Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
De carne e osso

Embora tenha vivido ainda alguns meses durante o pontificado de João XXIII, não me recordo, obviamente dele.

Mas de João Paulo II tenho gratas recordações, desde a inesquecível celebração no Parque Eduardo VII, durante a sua primeira visita ao nosso país, até ao momento em que o corpo do Papa jazia na basílica de S. Pedro, e multidões de anónimos e de poderosos do mundo inteiro passavam diante dele para a última despedida.

Ao longo de todos esses anos, tive a graça de encontrar e saudar o Santo Padre várias vezes, e de em muitas delas poder trocar com ele algumas palavras. Entre as muitas imagens que me ficaram gravadas na memória, permanecem sobretudo aquelas em que pude partilhar por momentos da sua oração silenciosa: o Papa, imóvel e indiferente aos ruídos dos sacerdotes que entravam na capela para a concelebração da Missa, permanecia diante do sacrário. Escutava-se, quando muito, a sua respiração pesada.

Disse ele que a santidade era “a medida alta” a propor de novo no século XXI. Foi o caminho traçado para a Igreja, ao iniciar o novo milénio. O caminho que deveria ser o normal para cada cristão. O caminho que ele próprio viveu e de que, incansavelmente, deu testemunho, literalmente até ao fim.

Posso garantir-vos que era um homem de carne e osso, como nós. Não tinha descido do céu sobre uma nuvem, nem tinha poderes extraordinários, desses que agora povoam os personagens das séries televisivas. Nele percebia-se antes a força única de Deus – aquela força transformadora, presente nas suas palavras de acolhimento e naquelas outras mais duras e exigentes que não raras vezes pronunciava; ou nos seus gestos, tantas vezes fora do protocolo e surpreendentes.

dias, uma revista falava do “milagre que o tinha feito santo”. Não perceberam nada: não foi o milagre que fez o santo; foi o santo que fez o milagre e desse modo mostrou a sua presença junto de Deus, a interceder pelo mundo inteiro.

A canonização de João XXIII e de João Paulo II não pode deixar de nos apelar, cada vez mais, à tarefa santidade – necessidade de cada cristão e do mundo inteiro, e realidade vivida por estes dois Papas que Deus concedeu à sua Igreja!

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