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Editorial: Ainda não é notícia
Já todos sabemos que o facto de um cão morder um homem não «faz notícia», ao contrário do que acontece «quando um homem morde um cão» – aí o insólito, o extraordinário, ganha relevo e merece ser “contado” a toda a gente.

É certo que, nós cristãos, não podemos deixar que ao nosso lado surja um mundo novo (que se baseia no insólito, no «último grito da moda», no «homem que morde o cão») e que contribui para moldar o nosso modo de viver, não receba o anúncio do Evangelho.

Esta «nova cultura» que se vai tornando, cada vez mais, o padrão da vida para muitos, reclama, também ela, pelo anúncio da Boa Nova de que a vida humana está bem longe de se resumir às culpas do homem que mordeu o cão e ao estado em que ficou o pobre animal…

O mesmo é dizer: existe vida (vida humana) para além da Comunicação Social, daquilo que ela aparenta, das notícias mais ou menos verdadeiras que dá, dos personagens que coloca, sempre por breves momentos, nos “altares” da moda por ela ditada: os “fazedores de opinião”, os “pensadores” que dizem aquilo que todos sabem e com que todos concordam, simplesmente porque não dizem nada, a não ser banalidades, as estrelas da moda que passam sacrifícios quotidianos para se manterem “na linha”, os que possuem enormes fortunas mas são incapazes de ter amigos verdadeiros…

É um sistema estranho, este do mundo da comunicação social – um sistema que eleva ao patamar da “normalidade” aquilo que é “fora do comum”, querendo convencer-nos que, afinal, também nós deveríamos ser assim, “fora do comum”, para podermos ter a sorte de, um dia, sermos também “notícia”.

O bem, esse não é notícia: aquele bem que a grande maioria pratica, a vida honesta que nos esforçamos por levar, o trabalho que todos os dias é realizado e que constitui o sustento dos próprios e da nação em que vivemos. Felizmente, o bem não é notícia. Significa que, apesar de tudo, ainda continua a ser a “normalidade” da nossa vida. O Evangelho e o cristianismo são, felizmente, objecto de poucas referências nesse mundo das “anormalidades normais”. Isso significa que ainda existem muitos cristãos, que enchem as igrejas, que cuidam dos pobres, que trabalham, no segredo, como sinais de um mundo novo – aquele mundo que só pode vir de Deus. O bem que é feito – e não tenhamos dúvidas que é feito – tem ainda a marca do escondido, como nos pede o Senhor Jesus. Ainda não é notícia!

É certo, não podemos, descansar: se cruzarmos simplesmente os braços, corremos o risco de, um dia, acordarmos e o bem já ter passado a ser notícia!

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