Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Relativismo

Nas suas diferentes intervenções, o Santo Padre tem, ultimamente, chamado a atenção para o relativismo que não apenas tomou conta do nosso viver quotidiano, como (igualmente) do modo como encaramos as questões mais fundamentais da nossa existência.

Trata-se de olharmos todas as realidades como equivalentes, consoante a sua conveniência em relação à situação que vivemos num determinado momento. Bem e mal deixaram de se distinguir de um modo objetivo: aquilo que agora considero bem porque me ajuda a resolver um problema que estou a viver, amanhã posso considerar mal, porque, entretanto, assim me convém.

O relativismo desde há muito que encontrou o seu lugar principal na política entre Estados. Assim, um Estado é aliado de outro até ao momento em que este sirva os seus interesses, para (logo depois) ser considerado inimigo se tal for conveniente ao primeiro.

Mas aquilo que, infelizmente, tem sido tolerado nas relações entre Estados, porque não existe nenhuma realidade acima dos mesmos que possa funcionar como “moralizadora” das suas relações, passou a ser vivido pelas próprias pessoas nas diferentes relações sociais.

Tudo gira à volta do “eu” – e não apenas dos seus interesses duradoiros, como sobretudo dos “gostos do momento”: aquilo que me faz sentir bem, aquilo que me agrada, aquilo que me serve neste momento para atingir os meus objetivos é tomado como um bem, e como realidade completamente justificável; aquilo que possa, eventualmente, opor-se a todos estes sentimentos e vontades, tomado como um mal. De pouco importam os outros, e de pouco importa a própria pessoa, tomada não só na sua realidade do momento como também enquanto alguém que se constrói ao longo da própria vida; de pouco importa o próprio Deus e a sua condição de Criador. O mesmo é dizer: de pouco importa a verdade daquilo que sou, daquilo que os outros e o mundo são (aliás, facilmente se confunde verdade com sinceridade, e esquecemos que podemos estar a ser sinceros e, simultaneamente, a cair num grande erro).

Diferente é a nossa condição de “peregrinos da verdade”, que marca qualquer ser humano de forma indelével: em cada momento procuro viver não de acordo com os gostos do instante mas em função daquilo que sou e daquilo que sou chamado a ser. Existe a Verdade que faz a diferença entre o bem e o mal, a justiça e a injustiça, para além daquilo que agora me agrada ou me parece ser conveniente. E esta é uma realidade que não depende de mim, do que penso e sinto, mas que sou, em última análise, convidado a viver por Deus que, em cada instante me cria e me chama a ser cada vez mais. Só essa acolhendo esta realidade objetiva da Verdade sou capaz de perceber como sou “peregrino” de uma realidade maior. Vivendo no relativismo, nunca deixarei de ser o que já sou: alguém incapaz de caminhar. Esse é, em grande parte, o drama do homem contemporâneo e do nosso mundo ocidental.

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