Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Acontecimento vivido, percebido e anunciado

Em nenhum outro lugar como na Terra Santa percebemos que o Evangelho, longe de ser um conjunto de narrações moralizadoras, constitui o anúncio de um acontecimento. Nos lugares que Jesus pisou, nos caminhos que percorreu anunciando a Boa Nova e fazendo milagres, percebemos que o importante do cristianismo não consiste numa série de reflexões ou pensamentos, mas num novo modo de ser, de existir – aquele que o Ressuscitado fez viver aos seus discípulos e que eles levaram até aos confins do mundo: uma nova criatura que começa a nascer no ser humano quando este se deixa encontrar por Cristo e transformar por Ele.

Ao longo de toda a Semana de Páscoa, tive a graça de participar num encontro de Bispos em cujas dioceses existem os Seminários "Redemptoris Mater", orientados pelo Caminho Neocatecumenal (ao todo 86 espalhados pelo mundo inteiro) com os seus respectivos superiores, e que teve lugar na Terra Santa.

Para além do que foram os resultados dos encontros, e da rica troca de experiências entre os participantes, marcou-me de um modo particular o dia em que nos foi dada a oportunidade de celebrar a Eucaristia no Santo Cenáculo de Jerusalém. Ali, naquele lugar onde Jesus celebrou com os seus a Última Ceia, onde se deu a primeira aparição do Ressuscitado no meio dos Apóstolos e a descida do Espírito Santo, escutámos a proclamação da leitura evangélica do dia: a narração do momento em que os Onze, cheios de medo dos Judeus, viram o Ressuscitado que, ultrapassando as dificuldades das barreiras físicas, apareceu no meio dos seus e os enviou pelo mundo inteiro (Lc 24,35-48). As palavras do Senhor, presente no meio daquele grupo de sucessores dos Apóstolos através da Sagrada Escritura e da Eucaristia, ganharam um novo significado, uma vida bem concreta.

Mais do que nunca ficou gravado no meu espírito que o cristianismo – e muito menos a Ressurreição de Jesus – não pode nunca ser algo de exclusivamente espiritual. Enganam-se aqueles que pensam que a vida cristã tem apenas a ver com a vida interior e de cada um. Hoje, como há dois mil anos, ou o cristianismo se torna existência, acontecimento vivido, percebido e anunciado, ou não passa de mais uma ideologia edificante entre tantas outras que, como elas, fará eventualmente, apelo a sermos melhores, mas que termina (como as outras) por pouco ou nada mudar na vida do crente e no mundo que o rodeia.

Pelo contrário, foi a possibilidade da verdadeira transformação do ser humano que Jesus enviou os seus a proclamar, e que hoje, na alegria e na certeza da Páscoa, somos convidados a viver.

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