Beatificação de Madre Clara |
Um marco e um desafio
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Somos a geração do light, do instantâneo, do pronto a vestir.

Tudo deve caminhar sobre rodas e não se nos exija esforço aturado ou persistência.

Para que nossos filhos não passem o que nós passámos, é preciso enchê-los de mimos e satisfazer todas as suas veleidades.

Em sociedades deste tipo, não germinam personalidades fortes, livres e responsáveis, capazes de lutar por ideais elevados.

Isso costuma alcançar-se, onde se desenvolve um clima de amor e de compreensão, onde se cultiva a sobriedade e se educa para os valores reais da existência.

Foi num ambiente assim que nasceu e cresceu a Ir. Maria Clara do Menino Jesus.

Diz o historiador P. Henrique Pinto Rema:

Era uma mulher forte. Sabia o que queria. Tomava nas mãos as coisas e avançava. Não tergiversava. Pessoalmente, acho que a Fortaleza foi a virtude excepcional da Irmã Maria Clara.

Os familiares recordam-na como “senhora de muita virtude e grande educação” e os documentos provam ser “pessoa com grande capacidade de decisão e muita firmeza”.

Para as contemporâneas é “uma alma magnânima, ao mesmo tempo cheia de indulgência, aliando a caridade com o dever”.

A sua fortaleza não é apenas um dom natural, mas também uma virtude infusa em sua alma por acção do Espírito divino. D’Ele vinha a força para se mostrar sempre corajosa e persistente, por mais árduo que fosse o dever a cumprir ou o bem a alcançar.

Assim a vemos, logo de início, no momento em que se propôs seguir a vocação religiosa. Depois de tomar essa resolução, emprega energicamente todos os meios para o conseguir, apesar de as suas relações sociais e o meio em que vivia lhe levantarem numerosos obstáculos.

Tendo ingressado nos caminhos de Deus, a sua natureza forte e decidida, trabalhada pela graça, aderiu progressivamente aos sinais que a vontade divina lhe foi apresentando. Assim se tornou capaz de resistir indómita aos vendavais da perseguição, da contradição e da calúnia, perseverando até ao fim na busca do verdadeiro Bem e na fidelidade à própria missão.

Reagindo contra “todas as suas tendências e vontade”, assumiu corajosamente a decisão de fazer o noviciado em França e ali permaneceu pelo tempo que foi necessário, não obstante as dificuldades e provações.

Do mesmo modo, no seu regresso a Lisboa como Superiora local, apesar da forte resistência interior que experimentava, não se recusa nem hesita diante do sacrifício. Antes, “procura robustecer-se e encher-se de coragem para alcançar e cumprir animosamente o dever que a obediência lhe impõe”.

Idêntica é a sua atitude, após a morte inesperada do P. Beirão. Não obstante a consciência dos próprios limites e o natural receio de governar sozinha uma Congre-gação em rápido crescimento, não vacilou em “fazer a si mesma uma heróica violência para se animar” e nunca se acobardou perante as inúmeras dificuldades que se lhe depararam.

Sabia ter recebido uma missão que devia exercer com coragem e fidelidade, com verdadeira grandeza de alma, colocando-se sempre na brecha, quando se tratasse do serviço de Deus e do Seu povo.

A sua extraordinária nobreza de carácter revela-se na liberdade com que se apresentava tal como era, sem hipocrisia nem simulação, sem temor de parecer fraca e limitada. Pelos seus escritos, simples, directos e sóbrios, perpassa uma alma límpida, transparente.

Não se encontra nela o mínimo vislumbre de melindre. Não só não se mostrava ressentida com as ofensas, mas permanecia aberta e disponível. Os ofensores sabiam que podiam sempre contar com a sua bondade e atenção.

A sua natureza correcta e leal repudiava a inveja, as “especialidades” e a murmuração, a que chamava “peste das pestes”. Nunca desceu a tais recursos, mesmo quando era injustamente arguida e humilhada.

Sempre se mostrou fiel à amizade, ainda que fosse rejeitada ou traída pelos amigos. Sem se deixar cegar pelo afecto, reconhecia os defeitos deles, mas não os sobreestimava. Considerava-os como resultantes da fragilidade humana, não devendo causar espanto o facto de existirem. Confiava nas pessoas, sem, todavia, esperar delas mais do que eram capazes de dar.

A sua grandeza de alma levava-a, muitas vezes, a ousar mais do que parecia humanamente possível, para atender à necessidade e à caridade.

Os prodígios realizados na área da saúde, mesmo sem meios adequados, evidenciam quanto a sua actuação revolucionou o serviço de enfermagem em Portugal.

Foi imenso o esforço que despendeu em favor da criança desvalida. O número das crianças recebidas gratuitamente era mais que o dobro das que se podiam normalmente sustentar.

Apesar da dureza do trabalho e do pesado sacrifício que lhe custava, não desistiu nunca de atender a toda a classe de desvalidos.

A epopeia missionária, escrita pela Congregação no seu tempo, atinge as raias do heroísmo e da mais sublime caridade cristã.

Sacrificou a saúde, gastando-se inteiramente no serviço de Deus, da Congregação e dos infelizes. Embora a sua vida diária, sobretudo nos últimos tempos, fosse uma luta contínua para superar os limites impostos pela doença, soube dominar heroicamente os padecimentos físicos e morais, aplicando-se a fazer todo o bem possível.

Foi inteireza e coerência com as opções tomadas e combateu o bom combate da fé e da caridade, até ao fim.

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