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Editorial: O ?desporto eleitoral?
Na passada quarta-feira, as televisões ofereceram aos portugueses uma pausa nos debates para as próximas eleições de 5 de Junho. O motivo foi óbvio: a final portuguesa da Liga Europa. É claro que ninguém iria ver os debates mais ou menos ridículos e repetitivos dos líderes dos principais partidos que concorrem às próximas eleições, e os nossos políticos arriscavam-se a perceber aquilo que todos já sabem: os portugueses estão muito mais interessados no resultado de uma partida de futebol que no destino político e económico do país.

Aliás, devemos reconhecer que, infelizmente, entre o modo como se encara um jogo, com as mentiras e as tácticas, as antevisões do jogo, as baixas e as listas dos jogadores divulgadas antes do desafio; as jogadas de ataque e contra-ataque, as iniciativas de golo, as faltas e os golpes baixos durante a partida e, depois, os comentários justificativos da derrota ou o enaltecer da vitória, até o determinar quem ganhou e quem perdeu, em muito pouco a política se tem distanciado de uma qualquer partida de futebol. Tem-se tornado em mais um desporto – convenhamos que menos interessante que o “desporto rei”.

Podem reclamar elevação no debate; podem confessar-se os maiores defensores da causa pública e os paladinos da defesa dos mais pobres; mas todos sabemos que, depois, pouco ou nada mais interessa que a manutenção do poder ou a sua conquista. E, para isso, na política como no futebol, vale tudo.

É certo que nós, cristãos, nos desinteressámos da política. Deixámos que outros decidissem por nós, que outros tomassem a iniciativa – para nós, reservámos apenas o direito de protestar quando alguma lei ou alguma situação coloca em causa a dignidade humana nos seus diferentes aspectos, individuais ou sociais.

Enquanto tal, a Igreja sempre rezou pelos governantes das nações, mesmo quando era (e quando é perseguida); enquanto tal, a Igreja não faz política partidária. Mas os cristãos não se podem alhear do bem comum. É certo que eles, mais que ninguém, trabalham no silêncio para o bem dos demais. Mas é igualmente certo que existem momentos em que não basta trabalhar no silêncio. Existem momentos em que é necessário ter a ousadia de falar alto e claro, não só para denunciar como também para arriscar propor e tomar iniciativas.

É verdade que a nossa pátria não se encontra neste mundo, e que ele apenas constitui uma passagem no nosso peregrinar em direcção ao Reino dos Céus. Mas, precisamente por isso – e porque todos são chamados a fazer esta peregrinação ao longo de toda a sua existência, mesmo os não-crentes – é necessário que a vida neste mundo, as suas estruturas, as suas leis e o seu modo de viver, longe de criarem obstáculos, a todos ajudem no caminho para Deus. Essa é uma tarefa nossa, da qual não nos podemos alhear, e que coincide com a construção de uma sociedade verdadeiramente humana. Essa é uma tarefa da política e, em particular, daqueles que, sendo cristãos têm a ousadia de se entregar ao serviço do bem comum. Talvez assim, a política fosse capaz de readquirir alguma da sua dignidade.

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