Ano da Fé |
Beata Jacinta Marto (1910-1920)
Sofrer pela conversão dos pecadores
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Ao contrário do irmão, Jacinta era expansiva, amiga de folguedos e cantares. Transformada pela experiência das aparições, Jacinta revela-se uma vocação de reparação pelos pecados do mundo. É-lhe dada a percepção do sofrimento da Igreja e do Papa. A pneumónica causou-lhe sofrimentos atrozes: transferida para o Hospital de D. Estefânia, em Lisboa, foi nesta cidade que Jacinta morreu, como lhe tinha sido revelado: «Disse-me [a Senhora] que ia para um hospital, que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação pelos pecados (…)».

 

A biografia de Jacinta de Jesus Marto, uma breve vida de dez anos rapidamente percorridos, é suficientemente conhecida: nasceu em Aljustrel, numa família de camponeses, pobre e profundamente cristã, e mal saía da primeira infância quando teve as visões do Anjo e, depois, de Nossa Senhora. E aquela menina de seis anos, voluntariosa, amiga de folguedos e que facilmente amuava quando as coisas não lhe corriam a gosto, transformou-se, durante e depois das aparições, numa pessoa adulta, adquiriu a maturidade espiritual dos santos, que sua prima e confidente Lúcia assim sintetiza: «Jacinta foi (…) aquela a quem a Santíssima Virgem comunicou maior abundância de graças, conhecimento de Deus e da virtude... Tinha um porte sempre sério, modesto e amável, que parecia traduzir a presença de Deus em todos os seus actos, próprio de pessoas já avançadas em idade e de grande virtude... Ela era criança só de anos». Sentiu-se especialmente tocada a entregar a sua vida pela Igreja («Eu vi o Santo Padre em uma casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-lhe pedras (…). Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por Ele. »), e pelo mistério da reparação, actuado numa imolação diária e constante. É aqui que Lisboa entra na vida de Jacinta. Visitada por Nossa Senhora em 1918, no meio dos tormentos da pneumónica, confia à Lúcia: «Disse-me que vou para Lisboa, para outro hospital (…), que, depois de sofrer muito, morro sozinha, mas que não tenha medo; que me vai lá Ela buscar para o Céu». Assim foi. Levada para Lisboa, de 21 de Janeiro a 2 de Fevereiro de 1920 esperou pelo internamento hospedada no Orfanato da Estrela, de Madre Godinho, a “Madrinha de Lisboa”. Operada no Hospital de D. Estefânia, sucumbiu à pneumónica no dia 20 de Fevereiro de 1920. O Orfanato onde Jacinta viveu 13 dias é hoje o Mosteiro do Imaculado Coração de Maria, das Irmãs Clarissas, na Rua da Estrela, nº 17. Ali se conserva o “Quarto da Jacinta” com algumas relíquias da pequena vidente. Do Hospital de D. Estefânia o corpo seguiu para a igreja paroquial dos Anjos, onde foi velado. Ali esteve o corpo de Jacinta três dias, enquanto o Cónego Formigão procedia às diligências do enterro. Que partiu no dia 24 de Fevereiro para Ourém, pois, a pedido do P. Formigão, o Barão de Alvaiázere cedeu o seu jazigo de família. Uma das quatro senhoras que velaram o corpo de Jacinta testemunhou «que o aroma exalado pelo corpo, no acto do encerramento, era agradável como o de flores, facto muito estranho, atendendo à natureza purulenta da doença e ao largo período de tempo que esteve insepulto” (“Voz da Fátima”, 13 de Janeiro de 1934, p. 4). Jacinta foi beatificada, com seu irmão Francisco, a 13 de Maio de 2000 pelo Papa João Paulo II, na Cova da Iria.

texto por Alberto Júlio
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