Entrevistas |
Padre Carlos Gonçalves, director do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa: Diocese de Lisboa reestrutura rede de pastoral juvenil
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Um mês após as Jornadas Mundiais da Juventude de Madrid, o director do Serviço da Juventude do Patriarcado de Lisboa, padre Carlos Gonçalves, faz o balanço diocesano do encontro com o Papa. Em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, este responsável lança ainda desafios para o ano pastoral.

Recentemente vivemos as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em Madrid. Que balanço se pode fazer?

É um balanço muito positivo. A Jornada Mundial da Juventude tem sempre muitas consequências positivas, muitos efeitos importantes na vida de quem participa. Da experiência que tenho, uma das notas que sobressai é que os jovens vêm tocados, vêm transformados. É certo que podem dar-se casos contrários, de quem não fez uma experiência profunda, ou viveu a jornada de forma leve. Mas na esmagadora maioria dos casos, os jovens vêm tocados pela JMJ porque se encontraram com Cristo. Daí o nosso balanço ser muito positivo. Por outro lado, também pela nossa participação enquanto serviço diocesano, por toda a preparação feita e por toda a caminhada realizada, e que depois se traduziu na participação dos mais de dois mil jovens de Lisboa na JMJ.

 

O padre Carlos já é um ‘veterano’ nas JMJ. Acompanhou algumas jornadas com João Paulo II, agora com Bento XVI. Que diferenças encontrou nestas jornadas?

Eu participo nas JMJ desde Roma, no ano 2000, e estive em todas até agora. Penso que há aquelas diferenças que se vão percebendo enquanto os Papas são diferentes. E isso também se traduz na participação, na ligação e na empatia com os jovens. São personalidades diferentes e o Papa Bento XVI não pretende imitar João Paulo II. Há, por isso, uma grande continuidade. As jornadas foram inventadas pelo Papa João Paulo II, o que se tornou uma herança para este Papa, e percebe-se que também as deseja, e deseja encontrar-se com os jovens. No entanto há coisas que percebemos que têm origem no feitio límpido e verdadeiro deste Papa. Penso que os jovens percebem que este é o encontro com o Papa. O que marca a juventude!

 

Verifica-se que, com o passar dos anos, as gerações da JMJ são diferentes. Olhando para a juventude de hoje, percebe diferenças no acolhimento dos jovens às jornadas e até ao próprio Papa?

Eu penso que o entusiasmo e a alegria se mantêm. Diria mesmo que provavelmente estão ainda com mais militância. Os jovens vão percebendo que a sociedade e a realidade actual também puxam por uma militância católica da parte deles. E portanto, precisam de marcar, ainda com mais convicção, que são cristãos.

 

Na JMJ, por toda a ambiência criada à sua volta, os jovens vivem momentos que marcam. Como se faz, depois, um pós-jornada?

Há um tipo de crítica que por vezes se ouve que é o de dizer que “a JMJ não passa de um evento efémero e inconsequente”. É um evento juvenil, e até de massas, mas é um evento juvenil de massas católico. E isso faz toda a diferença! Há um antes da jornada, e por isso não é inconsequente. Há uma preparação. E essa preparação também foi realizada entre nós. Isso não elimina a possibilidade de alguém ir apenas para participar num festival de Verão católico, mas percebe-se que as pessoas sabem para o que vão.

Por outro lado, a própria jornada é mais do que a vigília e a missa. Numa semana acontecem muitas coisas: os jovens estão juntos, vivem em comunhão com o seu grupo e de tantos outros de vários lugares esta festa da fé; celebram e rezam diariamente, confessam-se, ouvem catequeses de bispos, participam em encontros, em fóruns e outras iniciativas culturais e musicais; tudo isto é intenso mas é importante pelo pós-jornada.

O Papa nos textos e nas suas intervenções remete muito para a vida eclesial concreta. Na paróquia, o ir à missa ao Domingo, confessar-se frequentemente, rezar, escutar a Palavra. A experiência que tenho tido é de que os jovens vêm marcados pela jornada, e até mais do que eu poderia esperar.

 

O que é que o Serviço Diocesano da Juventude tem programado para a continuidade da JMJ?

Conforme se sabe, a próxima edição internacional da JMJ com o Papa vai ser no Rio de Janeiro, em 2013. É claro que os jovens vieram de Madrid com grande entusiasmo, já a falar do Brasil manifestando vontade de se prepararem para ir. Mas o que nós e outros animadores temos dito é que a JMJ Rio 2013 é já aqui, este ano. É muito importante viver a jornada no dia-a-dia, no normal quotidiano da vida cristã, paroquial, vicarial, diocesana, de movimentos, na realidade de pastoral juvenil que se tem ou que se pretende também construir. Nesse sentido, o Serviço da Juventude tem como primeira opção fazer o que já era costume. Portanto, a continuidade é importante. Consideramos que a pastoral juvenil precisa de perseverança e, sem ter medo da palavra digo mesmo que, precisa de repetição. Normalmente associa-se a pastoral juvenil à criatividade e ao realizar de coisas novas e diferentes. Mas também é importante dizer que há coisas que têm de ser firmes e repetidas, no sentido de que um animador, os jovens, um pároco, um animador vicarial ou o próprio vigário, sabem que o serviço diocesano continua a ter determinadas actividades. E é isso que deve fazer questionar sobre o modo como se aproveita essas iniciativas para a realidade em que se encontram. Nós não vamos reinventar a pastoral juvenil, mas também nem sequer vamos reinventar o quadro de actividades que habitualmente temos. Por outro lado, não podemos desperdiçar este capital de entusiasmo que os jovens trazem. E isso passará por uma reorganização da rede da pastoral juvenil na diocese. Porque há várias vigararias que não tem equipa vicarial, não tem padre assistente da pastoral juvenil, quando deveriam ter. Isto, para que haja um trabalho de missão e de evangelização. Por isso faremos esse trabalho de maior ligação às realidades locais.

 

Como é que vai ser organizada essa rede?

Desde logo temos de ir ter com as pessoas. Não é que não o tenhamos feito até aqui, mas vamos insistir nisso. E depois temos de perceber que necessidades existem, dado que há uma diversidade muito grande nas equipas vicariais. E para cada uma dessas realidades tem de haver ajudas diferentes. Tendo sempre presente que nós não substituímos ninguém! Não será o Serviço Diocesano da Juventude a fazer pastoral juvenil no lugar da paróquia, ou do animador, ou até da vigararia. Mas passará por esta ligação concreta que é também pessoal. Porque é preciso cuidar dos colaboradores. Neste sentido a JMJ foi também muito importante para o serviço diocesano porque nos deu uma radiografia, como nunca tivemos, da pastoral juvenil na nossa Diocese de Lisboa. Não é algo que seja conclusivo, mas dá-nos uma percepção muito grande da realidade.

 

E qual é a imagem dessa radiografia?

Eu gostaria que fosse melhor! Mas penso que é ainda melhor do que muitas vezes se diz. Sobretudo porque se percebe que há jovens! E há jovens a querer mais. Seja a nível individual, seja como grupo. É preciso, por isso, que haja acompanhamento dos jovens porque há muito potencial por onde pegar.

 

O Serviço Diocesano da Juventude tem apostado na formação de animadores. Que balanço faz dessa formação?

Temos de ver duas perspectivas. No final da formação de animadores percebemos que dos que começam não terminam todos. Esta é uma formação de três anos, e por isso mesmo pode levar a essa dificuldade, dada a situação de vida de cada um. Depois, dos que terminam, nem todos vamos encontrar mais tarde à frente de um grupo. Assim, olhando a estes factores, poderíamos ficar desanimados. Mas não ficamos, porque percebemos que há outros benefícios que são muito importantes na pastoral juvenil. Por um lado, há uma ligação mais forte do próprio animador a Cristo e à Igreja. Por outro, há um despertar e uma maior ligação à Diocese.

 

É possível fazer uma pastoral de conjunto com os movimentos?

Sim, claro! É possível, necessário e desejável! O serviço diocesano não se pretende constituir a par ou em paralelo com qualquer outra estrutura, nem impor, porque muitas vezes os próprios movimentos têm os seus programas. É certo que há coisas que são de carácter diocesano, e compete-nos a nós organizá-las. Mas não temos a pretensão de monopolizar, porque o caminho é de conhecimento recíproco. No entanto, há trabalho de comunhão a fazer. Da nossa parte, de reconhecer esta especificidade dos movimentos, e da parte deles, de perceber que o serviço diocesano não é um outro movimento. Nós somos enviados pelo bispo. Somos o ‘staff’ do bispo para a área juvenil.

 

Com que desafios se deparam os jovens actualmente?

A ideia que eu tenho é que os jovens hoje são muito disputados. Pelo que conhecemos da sociedade de hoje, das correntes e ideologias, há muitas correntes que queriam ter a juventude consigo, do seu lado. A acrescer a isso, há o facto de que muitas dessas correntes ideológicas travam combate para que a Igreja Católica perca a juventude. Mas a sede de Deus, a necessidade de Jesus Cristo para as suas vidas é sempre igual. E a proposta da Igreja não é mais uma a par das outras ideologias. A Igreja não é mais um concorrente na disputa do terreno juvenil, porque aí estaríamos a ‘coisificar’ os jovens. Mas percebe-se que os jovens não podem ser ingénuos quanto a isso, quanto às múltiplas ofertas. A Igreja tem um papel muito importante, não só de esclarecer consciências, de alertar para isso e de fazer pensar mas, sobretudo, de propor e apresentar Jesus Cristo como o Caminho, a Verdade e a Vida. E quando isso acontece e os jovens aderem, então fazem-no com muito entusiasmo, alegria, militância, paixão e convicção.

 

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Festival da Canção Cristã evoca JMJ Madrid

O Festival Diocesano da Canção Cristã, que vai decorrer no próximo sábado, 1 de Outubro, no colégio dos Maristas em Carcavelos, vai reviver a Jornada Mundial da Juventude de Madrid, com um programa especial de testemunhos, e partilha de fotos e de vídeos.

Neste festival vão participar as canções vencedoras nos festivais vicariais da Diocese de Lisboa, realizados no decorrer no passado ano pastoral, sob o tema ‘Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé’ (Cl 2,7). A entrada no festival custa 2¤ e os bilhetes podem ser reservados por email para juventude@patriarcado-lisboa.pt ou adquiridos no local no próprio dia.

O site do Patriarcado de Lisboa (www.patriarcado-lisboa.pt) vai transmitir em directo o festival, com uma emissão em formato radiofónico a iniciar pelas 20h30.

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