‘Evangelii Gaudium’ |
‘Evangelii Gaudium’ (nº 169 a 175) – Capítulo III
O acompanhamento pessoal dos processos de crescimento
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Quase a terminar este terceiro capítulo da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, o Papa Francisco manifesta a sua preocupação pelo acompanhamento pessoal, considerando que “a Igreja tem necessidade de um olhar solidário para contemplar, comover-se e parar diante do outro, tantas vezes quantas forem necessárias”. Neste sentido, Francisco recorda que “os ministros ordenados e os outros agentes de pastoral podem tornar presente a fragrância da presença  solidária de Jesus e o seu olhar pessoal” e  “a Igreja deverá iniciar os seus membros – sacerdotes, religiosos e leigos – nesta ‘arte do acompanhamento’, para que todos aprendam a descalçar sempre as sandálias diante da terra sagrada do outro”. “Devemos dar ao nosso caminhar o ritmo salutar da proximidade com um olhar respeitoso e cheio de compaixão, mas que ao mesmo tempo cure, liberte e anime a amadurecer na vida cristã”, apela.

Este acompanhamento espiritual, lembra Francisco, “deve conduzir cada mais para Deus, em quem podemos alcançar a verdadeira liberdade”. No entanto, o Sumo Pontífice alerta para o que pode ser uma falsa ideia da liberdade. “Alguns creem-se livres quando caminham à margem de Deus, sem se dar conta que ficam existencialmente órfãos, desamparados, sem um lar para onde possam voltar. Deixam de ser peregrinos para se transformarem em errantes, que giram indefinidamente ao redor de si mesmos, sem chegar a lado nenhum”. Nestas situações, aponta Francisco, “o acompanhamento seria contraproducente caso se tornasse uma espécie de terapia que incentivasse esta reclusão das pessoas na sua imanência e deixasse de ser uma peregrinação com Cristo para o Pai”.

Assim, é preciso que haja uma exercitação nesta dimensão do acompanhamento que passa também por uma exercitação “na arte de escutar, que é mais do que ouvir”. “Escutar, na comunicação com o outro, é a capacidade do coração que torna possível a proximidade, sem a qual não existe um verdadeiro encontro espiritual”. Por outro lado, frisa o Papa Francisco, “só a partir desta escuta respeitosa e compassiva é que se podem encontrar os caminhos para um crescimento genuíno, despertar o desejo do ideal cristão, o anseio de corresponder plenamente ao amor de Deus e o anseio de desenvolver o melhor de quanto Deus semeou na nossa própria vida”. Referindo-se, de modo particular, àqueles que exercem esta missão do acompanhamento espiritual, o Papa argentino, lembra que “quem acompanha sabe reconhecer que a situação de cada pessoa diante de Deus e a sua vida em graça é um mistério que ninguém pode conhecer plenamente a partir do exterior”. “O Evangelho propõe-nos que se corrija e ajude a crescer uma pessoa a partir do reconhecimento da maldade objectiva das suas ações, mas sem proferir juízos sobre a sua responsabilidade e culpabilidade”, acentua.

Com uma tonalidade mais pessoal e testemunhal, o Papa observa que aquele que acompanha também é importante deixar-se acompanhar. “A experiência pessoal de nos deixarmos acompanhar e curar, conseguindo exprimir com plena sinceridade a nossa vida a quem nos acompanha, ensina-nos a ser pacientes e compreensivos com os outros e habilita-nos a encontrar as formas para despertar neles a confiança, a abertura e a vontade de crescer”. Por outro lado, este acompanhamento espiritual autêntico “começa sempre e prossegue no âmbito do serviço à missão evangelizadora”, isto é, não se trata de “um acompanhamento intimista, de autorrealização isolada”, porque “os discípulos missionários acompanham discípulos missionários”.

 

Ao redor da Palavra de Deus

A concluir este terceiro capítulo, Francisco adverte que “não é só a homilia que se deve alimentar da Palavra de Deus”, porque “toda a Evangelização está fundada sobre esta Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada”. Nesse sentido, “é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra”. “É indispensável que a Palavra de Deus ‘se torne cada mais o coração de toda a atividade eclesial’”, exorta o Papa Francisco citando palavra de Bento XVI na Exortação apostólica pós-sinodal ‘Verbum Domini’.

“A Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-nos capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária”, sublinha, deixando, ainda, um apelo a toda a Igreja: “A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária”. “Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!” apela.

texto por Nuno Rosário Fernandes
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