Doutrina social |
Pobreza
Um mundo novo é possível
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Na audiência aos Diretores das Obras Missionárias Pontifícias, no dia 9 de Maio, o Papa disse que a Igreja deve ser principalmente a “casa dos mais pobres, excluídos e perseguidos”. É óbvio que sim, dado que aponta nessa direção o modelo de vida que Jesus nos deixou.

 

A Igreja como “casa”
A Igreja deve ser essa “casa” sempre em processo de construção, o que exige atenção e esforço para não parar. Anima ver pessoas e grupos inconformados com a situação. Assim os movimentos da JOC na Europa (que nunca desistiram do céu conquistado nesta terra) apresentaram um manifesto para o 1º de Maio afirmando que um outro mundo é possível. Também o Grupo Economia e Sociedade, recordando os 40 anos do 25 de Abril, publicou um documento de denúncia e de compromisso perante a situação do país. Começa com uma referência ao nº 53 da Exortação ‘Evangelii Gaudium’: “Assim como o mandamento ‘não matar’ põe um limite claro para assegurar o valor da vida humana, assim também hoje devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Esta economia mata”.
A Doutrina Social da Igreja é um riquíssimo repositório de princípios e de ensinamentos com vista à humanização do mundo. Mas de nada servem as palavras s não se atuar sobre o pecado estrutural que despreza as pessoas, que usurpa o destino universal dos bens criados para todos, que promove uma desigualdade gritante de oportunidades para ser pessoa, que gera a violência ateada na cobiça de ser senhor das coisas e dominador das pessoas. Quem afirma a soberania de Deus não pode demitir-se dessa responsabilidade nem deixar-se alienar, vivendo das distrações de um presente sem futuro.

 

Lixo que somos ou que são
É injusto afirmar que a culpa da crise é de todos nós. Generalizá-la é uma ofensa para a maior parte das pessoas que trabalhavam tanto ou mais do que quem tal afirma; já o mesmo não se pode dizer do aparelho do Estado, tantas vezes inoperativo, ronceiro, abrigo de oportunistas e de cumplicidades na corrupção (sem generalizar para aqueles que dignificavam o cargo e a instituição, e hoje talvez mais castigados). E se ele, pela pressão do exterior, se viu forçado a cortar nas gorduras, não é menos verdade que ainda muito teria a fazer para gerar credibilidade perante os cidadãos dos quais se vem transformando em carrasco. Afirma o Grupo Economia e Sociedade que até 2008 a dívida pública não cresceu mais do que a de outros países que eram ditos possuírem uma situação robusta. Hoje o que nos sufoca não é só a dívida, mas sobretudo o serviço da dívida. Aí a culpa está nas políticas das instituições financeiras, cujo objetivo é exclusivamente o lucro. A pessoa não lhes interessa. Ainda há dias a agência Moody’s subiu o rating da nossa dívida em um patamar, mas mantendo-a em nível de lixo. Sim lixo, porque a pessoa transformou-se numa peça descartável.

 

Neocolonialismo e nova escravatura
Nos anos 90 surpreendia-me com expressões usadas para classificar as “medidas draconianas” impostas pelo FMI aos governos intervencionados, sabendo todos que essas ainda mais iriam debilitar o povo e torná-lo mais dependente. Era um combate escandalosamente desigual. Hoje vejo que a mesma receita é aplicada pelo FMI, pela Comissão Europeia e pelo Banco Central Europeu aos países com economias mais frágeis, como Portugal. É caso para perguntar onde para o sonho de Monnet e os esforços de Schuman e Adenauer, para recordar alguns dos artífices da UE. É ultrajante ver os salários e as regalias dos funcionários das instituições que hoje castigam povos inteiros, não com intuito de os corrigir, mas para os manterem escravizados. É uma vergonha ver como eles se movem nos edifícios de vidro, trabalhando a sério umas vezes, outras para a fotografia, mas sempre à custa do trabalho e sacrifício dos que são excluídos da mesa do bem-estar. É uma “absoluta loucura” – como há dias afirmava um eurodeputado num canal televisivo – que o Parlamento Europeu gaste, por exemplo, 200 milhões de euros por ano para manter a sede em Estrasburgo, um edifício que fica desocupado 317 dias por ano; mas se calhar para a maior parte deles assim está bem; o deles está garantido.
Criar nos povos fragilizados uma consciência de que são incapazes foi a tática do colonialismo, hoje continuada debaixo de uma roupagem travestida de números.

texto por P. Valentim Gonçalves, CJP-CIRP
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