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JMJ
A Revolução do Papa Francisco
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Conta-se que quando o Papa João Paulo II partilhou com os seus colaboradores mais próximos a intenção de se organizar regularmente uma edição internacional do Dia Mundial da Juventude, este mesmo já uma inspiração de Karol Wojtyla, de maneira que se juntassem ao Papa em determinada Diocese do mundo todos os jovens católicos (e não só), que pudessem deslocar-se, recebeu um acolhimento meio desconfiado e desanimador: que os jovens já não estavam com a Igreja, que seria certamente um fiasco, que mais valia nem sequer tentar. Depois de todos estes anos, de tantas JMJ, da variedade de dioceses (países) acolhedores, depois de contar já três Papas nesta aventura, dá vontade de dizer: obrigado João Paulo II pela ousadia, bendito sejas por teres acreditado que o Evangelho atrai e é luz para os jovens de todos os tempos!

Regressados da mais recente realização deste caminho – a JMJ Rio 2013 – é oportuno fazermos uma reflexão acerca do impacto que ela teve e terá nos jovens (os que foram e os que não foram), do valor que continua a ter para a Igreja e para o Mundo e, sobretudo, acerca do que o Papa disse aos jovens ou aos menos jovens, mas por causa deles e sobre eles.

Ultrapassadas quaisquer considerações que digam respeito a algumas dificuldades organizativas (umas mais “desculpáveis” que outras), não é favor afirmar que esta Jornada Mundial da Juventude foi um sucesso. E é óbvio que para esse sucesso contribuiu, e muito, o Papa Francisco. Facilmente se encontram inúmeros vídeos na internet que ainda nos surpreendem pela proximidade deste Papa. Ficamos até na dúvida sobre quem é que tinha mais vontade de ver e tocar quem: se as multidões ao Papa ou o Papa a todas as pessoas. Como ele próprio disse numa entrevista «Eu não poderia vir ver este povo que tem um coração tão grande, por trás de uma caixa de vidro. E nesse automóvel, quando ando pela rua, baixo o vidro. Para poder estender a mão, cumprimentar as pessoas. Quer dizer, ou tudo ou nada. Ou a gente faz a viagem como deve ser feita, com comunicação humana, ou não se faz. Comunicação pela metade não faz bem. Mas as duas [segurança do Vaticano e segurança do Brasil] sabem que sou um indisciplinado, nesse aspecto. Mas não por agir como um “enfant terrible”, não. E sim porque vim visitar gente, e quero tratá-las como gente. Tocando-as.» (entrevista no programa GloboNews Especial, 28/07/2013).

Mas se a JMJ Rio foi feita de muitos gestos ousados do Santo Padre, também foi feita com as suas palavras, não menos arrojadas. Estas e aqueles, bem como todo o acontecimento da JMJ, são resumidos pelo Papa, à distância de um mês na Audiência Geral de 4 de Setembro, com 3 palavras: acolhimento, festa, missão. E com a advertência «Que estas palavras não sejam apenas uma recordação do que aconteceu no Rio, mas tornem-se a alma da nossa vida e das nossas comunidades.»

Quando o Papa Bento XVI se encaminhava para a JMJ Madrid 2011, foi-lhe colocada uma questão que tantas vezes aparece fora e dentro da Igreja: «Como se pode dar continuidade aos frutos das Jornadas mundiais da juventude? Pensa que efectivamente produzem frutos de longa duração, para além dos momentos de grande entusiasmo?» A resposta foi: «A sementeira de Deus é sempre silenciosa, não aparece imediatamente nas estatísticas. E com a semente que o Senhor lança na terra durante as JMJ, acontece como com a semente da qual Ele fala no Evangelho: algumas caem ao longo da estrada e perdem-se; outras caem sobre os pedregulhos e perdem-se; algumas caem entre os espinhos e perdem-se; mas algumas caem na terra boa e produzem muito fruto. Exactamente assim acontece com a sementeira da JMJ: muito se perde, e isto é humano. (…) Não podemos dizer imediatamente: a partir de amanhã recomeça um grande crescimento da Igreja. Deus não age assim. Mas cresce em silêncio e muito. Sei que das outras JMJ nasceram muitas amizades, e para toda a vida; muitas experiências novas de que Deus existe. E sobre este crescimento silencioso nós depositamos a confiança e estamos certos, embora as estatísticas não se pronunciem muito, de que a semente do Senhor realmente cresce e, para muitas pessoas, será o início de uma amizade com Deus e os outros, de uma universalidade do pensamento, de uma responsabilidade comum que deveras nos mostra que estes dias dão fruto.» (Entrevista concedida pelo Papa Bento XVI aos jornalistas durante a viagem para Madrid, 18 de Agosto de 2011)

Por tudo isto, vale a pena percorrer um pouco as palavras do Papa Francisco na JMJ. Como sempre, é possível que cada um as ouça conforme o que mais lhe convém. A título de exemplo, vejamos algumas intervenções subsequentes do Presidente da Bolívia, Evo Morales, presente na Missa de envio da JMJ em Copacabana: «O Papa Francisco disse que para se ser cristão tem de se ser revolucionário e eu sou revolucionário» ou «gostei de ouvir o Papa a dizer que se deve servir o povo sem medo e ser generoso como era Cristo, porque eu coincido com isso, pois o meu Governo faz esse serviço, sem descanso.»

Se virmos o que o Papa realmente disse, perceberemos como é de facto revolucionário. Mas é revolucionário como o é há tanto tempo o Evangelho, é revolucionário como o foi João Paulo II, é revolucionário como o é Bento XVI. Por isso, o Papa Francisco, Bispo de Roma, fiel à sua missão na Igreja, continua a herança que recebeu. E hoje quem é fiel a Cristo e à Igreja de Cristo está contracorrente; vive com a marca da revolução…daquela que realmente interessa. Afirmando isto, não queiramos anular o Papa Francisco naquilo que é ele próprio, com a sua maneira de agir e falar. Mas não queiramos fazer dele o que ele não é nem quer ser.

Já todos percebemos que, em continuidade com o que já vinha de trás, mas com bastante ênfase, a Doutrina Social da Igreja é referência habitual neste Papa. Em vários momentos isso apareceu nas suas intervenções. Aconteceu no encontro com a classe dirigente do Brasil, sublinhando a necessidade do respeito pelos princípios éticos fundados na dignidade transcendente da pessoa humana ou referindo como a economia e a política devem ser comandadas por uma visão humanista que erradique a pobreza, ou ainda explicando a necessidade de uma sã laicidade do Estado que respeita e valoriza a presença do factor religioso na sociedade, favorecendo as suas expressões concretas. E várias foram as vezes que apareceram explicitamente os temas da justiça social, da solidariedade, da necessidade de se investir na educação e na saúde, abertas à dimensão espiritual, de se cuidar da segurança e de proporcionar aos jovens um futuro com transcendência. Foi assim logo no discurso inicial no Palácio Guanabara e na Via Sacra, mas sobretudo na visita à favela de Manguinhos onde com força reafirmou como o desenvolvimento humano tem de ser o desenvolvimento de todos os homens e do homem todo. Ninguém é descartável!

Sem dúvida central foi também a insistência na evangelização. É tempo de ir para a rua anunciar sem medo. É tempo de ir às periferias, inclusive de pensar e realizar uma pastoral a partir da periferia. “Ide e fazei discípulos de todas as nações” era o mote da JMJ e foi bastante sublinhado pelo Santo Padre. Assim na vigília com os jovens quando diz que são eles o “Campo da Fé” (nome do espaço inicialmente preparado para a vigília e Missa de envio, entretanto preterido a favor da praia de Copacabana), ou seja, somos todos discípulos missionários. É necessário levar Cristo a todos os ambientes, a todas as periferias existenciais, afirmou na Missa de envio. Isso implicará também investir numa cultura do encontro e do diálogo, que supere quer a indiferença egoísta quer o protesto violento (discurso à classe dirigente do Brasil).

Mas nada disto se entende, se não está enraizado em Cristo. Por isso o Papa não permite ambiguidades: foi ao Brasil levar Cristo (cerimónia de boas-vindas), o único que dá fé, esperança e caridade, e a cuja palavra devemos obedecer (festa de acolhimento dos jovens). É certo que o mal é muito forte, mas Deus é mais forte (santuário de Aparecida). Daí a necessidade de nos ligarmos a Ele pela oração, pelos sacramentos e por uma vida de amor ao próximo (vigília). Note-se que a fé é uma coisa tão séria que não é possível viver um sucedâneo de fé (encontro com os argentinos).

Finalmente, e com tanta repercussão entre os jovens, estão as palavras que sublinham a necessidade de contrastar com o mundo e de se ser revolucionário, como Cristo e a Igreja.

Acolher Jesus com entusiasmo é bom, mas é preciso ter a coragem de ir contra a corrente: «vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade que se deixe arrastar pelas modas e conveniências do momento (…) sejam protagonistas, oferecendo uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas» (vigília). E foram-se sucedendo os temas e referências a tantos assuntos caros à Igreja e onde se manifesta a diferença com as ideologias reinantes. Assim foi na favela com a defesa da vida, ou no encontro com os argentinos, pedindo-lhes que fizessem barulho, ou seja, que lutassem contra o mundanismo que exclui os idosos (eutanásia cultural) e os jovens (desemprego), que não cedessem ao culto ao deus dinheiro. Mas também no Hospital São Francisco de Assis, quando falou contra a liberalização das drogas. E aos voluntários diz mesmo: «Alguns são chamados a se santificar constituindo uma família através do sacramento do Matrimónio. Há quem diga que hoje o casamento está “fora de moda”. Na cultura do provisório, do relativo, muitos pregam que o importante é “curtir” o momento, que não vale a pena comprometer-se por toda a vida, fazer escolhas definitivas, “para sempre”, uma vez que não se sabe o que reserva o amanhã. Em vista disso eu peço que vocês sejam revolucionários, eu peço que vocês vão contra a corrente; sim, nisto peço que se rebelem: que se rebelem contra esta cultura do provisório que, no fundo, crê que vocês não são capazes de assumir responsabilidades, crê que vocês não são capazes de amar de verdade. Eu tenho confiança em vocês, jovens, e rezo por vocês. Tenham a coragem de “ir contra a corrente”. E tenham também a coragem de ser felizes!»

Esta é a revolução do Papa Francisco. E ele conta com os jovens para a tornar operante: «Continuarei a nutrir uma esperança imensa nos jovens do Brasil e do mundo inteiro: através deles, Cristo está preparando uma nova primavera em todo o mundo. Eu vi os primeiros resultados desta sementeira; outros rejubilarão com a rica colheita!» (despedida no Aeroporto)

 

Reencontro JMJ

No dia 9 de Setembro, o grupo de peregrinos do Serviço da Juventude à JMJ Rio teve o seu reencontro. Dois meses antes, a 11 de Julho, tinham recebido a bênção do Senhor Patriarca que assim os enviara como diocesanos de Lisboa à grande festa de comunhão e de fé que foi a Jornada Mundial da Juventude. Ficou claro que agora é o tempo de responder ao desejo então lançado por D. Manuel Clemente: “quando voltarem às vossas comunidades, assim preenchidos, cheios e convencidos da presença do Ressuscitado em todos aqueles que se reúnem em Seu nome, também serão capazes de olhar para as vossas paróquias e para os vossos grupos e ver Cristo”. Por isso, este reencontro além de alimentar esta amizade cristã, com os outros peregrinos e com os irmãos brasileiros que os acolheram na Pré-Jornada (presentes através de um vídeo enviado), serviu para dar graças a Deus por tantas maravilhas operadas naqueles dias no Rio de Janeiro e em Teresópolis, e para reiterar o compromisso de maior empenho na Igreja e obediência ao chamamento de ser e fazer discípulos.

 

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Formação de Animadores (FA)

O Serviço da Juventude disponibiliza uma formação para aqueles que já são ou virão a ser animadores de grupos de jovens. É uma oportunidade de, como animador, aprofundares a tua ligação a Cristo, à Igreja e à tua Diocese, na sua diversidade de experiências, de pessoas e de movimentos. Trata-se de uma caminhada em grupo que se encontra nove fins-de-semana (três por ano).

 

Como fazer a inscrição?

Vai a www.juventude.patriarcado-lisboa, descarrega a Ficha de Inscrição, preenche e envia para o mail juventude@patriarcado-lisboa.pt até ao dia 15 de Outubro de 2013.

 

Datas previstas para os três encontros deste ano pastoral

29 Novembro a 1 Dezembro; 21 a 23 Fevereiro; 23 a 25 Maio.

 

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Encontro Geral de Animadores (EGA)

Todos os anos o Serviço da Juventude realiza este encontro com a intenção de proporcionar aos animadores de grupos de jovens e de Movimentos um dia de formação, de partilha, de integração na dinâmica de pastoral juvenil diocesana.

No próximo dia 5 de Outubro, Sábado, das 10h00 às 17h00, no Seminário dos Olivais, os participantes abordarão o tema que este ano guiará o nosso ano pastoral: "O que importa é a fé que se realiza pela caridade." (Gal 5,6). Neste encontro será ainda apresentado mais em pormenor o calendário de actividades proposto pelo Serviço da Juventude e serão divulgadas outras informações importantes. Basta aparecer e não é necessária inscrição. O almoço será partilhado.

texto por Pe. Carlos Gonçalves, Director do Serviço da Juventude do Patriarcado
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