Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Esquecemo-nos da família

Quando falamos em saída para a crise, raramente nos lembramos da família. E, desgraçadamente, a crise da família é uma das características que marcam o mundo ocidental contemporâneo, e que marca a presente crise.

Hoje é visto como algo fora do comum que alguém permaneça casado por mais de 3 ou 4 anos. Depois de um dia encenado como um conto de Walt Disney, ou capaz de ser transmitido por qualquer cadeia de televisão como se fosse um casamento real, tudo regressa à vida quotidiana: a paixão dá lugar ao egoísmo (aliás este, a ver bem, esteve sempre presente, só que disfarçado), e aparece a incapacidade humana de perdão e de construção de uma realidade em comum e com Deus.

Deus, aliás, serviu apenas como mais um actor no meio daquele dia de encenação que, apesar de tudo, ficará gravado na memória de muitos, por bons ou maus motivos. As palavras pronunciadas diante d’Ele e a manifestação da vontade de cada um dos cônjuges como querendo realizar um acto válido “para sempre”, que Deus abençoou e com o qual o próprio Deus se empenhou, essas ficaram, passado pouco tempo, reduzidas a sons, habitualmente mal pronunciados, tal é o nervosismo ou a falta de convicção no momento…

O facto é que aquela realidade que constituía o pano de fundo de qualquer vida humana, o lugar seguro onde era sempre possível regressar e que nos apoiava nas necessidades, nos momentos de tristeza e solidão, quando todos nos pareciam esquecer ou olhar de lado, e que partilhava igualmente das nossas alegrias e sucessos, desapareceu em grande parte. Hoje, mais do que nunca, o ser humano vive solitariamente, entregue a si mesmo, sem amarras a que se possa segurar (a não ser as de uma eventual história de família que lhe contaram em criança, mas que lhe parece tão distante quanto inverosímil), e sem lugar onde colocar os alicerces do futuro. Vai navegando à vista, tentando manter-se à tona de água, ora pendendo para um lado, ora para o outro…

É certo que a família nunca esteve isenta de problemas e de crises. Mas, por entre eles, sempre se procurava um rumo, uma saída, com o contributo de todos.

Desde sempre, a família tem estado no centro do agir e do pensamento dos cristãos. Mas hoje, mais do que nunca, ela precisa de ser apoiada, acarinhada, ajudada. Graças a Deus, muitas são ainda as verdadeiras famílias – e constituem um tesouro para todos: para os seus membros, para a Igreja, para a sociedade. Conheço bem o quanto pais, filhos, outros familiares e amigos labutam e rezam diariamente para que cada uma destas famílias seja o que é.

É por isso que não podemos deixar de fazer tudo o que se encontra ao nosso alcance para que as verdadeiras famílias perseverem no que são, mas também para que o seu número seja multiplicado.

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