Doutrina social |
XIV Encontro de Formação de Agentes Sociopastorais das Migrações
Migrantes em 2014
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Tivemos entre os dias 17 e 19 de Janeiro o XIV Encontro de Formação de Agentes Sociopastorais das Migrações, realizado na Casa Diocesana Nossa Senhora do Socorro, em Albergaria-a-Velha, com o objetivo de fornecer um espaço de formação e reflexão, para uma melhor qualificação da ação pastoral e para o reforço do diálogo e trabalho em rede, como resposta aos desafios que o fenómeno hoje nos coloca.

 

Sinal dos tempos
A mobilidade, sempre presente na história da humanidade, assume hoje contornos que permitem encará-la como um “sinal dos tempos” como escreveu Bento XVI, trazendo novos desafios e exigindo novas repostas. Entre nós vivemos as duas últimas décadas mais virados para os que nos procuravam, sendo considerados no começo do milénio como “país de acolhimento”; no momento, porém, dada a situação crítica que atravessamos, a dinâmica da mobilidade vai no sentido de fazer voltar-nos ao que se verificou nos anos 60 com uma elevada percentagem de cidadãos a deixarem o país em busca de melhores condições de vida. Só no ano de 2012 tivemos 121.418 cidadãos, sobretudo jovens com menos de 30 anos, que partiram, debilitando o país, deixando-o sem as energias que o poderiam fazer avançar, acompanhados muitas vezes pela incerteza de um posto de trabalho ou pela incógnita de um ambiente que poderia ser de acolhimento, mas também de indiferença ou até perigosamente explorador. Assim, aos agentes pastorais que lidam com esta realidade em particular e aos crentes em geral se impõe a urgência de compreender o fenómeno, trabalhar para superar os efeitos negativos que ele comporta e valorizar os impactos positivos que ele tem ou pode ter nas comunidades de origem, de trânsito e de destino.

 

Mais do que estudos uma atitude
Cada vez mais me fui convencendo de que para compreender a realidade das pessoas – e muito especificamente os migrantes – é necessário estar próximo delas e das suas circunstâncias; hoje já não me surpreendo quando em conversa com o meu interlocutor concluo que essa questão não lhe provoca qualquer tipo de preocupação; fico mais confortado quando vejo que é nessa linha da saída de si mesmo, nessa “dinâmica do êxodo e do dom” que se permanece na fidelidade ao Evangelho. A palavra do Papa Francisco na Exortação ‘Evangelii Gaudium’ e os seus gestos vêm confirmar-nos nessa convicção. Significativo foi ele querer efetuar a primeira viagem apostólica à ilha de Lampedusa para “despertar consciências” e para combater a “globalização da indiferença”; um gesto de quem, remando contra a corrente do paganismo materialista atual, traz os pobres e os frágeis para o meio das preocupações dos que procuram imitar Jesus.
Na mesma linha, o Patriarca de Lisboa disse, no encontro, que resolver a crise europeia só em termos europeus é “descartar”, é permanecer numa atitude “egocêntrica”; seguindo o pensamento da mensagem do Papa e a ‘Evangelii Gaudium’, desafiou para a necessidade de passar de uma “cultura do descartável “ – a qual já não se confina às dimensões da exploração e da opressão, mas vai ao ponto de considerar os excluídos como resíduos, como sobras – a uma “cultura do acolhimento”.

 

Exemplos que nos arrastam
Também o Abbé Pierre nos empurra nesta direção quando escreve no seu diário íntimo: “quando pomos a nossa mão na mão dos pobres, encontramos a mão de Deus na nossa outra mão”; e ainda, a propósito dos imigrantes: “Eles não são de modo algum santos mais perfeitos do que o resto dos homens, mas a imensa maioria deles dá, pelo menos, esse exemplo, o exemplo do duro cumprimento do primeiro dos deveres: colocar as suas forças ao serviço de todo o grupo dos mais fracos, que é a sua família”. Todos os que nos sentimos envolvidos na realidade das migrações – com imigrantes ou com emigrantes – somos recordados pela mensagem de Francisco que temos de “abrir espaços para uma nova humanidade, conscientes de que “toda a terra estrangeira é pátria e cada pátria é terra estrangeira”.

texto por P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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