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Editorial: Cavalgar a crise?

Em tempos de crise, todos se voltam para a Igreja. Os que já antes eram pobres e os pobres criados pela nova situação (tantas vezes “envergonhados” pela vida de abundância que levavam anteriormente e que contrasta com aquela que agora são forçados); os poderes políticos, outrora orgulhosos e sem problemas em criticar a Igreja, procurando retirar-lhe todos os espaços da vida pública, mas que agora olham para ela como a possibilidade efectiva de congregar boas vontades e minorar o sofrimento de tantos; os jornalistas, convictos de que em momentos de crise aumenta o número dos que peregrinam a Fátima, e sempre prontos a fazer uma reportagem sobre a miséria alheia, querendo saber números, conhecer rostos…

E a Igreja lá vai trabalhando, como sempre fez, sem grandes alaridos, reforçando tanto quanto pode a ajuda àqueles que precisam. Sem olhar a quem eles são, se “merecem” ou não o prato de sopa, a refeição, a peça de vestuário... Trata-se de mobilizar mais as comunidades, sem preocupações com aumentos de “receitas dos peditórios”, bancos de dados bem preenchidos, onde figuram, bem identificados, os rostos e os nomes dos pobres, organização centralizada eficaz e coordenadora. É a espontaneidade de quem percebe que existe muito mais que a programação e que, sobretudo, agora há que resolver as situações urgentes das pessoas, e que isso não se compadece com muitos planos, organizações, discursos.

Neste trabalho de presença, de ajuda, de aflição por querer chegar a todos os lados e a todas as pessoas que necessitam e de sentir tantas vezes a impotência de não o poder fazer só porque não chega, porque não há recursos disponíveis, materiais e humanos, neste trabalho resplandece o amor de Deus. É um trabalho silencioso, mas que grita o Evangelho.

Mas há também uma tentação, não tenhamos ilusões. Aquela de “cavalgar a crise”, de mostrar que somos bons, de mostrar a todos o que fazemos, que damos muito, que somos imprescindíveis, para podermos, finalmente, aparecer e ser reconhecidos… A tentação de aumentar números, estatísticas, de mostrar a eficácia.

No meio da crise, a Igreja é antes convidada a ser o ponto seguro de referência do que significa ser homem. Mudam os homens, mudam as suas condições de vida, mas no meio da sociedade é importante que alguém grite Deus, e que, sem Ele, o homem não é nada. A Igreja de Jesus não pode calar o Evangelho. Não pode calar o amor de Deus que se nos mostrou em Cristo crucificado. Esse há-de sempre ser proclamado em cima dos telhados, a propósito e a despropósito.

Mas isso é bem diferente de querer “engordar” à custa da crise.

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