Perfil |
António Marujo, Jornalista
A ousadia de acreditar que Deus vem a público
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É cristão, é jornalista e não consegue separar estas duas realidades na sua vida. Acompanha o projecto do ‘Público’ desde a fundação (1989), onde trata normalmente os assuntos religiosos. Já editou vários livros, frutos do seu trabalho jornalístico. Ganhou diversos prémios. Acaba de lançar ‘Deus Vem a Público – Entrevistas sobre a transcendência’.

 

De Aveiro a Lisboa

Nasceu no concelho de Águeda e estudou Comunicação Social em Lisboa. A sua vida pessoal e familiar está muito marcada por três anos: celebrou o Matrimónio em 1989 e viu nascer os filhos em 1992 e 1996.

A sua vida pessoal, familiar e profissional foi-se desenvolvendo à luz dos princípios evangélicos em que acredita: “Faço isto porque sou cristão” – confessou! E, ao longo da vida, foi crescendo com compromissos muito efectivos: a Pastoral Juvenil na Diocese de Aveiro, pertença activa ao Movimento Católico de Estudantes (MCE), uma intensa actividade no Movimento por um Mundo Melhor (hoje ‘Serviço de Animação Comunitária’) e, actualmente, o Metanoia – Movimento Católico de Profissionais.

 

Vida de jornalista…

Começou na revista ‘Cáritas’, passou pelo ‘Expresso’ e ‘Diário de Lisboa’ e faz parte do projecto ‘Público’ desde a fundação em 1989. Por convicção e porque começou a tratar assuntos religiosos, foi esta a especialidade que lhe foi confiada no ‘Público’. Todos nos habituámos às suas reportagens, entrevistas, crónicas e notícias onde ‘Deus’ está presente e citado na praça pública: “Sinto-me a tratar uma questão que é muito importante para a vida de muitas pessoas, tão importante como a economia, a saúde ou a política”. A questão religiosa tem uma dimensão comunitária e institucional e, por isso, aparece muitas vezes nos media. Às vezes de forma negativa, outras benéfica. Marujo considera que a Religião é uma questão decisiva para a busca do sentido da vida das pessoas. Acha que nunca houve tanto espaço nos media em Portugal para o Religioso. Mas há perigos que espreitam, pois a crise económica leva a reduzir os custos, a diminuir as pessoas nas redacções e a optar por escrever sobre coisas consideradas mais importantes: economia, política e desporto. Aí a Religião pode sofrer.

As relações entre os jornalistas e as entidades Religiosas têm sido, regra geral, marcadas por desconhecimento e preconceito, de parte a parte. E quem está no meio do fogo sofre as consequências porque é, muitas vezes, mal visto por pessoas de ambos os lados desta ‘trincheira’.

 

Do Jornal para o Livro

António Marujo foi publicando em livro algumas reportagens (‘Vidas de Deus na terra dos homens’ (1999) – sobre a Vida Consagrada) e entrevistas (‘Deus vem a Público’ (2011)): “Estes dois géneros maiores do jornalismo permitem aprofundar e dar voz a gente que tem muito a contar ao mundo de hoje”. O livro sobre a Vida Consagrada mostra pessoas com outra maneira de estar na sociedade. Há uma outra lógica de viver diferente do discurso dominante em que parece que a felicidade e salvação vêm só da economia e das finanças.

Pelo meio, apareceram obras de referência sobre João Paulo II (‘Um Papa entre dois séculos’) e Bento XVI (‘Um Papa (in)esperado’). Venceu diversos prémios, entre os quais o Prémio de Jornalismo Religioso na imprensa não-confessional, instituído pela Fundação Templeton e pela Conferência das Igrejas Europeias.

 

‘Deus vem a Público’

‘Deus vem a Público’ colige entrevistas sobre a transcendência: “Boa parte delas falam de uma questão essencial: estão a roubar-nos a democracia e temos que lutar para evitar esse assalto. Os povos ocidentais parece que não encontraram ainda uma forma de colocar a política no centro das decisões colectivas. Esta transcendência tem a ver com a nossa imanência, pois Deus está no meio da vida das pessoas”.

 

Convicções profundas

António Marujo diz que aprofunda assuntos religiosos por ser cristão: “Sinto que a Fé é um mistério e uma experiência fantástica que nos provoca grandes desafios. Aprendi muitas destas coisas em experiências concretas dentro da Igreja Católica”.

Termina com duas convicções: O Concílio Vaticano II (1962-65) é um marco decisivo na mudança de paradigma do catolicismo contemporâneo e na forma dos cristãos se posicionarem na sociedade; há muito por fazer nas responsabilidades a atribuir aos leigos, a começar pelos meios de comunicação social da Igreja.

 

 

PERFIL

 

1961 – Nascimento em Águeda

1987 – Licenciatura de Comunicação Social em Lisboa

1986 – Jornalista no Expresso

1989 – Matrimónio em Sintra

1989 – Jornalista no Público

1992 e 1996 – Nascimento dos filhos

1999 – Publicação de ‘Vidas de Deus na Terra dos Homens’

1995 e 2006 – Prémio da Fundação Templeton

2011 – Publicação de ‘Deus vem a Público’

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