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Editorial: Existe um modo cristão de votar
Ter o coração no céu, junto do Senhor Jesus, que à direita do Pai colocou a nossa humanidade, não nos pode impedir, a nós, cristãos, de ter os pés bem assentes na terra, por onde o mesmo Senhor nos enviou para anunciar o Evangelho. Sabemos que, enquanto vivemos neste mundo, nós cristãos somos nele uma particular presença do Senhor. E isso significa que, tal como a Jesus, nada do que é verdadeiramente humano nos pode ficar indiferente.

Sabemos que o mundo não se salva a si mesmo. Sabemos que nele, no mundo material e mesmo no mundo humano com todas as conquistas e técnicas inovadoras, se encontra sempre a marca e o limite de ser criatura. Mas, precisamente com esta consciência, sabemos que tudo o que foi criado tem uma finalidade: participar da vida eterna com Cristo ressuscitado. É por isso que, para um cristão, ter os pés assentes na terra significa transformar o mundo à imagem d’Aquele que preenche o nosso ser e onde temos o coração, sabendo que tudo será um dia plenamente transformado em Cristo.

É por isso que não podemos ficar de braços cruzados. Não podemos ignorar alguém que, ao nosso lado, sofre no corpo ou no espírito; não podemos ignorar quando ao nosso lado (senão por nossa causa) algum grupo de seres humanos ainda não tem (ou já perdeu) o mínimo para viver com dignidade; não podemos ignorar quando existe uma sociedade que clama por mudança.

É óbvio que a participação do cristão na vida pública não se pode resumir ao voto: seria descansar a nossa responsabilidade pelos outros e pela realidade que nos envolve em alguém que, a maior parte das vezes, não conhecemos a não ser superficialmente. A participação do cristão na vida pública não pode deixar de fazer a diferença nos diversos movimentos de espiritualidade e acção, no modo como está presente no trabalho, na família e até mesmo nos momentos de lazer. Em todas as situações procuramos semear a vida eterna, e isso dá-nos todo o direito (e por vezes mesmo o dever) de protestar, denunciar, ou aplaudir e agradecer quando, mesmo além de momentos eleitorais, alguma decisão, alguma lei, alguma situação fere ou ajuda a dignidade humana e os nossos deveres e direitos de cristãos.

Mas não tenhamos dúvidas: nos países das democracias do Ocidente, o voto é um dos modos principais, eventualmente o mais excelente, de participação de alguém na vida pública. E no modo de votar, fazendo nossas as preocupações e esperanças de todos; tendo em mente o que é a doutrina da Igreja e o modo como ela tem sido vivida e aplicada pelos nossos governantes ou pela oposição, não podemos também deixar de pensar e actuar como cristãos. Com efeito, existe um modo cristão de votar.

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