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?Laetare?: Levar a alegria pela música cristã (com vídeo)
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Nasceram no âmbito dos festivais vicariais de música cristã na Diocese de Lisboa e há um ano lançaram o primeiro CD de temas originais. Clara Raimundo (voz) e Pedro Marques (guitarra) são o grupo ‘Laetare’ e querem mostrar às pessoas “a alegria que vem de Jesus”.

‘Laetare’ [do latim ‘Alegrai-vos’] é o nome do vosso projecto musical. Como nasce este grupo de música cristã?

Pedro: Em 2006, houve um espaço vazio na paróquia da Reboleira para concorrer ao Festival da Canção Cristã dos Jovens da Vigararia da Amadora. Normalmente eram outros mais velhos que concorriam, que já tinham ganho muitas vezes, pelo que não havia ninguém que se sentisse motivado a concorrer. Alguém tinha que se ‘chegar à frente’. Foi então que desafiei a Clara – que cantava no coro da igreja e era afinada! – a fazer uma música! Foi assim que nasceu a canção ‘Onde o Amor me levar’, que devido a certas limitações da Sociedade Portuguesa de Autores passou a chamar-se ‘Caminhar (Onde o Amor me levar)’.

Clara: Participámos com esta canção no festival vicarial de 2006 e ficámos em 2º lugar, mas muitas pessoas nos disseram que tinha sido injusto e que devíamos ter ganho! ‘Vocês têm de continuar, foi espectacular, toda a gente adorou!’, diziam-nos. A verdade é que nós não tínhamos sequer a noção do impacto que a música tinha provocado, mas sentimo-nos quase ‘obrigados’ a continuar.

Pedro: Nós nascemos para participar no festival e não tínhamos um projecto definido. Mas como recebemos tantos ‘mimos’, resolvemos fazer uma nova música para o ano seguinte… e acabaram por nascer mais duas novas músicas!

Clara: Após ganharmos o festival diocesano em 2007, inscrevemo-nos para participar na primeira edição do Festival Jota, na iniciativa ‘O teu palco’, que pretendia dar a conhecer novos projectos dentro da música cristã. O padre Jorge Castela, da Banda Jota e um dos mentores do festival, disse ter gostado muito e incentivou-nos a dar continuidade ao projecto. Foi muito importante, porque a nível de festivais paroquiais, vicariais e diocesanos, já começávamos a sentir que tínhamos de dar espaço a novos projectos.

 

Onde vão buscar a inspiração para os vossos temas?

Pedro: Normalmente é em recolhimento que componho. O início da música normalmente não é intencional, é inspirado. Podemos acreditar – e eu penso que sim – que me é inspirado pelo Espírito. Para mim, toda a arte é uma forma de inspiração divina. É uma repetição da capacidade criadora que Deus tem e que infunde em nós.

Clara: Através da letra, procuro que a música possa transparecer essa inspiração, revelar a beleza de Deus e aquilo que Ele gostaria que nós revelássemos às pessoas. Procuro ainda que a letra possa despertar em quem a escuta um sentimento de serenidade, de paz, de alegria, que nos identifica e que identifica quem acredita em Jesus Cristo.

 

Como surge a escolha do nome ‘Laetare’?

Clara: Na altura em que compusemos a primeira música, estávamos perto do Domingo Laetare. Andávamos à procura de nome e quando fui ler as leituras desse Domingo, pensei que ‘Laetare’ fazia todo o sentido. Porque, no fundo, é esse o nosso objectivo: que com a nossa música, as pessoas possam sentir a alegria que vem de Jesus. Não há nenhum veículo melhor que a música para despertar e mostrar essa alegria!

 

A vossa música tem um estilo que se pode considerar diferente, com influências desde a música tradicional portuguesa até à música celta. Porquê esta opção?

Pedro: Nós diferimos de outros grupos de música cristã porque em 2006, quando nos juntámos para fazer música, estávamos um pouco cansados do registo habitual. Não só do nosso festival vicarial, mas também do que ouvíamos no diocesano. Era quase tudo muito idêntico e por isso queríamos fugir àquele pop mais comum e fazer algo diferente! Ao mesmo tempo, procurei aproveitar as qualidades vocais da Clara, que são também diferentes do habitual, e portanto foi natural irmos para este nosso registo. As influências não são intencionais, são um pouco as influências daquilo que cada um de nós ouve: desde a música celta ao flamenco, passando pela tradicional portuguesa, com aquele andamento sereno que transmite às pessoas uma paz que é alegre!

 

O ano passado editaram o primeiro álbum, intitulado ‘Ao Teu Sopro’. Foi a concretização de um sonho?

Pedro: Em 2009, actuámos novamente no Festival Jota e o padre Jorge Castela apresentou-nos o produtor musical da Banda Jota, David Neutel, que nos desafiou a gravar um álbum. Em Janeiro de 2010 começámos as gravações, que se prolongaram até Junho. Foram praticamente seis meses de gravações!

Clara: Nós nunca tivemos desejos de fama, nem nada que se pareça. A realização do álbum foi uma alegria enorme porque significou a possibilidade de chegarmos a muito mais pessoas. Ter as canções registadas e editadas permite-nos levar a nossa mensagem a muito mais gente! Mas sinceramente, não foi algo que tivéssemos planeado à partida; foi algo que com a caminhada sentimos que devíamos fazer, sempre com um grande espírito de serviço. Até porque além dos apoios morais – em especial do padre Jorge –, não tivemos apoios financeiros. Este é um projecto financiado do nosso bolso porque achámos que era importante espalhar a mensagem cristã e assim concretizar a nossa missão enquanto cristãos!

 

‘Ao Teu Sopro’ é um álbum composto por 11 músicas originais. Como é que o definem?

Clara: Sendo este o nosso primeiro álbum – e não sabendo se vamos ter mais… – tentámos que ele fosse completo ao nível das temáticas. No fundo, procurámos que fosse um álbum que falasse dos vários aspectos da fé cristã. Daí ser incontornável falar da morte e ressurreição de Jesus, falar do Espírito Santo e falar também de Maria. É muito curioso que até há pouco tempo, quer eu quer o Pedro, tínhamos uma relação não muito próxima com Nossa Senhora. A paróquia da Reboleira era Redentorista e havia um enfoque muito grande na Paixão de Jesus e na redenção. Maria sempre ficou um pouco esquecida e só agora com o grupo ‘Laetare’ fomos criando maior proximidade, descobrindo a sua força e a porta que Ela nos abre para nos aproximarmos de Jesus. Por isso, quisemos homenageá-la com a música ‘Mãe de Deus, minha mãe’.

Pedro: É curioso que essa foi uma das últimas músicas que escrevemos para o álbum e nasceu precisamente porque nos apercebemos que faltava Maria neste trabalho. ‘Ao Teu Sopro’ nasceu numa altura em que, se calhar, estávamos muito mais concentrados no Espírito – daí o sopro.

 

Já transmitiram a fé através da catequese, mas agora cumprem a vossa missão de anunciar Cristo através da música…

Clara: A música representa uma parte importante, mas sinto que a minha missão é evangelizar através da minha vida, em todos os momentos. Eu tenho de mostrar Jesus aos outros através daquilo que eu sou. No entanto, sinto que sou abençoada e tenho uma sorte enorme em poder fazer este anúncio também através da música, que é um meio privilegiado de chegar às pessoas. A música, muitas vezes, é uma via directa, é uma linguagem universal. Mesmo pessoas que não compreendam o português, podem sentir Deus na nossa música. Sinto que a música é um dom que eu não poderia desperdiçar de maneira nenhuma, mas não deixa de ser apenas uma parte daquilo que eu sou!

Pedro: Eu identifico-me com o que a Clara disse, na medida em que sinto que me foi dado um dom. Eu tenho de fazer música não necessariamente para evangelizar, mas a música nasce dentro de mim e eu tenho de a expressar, de a pôr cá fora! Sinto que é um dom que me foi dado, principalmente quando vejo o reconhecimento de quem nos escuta.

 

A nova evangelização poderá também concretizar-se pela música?

Pedro: Eu acredito que sim! É difícil dizer quais os ‘meios’ correctos para se fazer chegar a mensagem cristã, mas digo claramente que na Igreja ainda não se aproveita totalmente a música cristã enquanto instrumento de evangelização. Nós trabalhamos muitas vezes sozinhos, sem apoios. Claro que quem nos inspirou e apoiou são pessoas de Igreja, mas há muitas dificuldades na promoção e na criação de condições para que esta forma de evangelização chegue às pessoas.

Clara: Há uma situação que é reveladora deste subaproveitamento: são as festas e arraiais em honra de santos padroeiros. Acredito que seriam espaços de eleição para a música cristã. No entanto, aquilo que vemos é que as bandas convidadas são bandas laicas, de música popular portuguesa, em que muitas vezes as letras das músicas que cantam são anti-cristãs. O que também é revelador é que neste tipo de festas há sempre um orçamento e é possível pagar a esses músicos – e as comissões acham que é justo pagar a esse tipo de bandas – mas quando se trata de bandas cristãs, sentem que devemos trabalhar sem ganhar nada. Nós não queremos ter lucro, mas para lançarmos outro álbum teremos de pagar porque não há editoras que queiram apostar na música cristã…

 

Apesar disso, muitos dos vossos concertos são de cariz solidário, porquê?

Pedro: Nós conseguimos arranjar um formato que agrada às organizações dos eventos beneméritos. Eles financiam a nossa actuação através da venda dos nossos CD’s no evento.

Clara: Além disso, a solidariedade faz parte da nossa missão! Não faria sentido existirmos enquanto grupo se não aceitássemos este tipo de convites! A nossa música é para ajudar e ficamos muito felizes sempre que podemos fazê-lo!

 


Quem são os ‘Laetare’

Aos 28 anos, Clara Raimundo é a vocalista do grupo ‘Laetare’. É da paróquia da Reboleira, mas desde que se casou, no ano passado, que pertence à paróquia de Mafra. Apesar de se sentir “um pouco dividida”, Clara continua a colaborar sobretudo com a paróquia da Reboleira, sendo animadora de um grupo que se prepara para ir às Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid. Já foi catequista, mas antes dos ‘Laetare’ garante que “nunca tinha cantado”. Licenciada em Ciências da Comunicação, Clara Raimundo dirige actualmente as revistas da Disney em Portugal.

Pedro Marques é o guitarrista dos ‘Laetare’. Tem 31 anos e foi também catequista na paróquia da Reboleira. Hoje mora em Telheiras e por isso está menos presente nas actividades da paróquia, onde já foi animador do grupo de jovens. Pertenceu também ao coro da igreja, mas diz que “em condições” toca apenas guitarra, apesar de saber também teclas e bateria. “Já toco guitarra desde os 9 anos. Ofereceram-me uma em pequeno e fui aprendendo. Aliás, lembro-me que na década de 90 houve um certo entusiasmo dos jovens em serem músicos, levávamos as guitarras para a escola e ensinávamos uns aos outros”. Actualmente é consultor de desenvolvimento de software, “o que tem tudo a ver com música…”

 

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Encomendas do CD ‘Ao Teu Sopro’

Online: www.edisal.salesianos.pt ou www.alturl.com/qbemu (link directo)

Telefone: 249534932 (Livraria Canção Nova), envio à cobrança

 

Marcação de espectáculos

Telefone: 918693395

E-mail: laetare.eventos@gmail.com

 

Novidades: www.facebook.com/aosomdelaetare

Escute alguns temas: www.myspace.com/aosomdelaetare

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