Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Ao lado dos nossos contemporâneos

"Não existe homem ou mulher que, na sua vida, não se encontre como a samaritana (Jo 4,5-42), junto a um poço, com uma bilha vazia, na esperança de encontrar resposta para o desejo mais profundo do coração, o único a poder dar significado pleno à existência. Muitos são hoje os poços que procuram matar a sede ao homem; mas é necessário discernir, para evitar desilusões que podem ser ruinosas". É com estas palavras que o Sínodo dos Bispos, encerrado no passado Domingo em Roma pelo Papa Bento XVI, começa a sua mensagem dirigida a toda a Igreja.

Usando a figura da Samaritana que se caminha até ao poço à procura de água, mas que, efectivamente, levava consigo a sede do sentido para toda a existência, os participantes no Sínodo sobre a Nova Evangelização convidam todos os cristãos a perceber que não se trata, simplesmente, de nos colocarmos, nós, pretensamente evangelizados, diante de um mundo que voltou as costas ao Evangelho que lhe tinha outrora dado vida e civilização; pelo contrário, como todos os seres humanos, também nós, cristãos, vivemos a sede de sentido que apenas Jesus Cristo é capaz de colmatar. Também a nós se dirige o Evangelho; também nós precisamos que, em cada dia que passa, Cristo nos dê o renovado sentido da existência, que apenas Ele é capaz de oferecer.

Por outro lado, importa igualmente darmo-nos conta de que, hoje, neste nosso mundo não ressoa apenas o anúncio de Jesus Cristo. Ao homem contemporâneo são apresentadas muitas propostas de salvação: fugazes, sem sentido e sem caminho, ou (muitas delas) cheias de boas intenções, porventura até com alguns aspectos da verdade. E outras simplesmente falsas, a terminar em verdadeiros becos sem saída. Contudo, muitos são os que nelas embarcam e que, depois, desiludidos, se deixam adormecer na procura de um sentido para a vida, na busca da verdade com entusiasmo.

É por isso que não basta anunciar, nem anunciar como franco-atirador. Importa que o anúncio seja credível: que mostre – tal como sucedeu com a Samaritana – que apenas em Jesus se resolve verdadeiramente o mistério do homem. Que em nós, esse encontro com o Senhor mudou a nossa vida e que esse não nos transformou em extra-terrestres, mas – pelo contrário – nos deu a ousadia de nos sentarmos ao lado dos nossos contemporâneos para lhes propor que também eles se disponham à aventura da fé. E que não o fazemos isoladamente mas que, tal como nós, também muitos outros, reunidos pelo Ressuscitado na sua Igreja, não se envergonham de ser, em cada dia que passa, a presença de Cristo, ao lado e no seio do mundo. É, como afirmam igualmente os Padres sinodais, “a Igreja que, como Jesus no poço de Sicar, experimenta a necessidade de se sentar ao lado dos homens e mulheres deste tempo”.

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