Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Como construir comunidades?

Como construir comunidade ou melhor, como construir Igreja?

Certamente: a Igreja não somos nós quem a constrói, mas o Espírito Santo de Deus. É Ele quem vai transformando o coração egoísta e individualista, soberbo e orgulhoso de cada um de nós, e lhe vai dando a “forma de Cristo”.

A Igreja não nasce da vontade humana; não nasce de uma eficácia planeada e conseguida: fora assim, e dela restaria apenas, há muitos séculos, uma vaga memória nos livros de história, como acontece com todos os empreendimentos humanos, destinados, inevitavelmente, a desaparecer. Ao contrário, a Igreja permanece porque nasce daquela comunidade primeira que é a Santíssima Trindade, porque caminha para aquela comunidade última que é também o Deus uno e trino, e porque por Ela é animada no presente, no meio dos acontecimentos da história.

É certo que, ao longo dos tempos, também a Igreja teve momentos mais fortes (quando os cristãos se tornaram mais dóceis ao Espírito Santo) e outros mais fracos (quando a fé enfraqueceu e nos esquecemos de Deus).

E, no entanto, não podemos deixar de nos perguntar: como construir comunidade – ou, melhor, como construir “comunidades”: quero dizer, como fazer das nossas paróquias, das nossas comunidades cristãs, verdadeiras comunidades, onde se respira o Evangelho, comunidades de irmãos e não de indiferentes; comunidades que acolhem e que não se limitam a “prestar serviços”; comunidades que saem de si e não comunidades que vivem fechadas na poeira das suas tradições?

A resposta não pode ser outra senão esta: fortalecendo a fé, sem colocar barreiras à vontade do Espírito Santo, antes colaborando com Ele, deixando que a cada um de nós Ele nos faça ousados, deixando-nos converter.

Mas a esta resposta primeira, não pode deixar de se seguir, imediatamente, uma outra: evangelizando. Com efeito, o Espírito não nos deixa nunca permanecer “mudos”. Aquele que se deixa transformar pelo Espírito, esse fala, torna-se Palavra: na sua vida, nos seus gestos, nas suas palavras e nos seus silêncios.

Ao contrário, quando procuramos ser cristãos à nossa maneira, ficamos cada vez mais mudos. Deixamos de interpelar, de convidar, simplesmente porque vamos deixando de ser. Mesmo que, exteriormente, continuemos a cumprir todo o programa religioso que nos propusemos, ou que o mundo nos pede.

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