Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Votar na Europa?
É verdade que temos uma imagem muito pouco favorável do Parlamento Europeu – que, reconheça-se, o próprio Parlamento não tem contribuído em nada para melhorar, desde que foi criado. A nós, que o vemos ao longe, parece-nos um lugar de “prateleiras douradas”, cujos membros recebem bons salários e regalias muito acima da média dos cidadãos europeus (mesmo em relação aos países com situações económicas estáveis e invejáveis), com tendência a produzir documentos que raras vezes têm a ver com a realidade.

Aquilo que verdadeiramente conta – dirão alguns – é antes a Comissão Europeia ou o Conselho dos Presidentes e Chefes de Governo de cada país, que definem as linhas concretas de actuação, sobretudo em matérias económicas e de relações com os países membros ou não da União Europeia.

Poderá tudo isso ser verdade. Mas o facto é que, mesmo sem definir concretamente a política económica ou a política externa da União, e tornando-se mais um lugar incómodo do que uma parte da solução de um qualquer problema, é do Parlamento Europeu que nos chegam muitas das medidas e recomendações que são depois tornadas leis nos diferentes países – se não em matérias económicas ou em questões de política internacional, pelo menos em matérias tão centrais como o valor da vida humana e da família, do lugar do Estado na vida pública e naquela privada, da efectiva liberdade que cada cidadão europeu pode ou não viver.

É por isso que, longe de ser uma questão simplesmente para aqueles que defendem uma maior ou menor integração dos diferentes países europeus, as eleições do próximo dia 25 têm a ver com a vida concreta de todos.

É verdade que a abstenção pode ser interpretada como uma falência da relação afectiva e efectiva que cada um de nós tem com a “mítica Bruxelas” ou com Estrasburgo, onde têm lugar alguns dos trabalhos do Parlamento Europeu e, deste modo, constituir um “voto de protesto”. Mas a abstenção é, essencialmente, a afirmação de que deixamos os outros decidirem por nós. E, também aqui, aquilo que os outros decidirão no futuro nem sempre poderá ser aquilo que à consciência de cada um parece melhor.

Se a tudo isto acrescentarmos o risco real de o próximo Parlamento Europeu (extremando posições) poder paralisar a vida quotidiana da União, não deixaremos de chegar à conclusão de que vale a pena votar, mostrando, quanto mais não seja, aquela Europa que não queremos.

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