Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Que escola queremos ter?

A questão da escola é tudo menos menor.

Desde há várias décadas, ela tem surgido na Comunicação Social essencialmente como o palco de confrontos entre docentes e Ministério da Educação: deve ou não a escola - e em particular a escola estatal - garantir aos docentes um lugar de trabalho? Deve ou não garantir-lhes determinadas condições de trabalho? E por aí adiante. A escola aparece, nas notícias que chegam a nossas casas, como o lugar de trabalho dos professores; o Estado como a garantia do seu emprego, como entidade patronal ou como entidade reguladora do modo como se desenvolve e é paga a sua atividade laboral. Tal como acontece noutras áreas da administração pública ou noutras empresas onde greves e lutas laborais se têm sucedido, assim a escola é tratada como mais um dos lugares de conflitos laborais constantes e mediáticos.

Certamente: os professores têm, como todos os demais trabalhadores, direitos e deveres, entre os quais figura o direito à greve e à defesa das suas condições de trabalho.

Contudo, não deixa de ser significativo que, habitualmente, se trate a questão da escola como um lugar ao lado de tantos outros onde os conflitos laborais são constantes.

Tudo começa por nos devermos interrogar sobre o porquê dessa conflituosidade permanente. Mas, depois, não podemos deixar também de nos questionar sobre se a escola é, verdadeiramente, um simples e comum lugar de trabalho, como os demais.

É que a questão da escola, de facto, vai muito mais longe: ao lado de outras (poucas) instituições, como é o caso da família, é na escola que se forma o modo de pensar e de viver do nosso mundo. A escola e a educação que ela proporciona (ou não) configuram - hoje mais do que nunca - o modo de alguém se colocar perante a vida e perante a sociedade em que vive; os princípios sobre os quais assenta a sua existência; as metas que cada um se coloca como pessoa e como nação; os modos de atingir esses objetivos - o mesmo é dizer: os princípios e o modo como cada pessoa e cada sociedade os vai colocar em prática e pelos quais orienta toda a sua vida.

Foi por isso que, quando o Estado se quis tornar no educador do modo de pensar e de ser dos cidadãos (em particular o Estado absolutista e totalitário) não hesitou em impedir a liberdade de ensino e que outros modos de ser e de pensar pudessem estar presentes na escola.

Mas todas estas questões deixaram de constituir objeto de discussão pública. Apenas somos convidados a ter opiniões sobre greves e lutas sindicais, reivindicações e condições de trabalho. Porque será?

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