Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Um roteiro para a paz

A recente mensagem do Papa Bento XVI para o 46º Dia Mundial da Paz constitui um texto que ultrapassa os meros ideais e utopias, para constituir um autêntico “roteiro para a paz”, que vale a pena revisitar.

Depois de mostrar as realidades positivas e construtoras de paz, e de como aqueles que constroem a paz já vivem, no presente, a bem-aventurança que será plena no Reino de Deus, o Papa não deixa de denunciar, no meio de uma sociedade que diz desejar a paz, as contradições em que cai, propondo e procurando uma paz que não pode deixar de ser ilusória. É o que acontece com o esquecimento de Deus e, com ele, o esquecimento de que somos uma única família humana; com os ataques constantes à vida em todas as suas dimensões: desde o aborto, à recusa da estrutura natural do matrimónio como união entre um homem e uma mulher; com a intolerância religiosa; com “a convicção de que o crescimento económico se deve conseguir mesmo à custa da erosão da função social do Estado e das redes de solidariedade da sociedade civil, bem como dos direitos e deveres sociais”.

É por isso que Bento XVI propõe um novo modelo de desenvolvimento e economia: “Olhando numa outra perspetiva, o sucesso verdadeiro e duradouro pode ser obtido com a dádiva de si mesmo, dos seus dotes intelectuais, da própria capacidade de iniciativa, já que o desenvolvimento económico sustentável, isto é, autenticamente humano, tem necessidade do princípio da gratuidade como expressão de fraternidade e da lógica do dom”.

Para isso, o Papa apresenta uma “pedagogia para a paz” assente em quatro etapas: em primeiro lugar, “uma vida interior rica”, quer dizer, o constante desenvolvimento do homem interior, dos seus valores e da sua referência a Deus. Em segundo lugar, a adoção de “referências morais claras e válidas”, em vez do relativismo e do subjetivismo moral. Em terceiro lugar, a “adoção de atitudes e estilos de vida adequados”, que não se limitem a fazer da paz um desejo inalcançável mas se traduza em vida concreta. E, finalmente, uma “pedagogia do perdão: “o mal vence-se com o bem, e a justiça deve ser procurada imitando a Deus Pai que ama todos os seus filhos (cf. Mt 5, 21-48). É um trabalho lento, porque supõe uma evolução espiritual, uma educação para os valores mais altos, uma visão nova da história humana. É preciso renunciar à paz falsa, que prometem os ídolos deste mundo, e aos perigos que a acompanham; refiro-me à paz que torna as consciências cada vez mais insensíveis, que leva a fechar-se em si mesmo, a uma existência atrofiada vivida na indiferença. Ao contrário, a pedagogia da paz implica serviço, compaixão, solidariedade, coragem e perseverança”.

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