Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Editorial: Cuidar da família
É óbvio que a família é uma realidade viva, em constante movimento, e que se adapta aos tempos novos.

Da família que quase era sinónimo de “tribo” ou – no nosso caso português – de “aldeia”, em que todos se conheciam e respeitavam, de acordo com os diferentes lugares que cada um ocupava no tecido social, fomos passando (muitas vezes sem dar por isso) à família contemporânea, reduzida ao mínimo de elementos, mas que, apesar de tudo, continua a ser o ponto de referência último, o lugar de abrigo onde procuramos refúgio e segurança, mesmo quando, já adultos, a nossa vida passa, em grande parte, por vários momentos longe daqueles que os laços de sangue nos tornam mais próximos. A sua ausência faz-nos sentir a solidão e, no caso das crianças que ainda estão numa etapa de formação do seu modo de ser, dos seus valores, coloca mesmo em causa aspectos importantes do seu carácter.

É certo que, para os cristãos, o Senhor Jesus apontou uma outra realidade, que ultrapassa as meras relações humanas para tomar como referência o “escutar a Palavra de Deus” e pô-la em prática: é a nova comunidade, a comunidade dos discípulos, a Igreja, que encontra em Jesus o seu centro e que constantemente toma como referência o Pai, cujo amor procura tornar presente.

Não deixa, no entanto, de ser verdade que, ao propor a comunidade eclesial como “a nova família”, onde alguém entra não devido aos laços da natureza mas àqueles que provêm do novo nascimento que é o baptismo, Jesus continua a utilizar a linguagem familiar, alargando assim de um modo quase infinito as nossas relações familiares.

Por outro lado, o mesmo Jesus não deixa de apresentar o grande desafio que se coloca às famílias cristãs: que a realidade sacramental que elas vivem seja capaz de ultrapassar os laços do sangue para se deixar transformar, a própria família, na “Igreja doméstica”, onde somos capazes de perceber e de viver muitos dos traços da vida eclesial. E, então, a família deixa de ser o simples “porto de abrigo” para constituir igualmente o lugar onde podemos quase “tocar o céu”.

É por tudo isto que nós, cristãos, não podemos deixar de cuidar, constantemente e sem desfalecer, da realidade familiar.

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