‘Evangelii Gaudium’ |
‘Evangelii gaudium’ (nº 127 a 134) – Capítulo III
De pessoa a pessoa
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Neste terceiro capítulo da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, o Papa Francisco desafia os cristãos “a levar o Evangelho às pessoas” com que se encontram, “tantos aos mais íntimos como aos desconhecidos”, referindo que esta é uma forma de pregação “que nos compete a todos como tarefa diária”. “É a pregação informal que se pode realizar durante uma conversa, e é também a que realiza um missionário quando visita um lar”, complementa Francisco. Por isso mesmo, salienta o Papa argentino que “ser discípulo significa ter disposição permanente de levar aos outros o amor de Jesus; e isto sucede espontaneamente em qualquer lugar: na rua, na praça, no trabalho, num caminho”. Para a concretização deste tipo de pregação, Francisco deixa neste capítulo algumas indicações que passam por encetar primeiro “um diálogo pessoal, no qual a outra pessoa se exprime e partilha as suas alegrias, as suas esperanças, as preocupações com os seus entes queridos e muitas coisas que enchem o coração”. “Só depois desta conversa é que se lhe pode apresentar a Palavra”, explica o Papa Francisco observando que “é o anúncio que se partilha com uma atitude humilde e testemunhal”. “É bom que este encontro fraterno e missionário conclua com uma breve oração que se relacione com as preocupações que a pessoa manifestou. Assim ela sentirá mais claramente que foi ouvida e interpretada, que a sua situação foi posta nas mãos de Deus, e reconhecerá que a Palavra de Deus fala realmente à sua própria vida”. Segundo o Santo Padre, este anúncio evangélico transmite-se com formas diversas, por isso, “se o Evangelho se encarnou numa cultura, já não se comunica apenas através do anúncio de pessoa a pessoa”. Porém, aponta o Papa, “o que se deve procurar é que a pregação do Evangelho, expressa com categorias próprias da cultura onde é anunciado, provoque uma nova síntese com essa cultura”.

 

Carismas ao serviço da comunhão evangelizadora

Uma das riquezas que podemos encontrar dentro da Igreja é, precisamente, a diversidade de carismas que a compõem. Segundo o Papa Francisco, estes diferentes carismas são fruto do Espírito Santo que, assim, “enriquece toda a Igreja evangelizadora”. “São dons para renovar e edificar”, sublinha citando a Constituição Dogmática sobre a Igreja ‘Lumen Gentium’. “Não se trata de um património fechado, entregue a um grupo para que o guarde; mas são presentes do Espírito integrados no corpo eclesial, atraídos para o centro que é Cristo, donde são canalizados num impulso evangelizador”, acentua. Neste sentido, o Papa jesuíta alerta para o facto de que “uma verdadeira novidade suscitada pelo Espírito não precisa de fazer sombra sobre outras espiritualidades e dons para se afirmar a si mesma”. É na comunhão, frisa o Papa, “que um carisma se revela autêntica e misteriosamente fecundo”. No entanto, Francisco tem consciência que para além da diversidade de carismas existem, também, diferenças entre as pessoas e as comunidades pelo que, garante, “o Espírito Santo, que suscita esta diversidade, de tudo pode tirar algo de bom e transformá-lo em dinamismo evangelizador que atua por atração. A diversidade deve ser sempre conciliada com a ajuda do Espírito Santo; só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade”.

 

Cultura, pensamento e educação

Neste anúncio evangelizador de que nos fala o Papa Francisco deverão estar também presentes as culturas profissionais, científicas e académicas. “É o encontro entre a fé, a razão e as ciências, que visa desenvolver um novo discurso sobre a credibilidade, uma apologética original que ajude a criar as predisposições para que o Evangelho seja escutado por todos”. Para este anúncio às culturas no seu conjunto, a teologia tem um papel importante. Deste modo, Francisco vem encorajar “o carisma dos teólogos e o seu esforço na investigação teológica” que, observa, “promove o diálogo com o mundo da cultura e da ciência”. Neste sentido deixa um apelo aos teólogos “para que cumpram este serviço como parte da missão salvífica da Igreja”. Um papel importante neste contexto têm as universidades considerando-as o Papa Francisco um “âmbito privilegiado para pensar e desenvolver este compromisso de evangelização de modo interdisciplinar e inclusivo”. Por seu lado, as escolas católicas constituem, também, “uma contribuição muito válida para a evangelização da cultura”.

texto por Nuno Rosário Fernandes
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