Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Quando Deus chama

Não sou daqueles que pensam que Deus tenha deixado de chamar. Ao contrário, estou plenamente convencido de que, em muitos casos, O temos deixado de escutar. E não se trata, simplesmente, de uma soma de atitudes individuais, de acasos ao lado uns dos outros que, depois, convirjam numa atitude mais ou menos comum.

Não: a questão é bem mais grave e profunda. Trata-se antes de uma atitude assumida, tornada "cultura eclesial" desde há já alguns anos, mesmo decénios, e que consiste num otimismo acerca das capacidades humanas – e, consequentemente, das capacidades dos cristãos: tudo parece sermos capazes de fazer, de resolver sem Deus. O cristianismo ficou reduzido a um "agir solidário"; e, para usar palavras sobejamente divulgadas do Papa Francisco, muitas comunidades foram-se transformado numa "ONG piedosa".

Isto, teoricamente, não significa que tenhamos deixado de acreditar na existência de Deus; não significa que não tenhamos continuado a tomar Jesus como "exemplo" e "ideal". Mas deixámo-lo bem longe, lá nas profundezas da história e do tempo, como se Ele se resumisse ao papel de "inspirador" do nosso modo de pensar, das nossas atitudes, para, depois, cada um as interpretar ao seu gosto, e fazer do Evangelho apenas uma "fonte" ideal para a nossa vida quotidiana. Bastam alguns minutos de diálogo com os jovens que se apresentam para receber o sacramento do Crisma para nos darmos conta desta situação; esse é o modo como os ensinam a serem cristãos.

Ao contrário, ser cristão parte sempre de uma atitude primeira: escutar. Ser cristão, não é, absolutamente, fazer parte de um partido, de um grupo ideológico, onde se assumem um conjunto de ideias que, depois, interpretamos a nosso belo prazer. Ser cristão é depender, constantemente de Cristo, Filho de Deus. É deixar que seja Ele a viver em nós e a determinar o que pensamos, o que fazemos, o que somos; a dar-nos forma.

De há alguns tempos a esta parte, tornou-se evidente a necessidade de reforçar a pastoral vocacional das nossas dioceses. Começámos a perceber que, sem Cristo e a sua presença sacramental, a vida cristã se esvaía, tornava-se uma moda passageira. Mas como é possível que algum jovem oiça o apelo de Deus se, para ele, ser cristão não começa por esta atitude de quem escuta e está disponível?

Quando Deus chama, é importante que alguém escute. E o problema não é, absolutamente, de Deus.

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