Domingo |
À procura da Palavra
De cabeça levantada

DOMINGO I DO ADVENTO Ano B

 

"Quando estas coisas começarem a acontecer,

erguei-vos e levantai a cabeça."

Lc 21, 28

 

Nestes campos desertos da Beira interior descobrem-se, por entre as silvas, medronheiros carregados de frutos vermelhos que ninguém apanha. São símbolo de uma natureza que é pródiga e abundante mas de quem nos distanciamos. Aprendi com o senhor José que as flores com que muitos deles deles se vestem são já a promessa dos frutos do próximo ano. Terrível a distância com as nossas vidas tão cheias de incertezas e de promessas vagas e  pouco credíveis de que vamos vencer a crise! Mas a natureza ensina-nos a viver em tensão: cada dia vale por si e o futuro faz-se com a fidelidade ao presente, com a entrega total àquilo que se é já e que se é chamado a ser.

As convulsões cósmicas que Jesus anuncia não são para "meter medo". Seria uma contradição à relação livre e amorosa que Deus nos propõe. Falam de fim e de transformação pois esse é o ritmo da vida. Só permanece o essencial e torna-se, então, necessário viver de "cabeça levantada". Quem abaixa a cabeça não vê os sinais, não detecta a esperança, desiste antes de sequer tentar. Instala-se e faz da rotina uma prisão que até pode ser dourada  mas atrofia as asas ganha medo de as abrir. É este o perigo de pessoas e instituições que se instalam e não se recriam, a quem "baste o que lhe basta / o bastante de lhe bastar", nas palavras cortantes de Fernando Pessoa. Só quem vive de cabeça levantada reconhecerá o Filho do homem vir sobre as nuvens, e antes, vê-l'O-á, nos olhos e nos gestos de quem reclama justiça, de quem constrói a paz que luta contra o mal, de quem se indigna com presentes amordaçados e futuros escravizados.

Jesus abre-nos o advento sem "rodriguinhos" nem melopeias natalícias. Alerta para o fim do que julgamos estável e eterno (as seguranças, os méritos, os "tachos" de toda a espécie e feitio, os "créditos sacramentais") e pede para olhar a vida de frente. Abana as consciências e reclama um viver autêntico e não estúpido, sem cair no facilitismo nem no excesso, sem deixar que os corações "se tornem pesados". Porque a vida não se repete, nem o advento nem o Natal merecem rotina ou comparações. São para também viver em tensão, na delicadeza de dar flores que serão frutos daqui a muito tempo, na coragem da indignação que também é esperança. Bem diz um amigo meu que a sua tensão alta não se cura só com medicamentos, porque o que ele tem é "alta tensão". E a "alta tensão" do evangelho não desgasta o coração, antes o fortalece, porque é viver em cheio o dinamismo de Cristo, atento e aberto, solícito e simples, gozozo e confiante, e sempre, de cabeça levantada!

P. Vítor Gonçalves
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