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Editorial: Uma nova cultura
A situação nacional não é simplesmente grave. É de emergência. Estou, no entanto, certo que Portugal vai ser capaz de sair de todo este impasse, e mesmo da crise em que fomos mergulhados. Sempre o fizemos, estamos habituados ao improviso e é quando nos sentimos aflitos que somos capazes de unir esforços e mostrar o nosso melhor.

 

Mas aquilo de que o nosso país necessita não é simplesmente de resolver uma crise económica, mais ou menos profunda. Antes e depois dela, uma outra crise – que lhe deu origem – tem estado constantemente latente em Portugal e na Europa: trata-se de um modo de viver que todos sentimos desajustado, que todos sabemos que é impossível que dure por muito mais tempo, mas para o qual, simultaneamente, não somos capazes de encontrar uma saída que vá além do mero resolver pequenas questões, úteis apenas para “ir vivendo”.

Com efeito, a questão é a de saber aquilo que queremos construir num horizonte muito mais amplo. Que queremos para a Europa e que queremos para Portugal? O que significa trabalhar e viver em sociedade? O que significa ter uma família? O que significa viver num Estado, capaz (ou não) de garantir para todos um mínimo de vida honesta, justa e digna?

Todas estas e outras questões – as questões fundamentais para o viver em comum – foram respondidas, depois da Segunda Guerra Mundial, numa Europa liderada pelos grandes pensadores e políticos da Democracia Cristã que, durante 20 anos, inspirados na Doutrina Social da Igreja, criaram um modo único de viver, onde a dignidade humana se encontrava assegurada nas suas grandes linhas: a Europa ocidental, consubstanciada na CEE (Comunidade Económica Europeia). Foi este mundo que, em parte, terminou em Maio de 68 e nas mudanças que se lhe seguiram: as regalias e o “Estado social” mantiveram-se, mas não os seus pressupostos e o modo de viver que lhes dava sustento. Estes foram substituídos por uma utopia, bem próxima do materialismo comunista do Leste europeu, que rapidamente desmoronou as colunas do viver ocidental, e que, depois da queda do Muro de Berlim, encontrou um excelente aliado no modo de viver dos antigos países comunistas: os ideais ficaram como tal e o que importava era, no fim de contas, ir sobrevivendo em cada dia que passava.

Mas é precisamente este modo de olhar a vida apenas com o horizonte no quotidiano, e desfrutando dele o máximo possível, que não nos basta. É ele que se encontra no fundamento da crise económica internacional e, porque nos toca mais de perto, é ele que se encontra no fundamento da crise nacional – que, tal como a europeia, não é apenas uma “crise económica”.

Não se trata, obviamente, de querer regressar a tempos passados. A esses nunca regressaremos, mesmo que o quiséssemos (e não queremos). Trata-se antes de perceber que nos encontramos perante uma encruzilhada que nos obriga a tomar decisões fundamentais. E que exige de todos, queiramos ou não, gostemos ou não, a necessidade de construir uma nova cultura, não com base numa utopia, mas fundada naquilo que é, verdadeiramente, o ser humano.

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