várias actividades. Daí que a citação da carta pastoral: “…Mas a Igreja só pode anunciar o amor, amando e deixando-se amar. Ela é o fruto fecundo do infinito amor de Deus que a ama em Jesus Cristo. E ao mergulhar nesse amor, ela abraça o mundo com o amor de Jesus Cristo, porque ela é o sacramento da salvação, realizada pelo amor de Cristo. Evangelizar é levar os homens a sentirem a força transformadora do amor de Cristo na Cruz...”, nos leve a concluir que sem uma comunidade vivificada pelo amor de Deus, será difícil a Nova Evangelização. Assim, há que promover o encontro com Deus e com os irmãos, através de uma intensificação da oração e do conhecimento da Palavra de Deus. Para além da programação de actividades é necessário acolher sempre o amor derramado em nós pelo Espírito Santo. Sem Ele não há nova evangelização.

 

O que acha que pode mudar agora com a nova igreja?

Quando se fala em nova igreja (edifício) poderemos pensar também em Nova Igreja com sentido de renovação interior na união a Deus entre todos os fiéis, para que cada um com o seu papel a desempenhar se sinta co-responsável pelo crescimento da comunidade. Assim, poderemos encarar o desafio da nova Igreja como sangue novo, compromisso de evangelização, fidelidade à nossa fé e espaço de acolhimento, onde os que procuram um sentido para a vida possam encontrar em Deus Misericordioso, Aquele que dá sentido pleno à vida.

Poderá também vir a acontecer um reforço no empenhamento dos membros da comunidade, a diversificação das actividades e o alargamento da comunidade; poderá aumentar a expectativa de união entre os vários grupos pastorais, porque o encontro entre todos fica facilitado. Além disso, com um novo espaço, poderão ser desenvolvidas e introduzidas funcionalidades de tecnologias de informação, para que todos os grupos possam partilhar e dar a conhecer boas-práticas da nossa e de outras paróquias (ex: newsletter, redes sociais, etc.). Os jovens aqui podem ter um papel muito activo.

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