Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Editorial: Europa - que futuro?
A União Europeia começou por ser um clube de países unidos por interesses económicos, onde era dado como adquirido um conjunto de dados base: que todos tinham uma história comum que os identificava; que todos tinham, como fruto dessa história comum, um chamado “Estado social” que protegia os respectivos cidadãos como nunca tinha acontecido na história universal; que todos tinham uma série de objectivos de crescimento cultural.

Só faltava a capacidade de gerar um mercado económico que cimentasse todas estas realidades comuns, e que fosse gerador de ainda maior união. O mesmo é dizer: os fundadores da Europa tinham consciência da realidade comum que os juntava – a história europeia marcada de modo indelével pelo cristianismo – e procuraram dar uma nova forma a essa realidade, de modo a ser possível uma maior competição com os outros dois colossos que então marcavam o mundo: os Estados Unidos e a União Soviética.

Só que, em Maio de 1968, todos estes elementos que serviam de base à construção da Europa como nova realidade mundial foram postos em causa. A Europa passou a envergonhar-se do seu passado, quis assumir o pensamento marxista como orientador do seu modo de estar no mundo e, ao mesmo tempo, quis também crescer economicamente, não através do modo marxista de entender a economia, mas através do sistema capitalista – o único a sobreviver aos critérios em vigor a partir da revolução de Paris dos finais dos anos 60, que se foi espalhando um pouco por toda a parte. E foi deste modo, com aquilo a que poderíamos chamar uma “esquizofrenia” (sistema capitalista no que respeita à economia; sistema pró-marxista no que toca aos aspectos sociais, recusando a sua verdadeira identidade) que a União Europeia foi crescendo até chegarmos aos nossos dias, sempre titubeando entre uns e outros, sempre hesitante em saber quem é.

Assumindo a economia como o seu motor, a União Europeia tentou fazer da realidade mais egoísta o ponto de união entre os diferentes Estados membros; recusando a sua história e a realidade que desde há muito a fazia efectivamente unida, recusou igualmente o que poderia fazer coexistir as muitas diversidades que se encontravam (e encontram) no seu seio. Hoje, a União Europeia não sabe para onde ir: conduzida por políticos que estão marcados pelo Maio de 68, usa a economia como motor que, eventualmente, a possa transportar. Só que, com a crise mundial, também esta se encontra em dificuldades.

Será, então, melhor desistir do projecto europeu? Que este projecto europeu, tal como o temos hoje, não tem grandes hipóteses, já todos percebemos. Mas não é dito que sobre um novo modo de entender a Europa, que não se envergonhe do seu passado, e seguro da sua identidade, aquela não tenha futuro.

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