Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
(In)tolerância

"Quem vive e anuncia a fé da Igreja não está, em muitos aspetos, em conformidade com as opiniões dominantes precisamente no nosso tempo. O agnosticismo, hoje largamente imperante, tem os seus dogmas e é extremamente intolerante com tudo o que o põe em questão, ou põe em questão os seus critérios": estas são palavras do Santo Padre Bento XVI, pronunciadas durante a homilia do passado Domingo, solenidade da Epifania do Senhor.

Com efeito, por baixo de um manto de "tolerância", de quem acha que tudo vale e que tudo pode ser colocado em causa, até mesmo corroído, esconde-se, nesta nossa sociedade contemporânea, uma atitude de intolerância e de incapacidade para aceitar quem discorda do que se convencionou ser o correto. E não são apenas as ideias diferentes a serem alvo de ironias e de classificações menos tolerantes. São as próprias pessoas a serem, não raras vezes, escorraçadas e ridicularizadas, simplesmente porque não pensam, não vivem, não atuam como a comunicação social e os intelectuais "bem-pensantes" desejam.

É certo que não são apenas os cristãos a sofrerem essa atitude de intolerância. Mas ela mostra-se particularmente aguda quando a enfrentar os preconceitos sociais é alguém que se afirma publicamente como cristão. Sem realizar uma perseguição clara, como acontece noutros cantos do planeta (desfazer-se-ia a aparente tolerância), o mundo ocidental contemporâneo nem sequer se dá ao trabalho de procurar entender a fé e as suas expressões, colocando a possibilidade da sua verdade. Simplesmente recusa-as à partida, e marginaliza aqueles que as professam. Vive voltado para si.

É por isso que é importante mostrar-lhe que existem outros horizontes; que existe a possibilidade de um verdadeiro sentido da existência; que Deus não é uma hipótese longínqua, com que não vale a pena contar, mas Alguém que não desiste de cada ser humano.

Afirmar-se publicamente como cristão não é um desafio, um afrontamento pelo gosto da discussão e do choque. É, simplesmente, o fruto de uma natural afirmação de fé, sem complexos. Porque a fé cristã, longe de ser qualquer coisa que possamos ignorar, faz antes parte da nossa identidade de seres humanos.

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