Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Anunciar aos quatro ventos

Enquanto alguns discutem se devem ou não manter secretas as suas obediências, os cristãos não podem deixar de proclamar a sua condição aos quatro ventos. Aliás, não deixa de ser interessante que é precisamente o facto de reivindicarmos a possibilidade de falar e aparecer publicamente, sem permanecermos fechados nas sacristias ou no segredo das consciências, que incomoda a muitos, e que nos querem proibir.

Somos cristãos, gostamos de o ser, e isso é para nós, não matéria de orgulho, julgando-nos melhores que os outros, mas missão de que não podemos deixar de dar testemunho. Com efeito, ser cristão não é simplesmente uma realidade privada e íntima, mas algo que, transformando o nosso ser, não pode deixar de aparecer diante de todos, com ousadia.

É certo que muito da relação do crente com Deus se passa no segredo da consciência. Muitos dramas, muitos momentos importantes, mesmo decisivos, constituem realidades que são difíceis – por vezes mesmo impossíveis – de transmitir por meio das simples palavras humanas. É certo que não cabe a quem quer que seja julgar da recta intenção de alguém; é verdade que o Senhor Jesus nos previne contra a tentação de rezar para sermos apenas vistos pelos homens e não pelo Pai “que vê no segredo”.

Mas, ao mesmo tempo, o mesmo Senhor que nos acautela disso, diz aos seus discípulos que eles são a luz do mundo, que “não se acende a candeia para ser colocada debaixo do alqueire, mas no candelabro para iluminar todos os que estão em casa”. E acrescenta: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as boas obras e glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,14-16). Deste modo, as obras que correspondem publicamente à fé, são nossas; mas os louvores que as obras causam devem ser endereçados a Deus e não aos cristãos.

A falta do testemunho cristão, não apenas por meio de palavras mas também em gestos para com o próximo e mesmo em atitudes públicas, constitui, aliás, uma das infelizes características que marcam o modo contemporâneo de ser cristão.

Quando algum cristão tem a ousadia de proclamar a sua condição, logo surgem medos, julgando que queremos obrigar a todos a serem como nós. Nada disso. Ser cristão é fruto sempre de uma atitude livre, de quem livremente quer viver com Deus. Mas essa liberdade, que nos preenche o coração e dá sentido à vida, não a podemos silenciar. Aliás, isso mesmo nos mandou o Senhor Jesus. Nem se trata, sequer, de matéria opcional no ser do cristão. Pelo contrário.

Não queremos obrigar ninguém a ser cristão. Mas não podemos deixar de dizer a todos que ficaríamos muito felizes se o fossem. E, aliás, tenho a certeza de que também eles perceberiam nessa conversão o segredo da sua existência, e de que, então, compreenderiam como é libertador e humanizante deixar de obedecer aos segredos humanos para só obedecer ao Deus Criador e Redentor de tudo o que existe. E não deixariam de, também eles, querer gritar isso aos quatro ventos.

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