Ano da Fé |
Venerável Monsenhor Joaquim Alves Brás
“Ser Padre, ao menos por um ano”
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O toque distintivo do carisma blasiano é o da dignificação da mulher como ser social em igualdade de direitos, deveres e capacidade profissional, e a valorização do seu carácter de consagração crista. Mons. Brás subtraiu-a ao ferrete da subalternidade, da propriedade discricionária de patrões e patroas.

 

Quando nasceu, a 20 de Março de 1899 (Casegas, Covilhã), aquela criança parecia fadada a não permanecer muito tempo neste mundo. De facto, Joaquim nasceu tão enfermiço que lhe foi imediatamente ministrado o Baptismo. Mas vingou e fez-se homem num ambiente familiar de onde recebeu os valores humanos e cristãos, sublimados mais tarde por uma colaboração estreita na implantação do reino de Deus. É da sabedoria bíblica que a vida é um combate: aos 11anos Joaquim contrai uma doença óssea inflamatória (coxalgia) que o obriga a ficar de cama até aos 14. Muito dolorosa, deixará no jovem marcas visíveis: ficaria a coxear por toda a vida e precisaria de calçado adaptado à sua deficiência física. Aberto à acção de Deus, Joaquim viveu aquela dolorosa imobilidade como uma ocasião de maturidade espiritual e despertou para a entrega total da sua vida a Deus. O sacerdócio, pois. Joaquim sentiu que era chamado a servir como padre. Naquela altura as normas do Direito eram rigorosas para rapazes com defeitos físicos, que quisessem ser padres… Muito haveria, pois, que lutar e superar. Ficou na família até aos 18 anos. Esta vivencia familiar marcá-lo-ia, aliás, e seria a sua escola. Por fim, superadas dificuldades “insuperáveis”, em Novembro de 1917 foi admitido no Seminário do Fundão e depois no da Guarda. Sem capacidade física para acompanhar os colegas nos dias de passeio semanal, o jovem seminarista passava essas horas percorrendo as enfermarias do hospital da Guarda, avaliando com os olhos e o coração a degradação física e moral de muitas raparigas que ali tinham aportado como barcas desfeitas. Ao ser ordenado padre no dia 19 de Julho de 1925 Joaquim Alves Brás atingia uma ambicionada meta (“ser Padre, ao menos por um ano”), mas não fechava nenhum ciclo: iniciava, pelo contrário, a sua grande missão. Quase de seguida, o mesmo bispo que o ordenara nomeava-o Pároco da freguesia de Donas. Durante cinco anos o Padre Brás foi, nessa parcela da Diocese Egitaniense, um pastor desvelado e generoso; e durante outros tantos anos exerceu cumulativamente o cargo de confessor ordinário do Seminário do Fundão, tendo para isso de se deslocar de Donas ao Fundão. Tudo isto cumpriu persistente e generosamente. Porém, em Julho de 1930, a saúde débil que já lhe impunha limitações impôs-lhe, mais, a paragem forçada no exercício do ministério. Confrontado com a dolorosa realidade o P. Joaquim Alves Brás pediu ao seu Bispo a exoneração do exercício paroquial. Acto contínuo, D. José Alves Matoso nomeou-o Director Espiritual do Seminário Maior da Guarda, ciente do alívio que este novo serviço pastoral trazia ao jovem padre. Foi isto em Outubro de 1930. Tinha o P. Brás 31 anos e estava a meio da sua curta vida… Joaquim Alves Brás era padre, como pedira. Pois de pai e sacerdote seria o seu agir, sempre: se a natureza o debilitava, o fogo do Espírito tornava-o gigantescamente empreendedor. Orientador espiritual dos estudantes de teologia, sobrava nele entusiasmo e zelo que extravasavam em gestos de caridade: “pescador” de tantos e tantas que deixavam pela cidade o seu rasto de solidão e misérias, confessava na Sé, pregava pelas igrejas da cidade, visitava o hospital. Preocupado com a salvação das raparigas empurradas para as bermas sociais, fundou em 1932 a Obra de Santa Zita/Obra de Previdência e Formação das Criadas (OPFC), destinada ao acolhimento e formação das criadas de servir, como então se dizia, obra preventiva e profissionalizante, que dotava as serviçais de meios de previdência e as capacitava profissionalmente, para que, como ele dizia, não passassem a vida a servir e o fim da vida a pedir. Seguidamente, no Domingo de Pentecostes de 1933 fundou o Instituto Secular das Cooperadoras da Família (Instituto de Direito Pontifício desde 1 de Janeiro de 2000), a quem deu por missão e carisma a oblação pela santificação da família e dos sacerdotes. Ao seu Instituto deixou como modelo de espiritualidade o exemplo da Sagrada Família de Nazaré. “Mãos no trabalho, coração em Deus”, era o mote, espiritual e prático, que lhe dava como norma quotidiana. Sempre pugnando pelos valores humanos e cristãos da Família fundou em 1960 os Centros de Cooperação Familiar e o “Jornal da Família”. No bom combate que combatia, consumando, como Paulo, a sua fé o P. Brás (Monsenhor desde 1958) desdobrava a sua inspiração original em fundações complementares. Nascia assim, em 1962, o Movimento “Por um Lar Cristão que, de modos diferentes, responde ao mesmo carisma do ISCF. Pouco tempo depois, a 13 de Março de 1966, Monsenhor Alves Brás morria em Lisboa, no Hospital de Jesus, vítima de um acidente de automóvel, a poucos dias de completar 67 anos. Estava, como sempre, em plena actividade e cheio de projectos apostólicos. Em 1958 o P. Brás tinha sido distinguido pelo Santo Padre com o título de Monsenhor.

Quando, em 2008, o Instituto Secular das Cooperadoras da Família celebrava o seu Jubileu de Diamante, o Papa Bento XVI tornou público o Decreto de Reconhecimento da Heroicidade das Virtudes do Servo de Deus Joaquim Alves Brás: Monsenhor Alves Brás é Venerável. Todos esperamos o reconhecimento oficial da Igreja para que possamos venerá-lo como Beato. E em breve como santo.

texto por Alberto Júlio Silva
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