Beatificação de Madre Clara |
Beata Madre Maria Clara: ?Meditações? ao redor da sua genealogia: as suas ligações ao Patriarcado de Lisboa
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Permitiu o Senhor, que o Papa Bento XVI marcasse a cerimónia da Beatificação da Madre Maria Clara do Menino Jesus para ocorrer durante o tempo em que se comemoram os 50 anos da ordenação sacerdotal do Patriarca de Lisboa, D. José da Cruz Policarpo, e que o mesmo presidisse à celebração eucarística da Beatificação, a primeira realizada no Patriarcado.

Acto significativo, porque foi neste território eclesiástico que a Beata Madre Maria Clara nasceu para o mundo, na Quinta do Bosque, na actual Amadora, e para a Igreja, na paróquia de Nossa Senhora do Amparo, na Paróquia de Benfica, a que pertencia então a referida quinta. Podia ser, como sucede em muitos casos, que esta ligação ao Patriarcado de Lisboa fosse ocasional, por seus pais serem oriundos de outras paragens. Mas não é o caso da agora venerável Beata, que no mundo se chamou Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Teles e Albuquerque, mas que em religião, para as suas companheiras de carisma e para aqueles que acolheu e aliviou no sofrimento, era e é apenas a Madre MARIA CLARA DO MENINO JESUS. Nome simples comparado com o seu original. Mas que foi aquele que por Carta Apostólica do Santo Padre Bento XVI, datada de 13 de Maio de 2011, mereceu ser inscrito no Álbum dos Beatos.

Com efeito, seus pais haviam contraído matrimónio seis anos antes do seu nascimento (1837) em Lisboa, na antiga igreja do Santíssimo Coração de Jesus, localizada defronte do actual Hospital de Santa Marta, no terreno onde agora se situa o Instituto Cervantes. Também seus pais estavam ligados ao Patriarcado pelo seu nascimento, tendo seu pai sido baptizado na Igreja de Santa Maria da Vila de Sintra, e sua mãe, na de São Jorge de Arroios, da cidade de Lisboa. Igualmente seu avô paterno, Rui Galvão Mexia de Moura Teles e Albuquerque nascera em Belém e fora baptizado na Paróquia de Nossa Senhora da Ajuda, enquanto sua avó paterna o foi na freguesia de Belas. Igualmente o deverão ter sido seus avós maternos, mas não encontrámos ainda a prova para tal afirmação. E podíamos continuar pelas gerações seguintes, não fora o facto deste espaço não ser o mais adequado para o fazermos. Mas para aqueles que por tal se interessarem e tiverem possibilidades, poderão obter essa informação através da consulta dos dados disponibilizados pelo Geneall [1] , sítio onde, a par da investigação que fizemos, também pesquisámos elementos para o nosso estudo[2]. É que a par de gente humilde e de que apenas resta memória através dos seus assentos nas páginas dos registos paroquiais, a Beata Maria Clara também descendia de grandes vultos da História de Portugal: de Vasco da Gama e do conde de Vimioso D. Francisco de Portugal, e por este, do conde de Ourém e Marquês de Valença D. Afonso, neto de São Nuno de Santa Maria e de D. João I. E a todos eles, humildes ou notáveis, a Beata Maria Clara honrou com as suas virtudes e Amor ao próximo, que fizeram dela um rosto da ternura e da misericórdia de Deus.

Mas da sua genealogia conhecida, que em alguns ramos se pode deduzir até antes da fundação da nossa nacionalidade, para este apontamento privilegiamos apenas umas gerações. Aquelas que nos levam a reforçar a sua ligação ao Patriarcado de Lisboa, em particular, e à Igreja Portuguesa em geral, através da sua ligação familiar a três figuras. Assim, foi a Beata Madre Maria Clara, (Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Teles e Albuquerque), filha de Nuno Tomás Galvão Mexia de Moura Teles e de Maria da Purificação de Sá Ferreira; neta paterna de Rui Galvão Mexia de Moura Teles e Albuquerque e de Lúcia Maria da Glória dos Santos da Cunha e Menezes, e materna de Joaquim José Duarte Ferreira e de Maria Luísa de Sá Carneiro. Por parte de seu avô Rui Galvão Mexia de Moura Teles e Albuquerque era bisneta de Lourenço Anastácio Mexia Galvão e de D.ª Maria Bárbara Mascarenhas de Sousa da Silva e Meneses, sendo por esta senhora trineta de Francisco Manuel de Sousa da Silva e Meneses e de Teresa Caetana Micaela. Era seu trisavô, Francisco Manuel de Sousa da Silva e Meneses, um dos filhos do 2º conde de Santiago de Beduído, Aleixo de Sousa da Silva e Menezes e de sua mulher D.ª Leonor Maria de Menezes[3]. E entre os 26[4] filhos deste casal, portanto irmãos do trisavô da Beata Maria Clara, encontram-se 5 filhas, religiosas professas no Mosteiro da Esperança, em Lisboa; um principal da Sé de Lisboa, Rodrigo de Moura Teles; e D. Fernando de Sousa da Silva, 4º Cardeal Patriarca de Lisboa. Nascido a 27 de Novembro de 1712 e falecido a 7 de Abril de 1786, fora eleito em Dezembro de 1776 para Patriarca de Lisboa mas só foi sagrado em 30 de Maio de 1779[5], tendo entretanto já sido elevado ao cardinalato pelo Papa Pio VI no consistório secreto realizado em 1 de Janeiro de 1778.

Estamos assim perante uma feliz simbiose de ligação a esta figura da Igreja Lisbonense por parte da Beatificada Maria Clara e do presidente da celebração de beatificação, D. José da Cruz Policarpo. A primeira, ligação familiar como sua sobrinha-trineta. Em relação ao segundo, ligação espiritual e institucional como sucessor daquele Cardeal-Patriarca. De lamentar apenas que, os católicos deste Patriarcado não tivessem percebido a importância de tal solenidade, enchendo o local onde foi celebrada a beatificação.

Mas recuemos apenas mais duas gerações, através do pai do trisavô da Beata Maria Clara e deste 4º Cardeal-Patriarca. Foi o 2º conde de Santiago de Beduído, Aleixo de Sousa da Silva e Menezes, filho do 1º conde de igual título, Lourenço de Sousa Menezes e de sua mulher D.ª Luísa Maria de Mendoça e Távora, sendo neto paterno de Aleixo de Sousa da Silva e Menezes, comendador de Santiago de Beduído e de sua mulher D.ª Luísa de Távora, e neto materno de Nuno de Mendoça, 2º conde de Vale de Reis, e de sua mulher D.ª Luísa de Castro e Moura. Foram os 2ºs condes de Vale Reis[6] (sextos avós da Beata Maria Clara), além de pais de sua 5ª avó D.ª Luísa Maria de Mendoça e Távora, também pais de outra figura grande da Igreja Portuguesa: D. Rodrigo de Moura Telles, Arcebispo de Braga e Primaz de Espanha, nascido em 26 de Janeiro de 1644 e falecido a 4 de Setembro de 1728, sendo sepultado na Capela de São Geraldo, na Sé Catedral de Braga. Antes, fora Reitor da Universidade de Coimbra, de 1690 a 1694, tendo sido a partir de então bispo da Guarda, de onde transitou em 1704 para o Arcebispado de Braga, onde realizou numerosas obras, instituiu o jubileu (ou lausperene), das 40 horas, e fez a sua obra mais emblemática: o Bom Jesus.

Mas também deste Arcebispo de Braga resta memória no Patriarcado de Lisboa! O edifício onde se situa a actual Câmara Municipal de Odivelas, era a parte habitacional da antiga Quinta da Memória, por ficar junta ao Memorial que perpetua o local onde terá estado o corpo do rei D. Dinis antes de dar entrada definitiva no seu túmulo no Mosteiro de S. Dinis de Odivelas. Também conhecida por Quinta do Arcebispo, ainda hoje exibe um magnífico exemplar heráldico com as armas de D. Rodrigo de Moura Telles, sendo então uma importante propriedade que se estendia até ao ponto “onde o rio da Costa” se encontra com a ribeira de Odivelas[7].

Ainda pudemos referir uma outra “curiosidade”. Como filha dos 2ºs condes de Vale Reis, portanto irmã desta 5ª avó da Beata Maria Clara e de seu irmão, o Arcebispo D. Rodrigo de Moura Telles, encontramos o nome de Luísa Maria da Conceição de Mendoça, que nascida em 1656, foi religiosa no Mosteiro da Madre de Deus, e que é referida como fundadora do Convento dos Capuchos em Guimarães[8]. Feliz “curiosidade”, pois foi no Recolhimento de Terceiras Franciscanas Seculares Capuchinhas de Nossa Senhora da Conceição, sediado em S. Patrício que, apoiada pelo carisma do forçadamente exclaustrado Padre Raimundo dos Anjos Beirão, Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Teles e Albuquerque tomou o hábito e o nome religioso de Irmã Maria Clara do Menino Jesus, com que agora foi inscrita no livros dos bem-aventurados por ter sido um rosto da ternura e da misericórdia de Deus.


[1]  - vide: http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=523395

[2] - e que apresentámos como  Tema na Tertúlia no  jantar-tertúlia da Associação Portuguesa de Genealogia, realizado em 27 de Maio p.pdo.

[3] - esta senhora foi filha de D. Fernando Mascarenhas, 2º marquês de Fronteira, e de D.ª  Joana Leonor de Toledo e Menezes.

[4] - outros lhe referem 28.

[5] - para tal demora deverá ter contribuído a perturbação ocorrida após a morte do rei D. José I, ocorrida a 24 de Fevereiro de 1777.

[6] - Casa a que já havia pertencido o Arcebispo de Lisboa, D. António de Mendoça (1669-1675), e pertencerá o 5.º Cardeal-Patriarca D. José (II) de Mendoçao (1786-1808), sucessor portanto de D. Fernando de Sousa da Silva.

[7] - conforme informa  a Dr.ª Maria Máxima Vaz in http://odivelas.com/2010/02/19/a-quinta-da-memoria/.

[8] - conforme Geneall.

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