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Editorial: Globalmente sós
Têm vindo a público várias notícias de idosos encontrados mortos em suas casas, há vários dias, meses ou até anos. Os peritos dizem que é algo que acontece com muita frequência, mas não deixa de ser algo que nos envergonha, como reconheceu D. Carlos Azevedo.

Chamaram “aldeia global” a este modo de viver em que o mundo inteiro se tornou numa pequena aldeia, toda a gente sabe tudo acerca de todos e partilha o mesmo modo de vida: é a “sociedade da comunicação”, onde se desenvolveram as capacidades técnicas que nos permitem comunicar com quem vive do outro lado do planeta. É neste mundo que as pessoas podem morrer sem que ninguém se aperceba.

Creio, no entanto, que o problema não reside só no modo de morrer; o problema mais grave reside antes no modo de viver: damos-lhe o nome de “aldeia”, mas ele está bem longe da vida comunitária, por vezes problemática, é certo, e no entanto muito humana, onde as existências se cruzavam e a entreajuda era uma realidade.

Muitas vezes se desprezou a vida da aldeia, representada em caricatura na célebre banda desenhada do “Asterix”: o modo de viver urbano, com todas as suas possibilidades e comodidades, onde ninguém tinha nada a ver com a vida do vizinho, esse era o ideal proposto.

Hoje, transportámos o isolamento real das cidades para o mundo inteiro, mesmo para as aldeias. Agarrados ao nosso computador, ainda que no meio do oceano, temos a sensação de “possuir” muitos amigos, que se evaporam no nada, tão depressa como surgiram, e que, em grande parte, constituem um mero engano, uma projecção daquilo que gostávamos de ser e não somos, ou que os outros gostavam de ser e não são.

É verdade que é um mundo novo que está a surgir, que ultrapassa em muito a rádio “pré-histórica” e a “velha” televisão, e com o qual não sabemos o que fazer, mesmo que não o possamos ignorar. O facto é que, nele, podemos viver ao lado uns dos outros, acotovelando-nos nos transportes e nos arranha-céus e, ao mesmo tempo, viver e morrer “globalmente sós”.

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