Ano da Fé |
Madre Clara
Clara, a “Mãe dos pobres”
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Estando oficialmente proibidas novas congregações, a jovem Irmã Maria Clara do Menino Jesus fundava em 1874 a Associação de Beneficência das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus, um nome em que a Fundadora condensava todo o seu programa de apostolado e que antecedeu o verdadeiro nome da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC).

 

 A sabedoria e a grande coragem de Madre Maria Clara orientaram a nova Congregação para uma expansão rápida por todo o território continental português, e pelas então províncias ultramarinas de Angola, Índia, Guiné e Cabo Verde. Ao fim de breves 56 anos de vida, gasta e feliz, Madre Clara, a “Mãe dos pobres”, como era chamada, entregou a alma a Deus, no limiar do século XX, deixando vivo o seu carisma de serviço aos pobres. Era o dia 1 de Dezembro de 1899.

Poderia ter sido uma história modelar como as que enxameiam os nobiliários e livros de memórias. Localidade de ressonâncias bucólicas – Linda a Pastora –, quinta de família de ressonâncias ainda mais requintadas – Quinta do Bosque – e apelidos de família a garantirem cuidada educação, camada social de tintas aristocráticas: Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque. E o nome da menina era Libânia do Carmo. Nascida a 15 de Junho de 1843 e baptizada na Igreja de Nossa Senhora do Amparo, de Benfica, em 2 de Setembro desse mesmo ano. Acontece que a história dos chamamentos de Deus à santidade, aceite e vivida, supera brasões, palacetes, convívio com a nata do mundo, lugares e bens que se enferrujam e corrompem. Os pais de Libânia morrem poucos anos depois do seu nascimento, na epidemia terrível que assola a Europa – o cholera-morbus –, a que nem os próprios rei e rainha, na flor da vida, são poupados. Libânia do Carmo, duplamente órfã, é internada no Real Asylo Ajuda em 1857 com outras meninas da sua condição. No ambiente social de grande agitação política que se vivia levantou-se a questão política das Irmãs da Caridade francesas e as Filhas de Caridade de S. Vicente de Paulo, a quem o Asilo tinha sido entregue, foram expulsas. Libânia do Carmo foi recebida pelos Marqueses de Valada, seus parentes, e com eles viveu durante cinco anos. Entrou depois no Pensionato de São Patrício, das Irmãs Capuchinhas Concepcionistas, que um padre franciscano - Padre Raimundo dos Anjos Beirão - orientava. Ali percebeu que não estava destinada a ser apenas uma menina de boas famílias no meandro das influências da sociedade. Pessoa de temperamento decidido e determinado, pensava entregar a sua vida a Deus no serviço dos pobres. Confiou ao P. Raimundo Beirão o seu sonho de viver ao serviço dos pobres e ele viu naquela jovem religiosa aristocrata a pessoa providencial para realizar o sonho que ele também acalentava: uma nova fundação religiosa que se dedicasse ao cuidado de todo o género de necessitados. Libânia do Carmo recebeu a proposta de Fr. Raimundo como a luz que orientava o desejo que nela se tinha formado. Visto estarem proibidos novos ingressos de religiosas em Portugal, em 1870 foi enviada para Calais (França), a fim de fazer o Noviciado com as Irmãs Franciscanas Missionárias de Calais, na intenção de vir a fundar em Portugal uma nova Congregação. E foi em França que, no dia 14 de Abril de 1871, emitiu os primeiros votos como Irmã Maria Clara do Menino Jesus. Regressou a Portugal em 1 de Maio desse ano. Fez em Lisboa a sua primeira fundação, em 1874, com o nome de Associação de Beneficência das Irmãs Hospitaleiras dos Pobres por Amor de Deus. O Governo Português aprovou os Estatutos da nova Sociedade. A 27 de Março de 1876 a Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras dos Pobres recebia aprovação da Santa Sé. Mas logo em 13 de Julho de 1878, dois anos após a aprovação, morria o P. Beirão. Madre Clara tinha apenas 35 anos e passaria a orientar, sozinha, o novo Instituto. Com fé, sabedoria e grande coragem, Madre Clara orientou a nova Congregação para uma expansão rápida que de 1883 a 1893 se expandiu por todo o território português e territórios do então ultramar. Ao longo de 28 anos, o seu tempo como Superiora Geral, Madre Clara fundou mais de 142 obras e acolheu mais de mil irmãs. Com esta acção para os pobres, por amor de Deus e distribuindo as suas irmãs por hospitais, cuidados domiciliários, creches, escolas, colégios, assistência a crianças e idosos, cozinhas económicas, Mãe Clara tornou-se, com as suas Irmãs, pioneira de um novo tipo de acção social, com marca cristã, em Portugal. Norteada pelo seu ideal hospitaleiro, encheu Portugal de Centros de Assistência, de onde pudesse irradiar para todos os necessitados o carisma da sua fundação: trabalhar com amor e por amor, transmitir em gestos de acolhimento o amor de Deus pelos pobres. Começaram a chamar-lhe Mãe Clara e Mãe dos Pobres. No dia 1 de Dezembro de 1899, ao iniciar-se um novo século, a “Mãe dos pobres” morria em Lisboa, aos 56 anos. Repousa na Cripta da Capela da Casa-Mãe, em Linda-a-Pastora. As Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição mantêm vivo, hoje, o ideal de Mãe Clara. O seu carisma e santidade foram reconhecidos pela Igreja, que a declarou Beata no dia 21 de Maio de 2011. Memória litúrgica: 1 de Dezembro.

texto por Alberto Júlio Silva
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