‘Evangelii Gaudium’ |
‘Evangelii Gaudium’ (nº 193 a 201) – Capítulo IV
Fidelidade ao Evangelho, para não correr em vão
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Neste quarto capítulo da Exortação Apostólica ‘A Alegria do Evangelho’, o Papa Francisco acentua a atitude da misericórdia na vida do cristão, ouvindo o “clamor dos pobres”, reconhecendo o outro, com “os gestos de Jesus”.

“Não nos preocupemos só em cair em erros doutrinais, mas também em ser fiéis a este caminho luminoso de vida e sabedoria”. Não esquecer os pobres é um “critério importante” que Francisco lembra ter estado presente nas comunidades paulinas para que estas “não se deixassem arrastar pelo estilo de vida individualista dos pagãos”, que tem “uma grande atualidade no contexto atual em que tende a desenvolver-se um novo paganismo individualista”. “A própria beleza do Evangelho nem sempre a conseguimos manifestar adequadamente, mas há um sinal que nunca deve faltar”, ressalva o Papa que adoptou o nome de São Francisco de Assis. “A opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora”. “Às vezes somos duros de coração e de mente”, alerta o Papa.

 

O lugar dos pobres

É para esta atenção aos últimos que, segundo Francisco, o coração de Deus tem um lugar especial. “No coração de Deus, ocupam lugar preferencial os pobres, tanto que até Ele mesmo ‘se fez pobre’”, observa o Papa sublinhando que “esta preferência divina tem consequências na vida de fé de todos os cristãos, chamados a possuírem ‘os mesmo sentimentos que estão em Cristo Jesus’”. Esta preferência de Deus, refere, levou a que a Igreja fizesse uma “opção pelos pobres, entendida como ‘uma forma especial de primado na prática da caridade cristã, testemunhada por toda a Tradição da Igreja’”, salienta citando São João Paulo II. Por isso, apela: “desejo uma Igreja pobre para os pobres. Estes têm muito para nos ensinar. (...) Nas suas próprias dores conhecem Cristo sofredor. É necessário que todos nos deixemos evangelizar por eles”. “Somos chamados a descobrir Cristo neles: não só emprestar-lhes a nossa voz nas suas causas, mas também a ser seus amigos, a escutá-los, a compreendê-los e a acolher a misteriosa sabedoria que Deus nos quer comunicar através deles”.

Segundo Francisco, o que é pedido não são, apenas, “ações ou programas de promoção e assistência”. Trata-se, sublinha, de uma “atenção amiga” que é “início duma verdadeira preocupação pela sua pessoa e, a partir dela, desejo de procurar efetivamente o seu bem”. “O amor autêntico é sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro não por necessidade ou vaidade, mas porque ele é belo, independentemente da sua aparência”.

Neste sentido, o Papa Francisco, citando João Paulo II, alerta para o facto de que sem a opção preferencial pelos pobres “‘o anúncio do Evangelho corre o risco de não ser compreendido ou de afogar-se naquele mar de palavras que a atual sociedade da comunicação diariamente nos apresenta’”.

 

Falta de cuidado espiritual

Nesta Exortação Apostólica, que Francisco dirige aos membros da Igreja Católica, o Papa deixa, “com mágoa” uma observação: “a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual”. Explicando que “a maioria dos pobres “possui uma abertura à fé” e “tem necessidade de Deus”, o Papa exorta para o facto de “não podermos deixar de lhes oferecer a sua amizade, a sua bênção, a sua Palavra, a celebração dos Sacramentos e a proposta de um caminho de crescimento e amadurecimento na fé”.  “A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária”, conclui observando, ainda, que “ninguém pode sentir-se demitido da preocupação pelos pobres e pela justiça social”. No entanto, diante destes desafios que coloca à Igreja, Francisco deixa um sinal esperança: “tenho confiança na abertura e nas boas disposições dos cristãos e peço-vos que procureis comunitariamente, novos caminhos para acolher esta renovada proposta”.

texto por Nuno Rosário Fernandes
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