Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Semeadores de eternidade

Temos óbvias dificuldades em falar acerca dos anjos. No nosso imaginário não deixam de estar presentes as figuras das “inocentes criancinhas” que, de mãos postas, asas brancas e resplendores, acompanham as procissões das nossas cidades e aldeias; ou, então, as figuras que povoam as paredes e os tectos das nossas igrejas, seres mais ou menos “rechonchudos” e pouco (ou nada) terrestres. Esquecemo-nos que o ser dos anjos é, acima de tudo, determinado pela missão que o próprio Deus lhes confia.

Não deixa de ser interessante o modo como S. Lucas, nos Actos dos Apóstolos, descreve a figura do primeiro mártir, S. Estêvão, momentos antes de ser submetido ao martírio: “o seu rosto – diz o evangelista – parecia o rosto de um anjo” (Lc 6,15).

Talvez devamos, neste caso, ultrapassar aquilo que é o imaginário colectivo acerca das personagens dos anjos, em favor de uma outra realidade: do ser cristão, do facto de vivermos quotidianamente com o Ressuscitado, de aceitarmos a Sua presença ao nosso lado em cada momento da nossa existência, não pode deixar de surgir, para todos, uma missão – que não é simplesmente fruto do nosso querer, dos nossos desejos, mas antes a consequência do nosso viver como cristãos: também nós, tal como Estêvão, não podemos deixar de transparecer, para todos, esta companhia com o Ressuscitado.

É óbvio que o facto de sermos cristãos nos traz consequências não apenas teóricas (no modo de pensar) como também práticas (no modo de viver e de agir, no modo de ser). Mas, para além destas consequências na vida de cada um, não podemos ignorar que o facto de sermos cristãos traz igualmente consigo consequências no modo como os outros nos olham e o que significamos para eles. Olhando para nós, eles hão-de descobrir que vivemos com Deus; hão-de descobrir Deus que, por nosso intermédio, se torna próximo de cada um. E esta é uma missão que o próprio Deus nos confere. Não se trata, obviamente, de realizarmos gestos extraordinários ou de proferir palavras pouco vulgares, mas de, no quotidiano, espalharmos aquelas “sementes de eternidade” que marcam o nosso viver com o Ressuscitado.

Realizar esta missão não faz de nós “seres angélicos” e abandonar a verdade de sermos humanos. Mas, tal como com S. Estêvão, transforma de tal modo o nosso ser que S. Lucas não hesita em compará-lo àqueles que Deus envia para dar a conhecer aos homens uma novidade importante ou para os convidar a desempenhar uma tarefa essencial na história da salvação.

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