Missão |
Sandra Fernandes
Olhar o mundo como casa de todos
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Sandra Fernandes nasceu e cresceu em Alcaravela, no distrito de Santarém. Depois de concluir o ensino secundário, veio estudar para Lisboa. Aqui conheceu os Leigos para o Desenvolvimento, que a fizeram rumar até Uíje, Angola, e a Fundação Gonçalo da Silveira, com quem trabalha há dois anos na área da cidadania global.

 

Desenvolvimento Económico e Social

Durante o ensino secundário, através da disciplina de Introdução ao Desenvolvimento Económico e Social, entretanto extinta, Sandra descobriu uma área que lhe provocava um profundo interesse e uma imensa vontade de perceber o mundo e os seus movimentos sociais, económicos e ambientais, a partir de perspetivas locais e internacionais. “Motivava-me a forma como nos colocava a refletir, ter vontade de saber mais sobre desenvolvimento, movimentos de mudança, temáticas ambientais, sociais e económicas, com as várias perspetivas locais e internacionais, que iam além do meu pequeno mundo.” Quando chegou a hora de optar por uma área académica, não encontrou equivalência no ensino superior, o que a fez optar por outra das suas grandes paixões: a cultura patrimonial, em concreto, a Arqueologia. Em 2005 terminou a licenciatura, mas ao fim daqueles quatro anos continuava a sentir um vazio e, procurando preenche-lo, iniciou o mestrado em Desenvolvimento, Diversidades Locais e Desafios Mundiais: Análise e Gestão, com o objetivo de recuperar, ao nível de matérias e de reflexão, a paixão interrompida no secundário.

 

Uíje: um ano intenso

Para Sandra, o mestrado foi uma ótima oportunidade para recuperar alguns dos anseios que sentia e para voltar a refletir sobre as temáticas que tanto a atraiam. Nessa altura, conheceu a Organização Não Governamental para o Desenvolvimento (ONGD) Leigos para o Desenvolvimento. Depois de um ano de formação, preparação e discernimento, partiu em missão, em 2008, para o Uíje, em Angola, que foi o seu lar durante um ano intenso. Não gosta particularmente de falar em detalhe sobre esta sua experiência. “Continuo a achar que expressá-la oralmente, nada tem a ver com o que verdadeiramente significou... Estas e outras experiências prefiro guardá-las e refleti-las interiormente. Provavelmente, não fará sentido para outros, mas para mim só assim os seus frutos serão realmente transmitidos aos que me envolvem.” O ano que viveu na comunidade do Uíje foi intenso e transformador e obrigou-a a implicar-se totalmente, conferindo à sua vida um sentido de missão. A experiência que viveu em Angola “foi de tal modo significativa, que me ajudou a perceber que o meu caminho tinha que passar por algo que me implicasse totalmente, me permitisse viver em permanente transformação interior e me abrisse as portas do meu pequeno contributo ao mundo”.

 

Educar para a Cidadania Global

Todas as experiências profissionais que teve foram marcantes e foram oportunidades de crescimento e transformação interior. No entanto, “nenhuma se revelou com tanto sentido para mim, pela oportunidade de unir a minha vida quotidiana à espiritual, como a graça de poder trabalhar em Educação para o Desenvolvimento/Educação para a Cidadania Global”, área em que trabalha desde 2012 na ONGD jesuíta Fundação Gonçalo da Silveira. Na Fundação consegue, como nunca antes até aqui, conjugar as suas diferentes dimensões enquanto ser humano: a sua vida pessoal, espiritual e profissional. “Esta consciência do global e a permanente necessidade de reflexão crítica perante nós mesmos e os outros, acompanhada de uma ação perante o que nos envolve, não poderia ser mais desafiadora ao nível da construção do nosso papel enquanto cristãos e cristãs, nesta visão de que fazemos parte de uma Criação que nos foi oferecida e, perante a qual, todos os seres humanos, sem exceção (nossos vizinhos de longe ou de perto neste lugar chamado planeta terra) têm direitos e deveres. Se a casa é comum a todos, como posso eu ficar indiferente perante “as não criações” a que fomos, todos juntos, dando lugar?” E, enquanto cristã, as atuais interpelações do Papa Francisco confirmam-na ainda mais na sua forma de olhar o mundo e o seu Criador. Sandra compara o mundo a uma grande família. “Tal como numa família todos têm o seu papel e cada membro sentir-se-á tanto mais parte dessa família quanto puder contribuir e fazer a sua parte, assim sucede com o mundo que habitamos, nesta visão de que a nenhum ser humano deve ser negada a graça e o dever desse papel”.

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