Missão |
Irmã Emília Ribeiro
“Fazer-se pobre para privilegiar os pobres”
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A Irmã Emília da Conceição Ferreira Ribeiro nasceu no dia 26 de março de 1962, no Cercal, uma aldeia do Concelho de Ourém, Diocese de Leiria-Fátima. Na sua terra natal, foi crescendo no seio de uma família cristã, e no grupo de jovens local, foi tomando conhecimento das várias vocações na Igreja, sabendo que todo “o cristão tem de descobrir e ser fiel à sua vocação”.

 

Servir a Deus nos mais pobres

Com 19 anos, a jovem Emília conheceu as Irmãs Franciscanas da Divina Providência e com elas foi percorrendo um caminho de discernimento vocacional. Foi com 26 anos que tomou a decisão de se entregar completamente ao Senhor, entrando para a congregação das Irmãs Concepcionistas ao Serviço dos Pobres. A Irmã Emília conta-nos que, para esta decisão, muito contribuiu o testemunho de três Irmãs que partiram para Moçambique, na altura em que ela própria perguntava a Deus o que é que Ele queria da sua vida. Assim, com 28 anos, fez a sua Profissão Temporária com total disponibilidade de coração: “o ideal era ser fiel a Deus que me chamou a tão nobre missão de O servir nos mais pobres, ao jeito de Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade.” Aos 34 anos fez os seus Votos Perpétuos e no ano seguinte foi para Roma estudar Teologia da Vida Consagrada. Foi no final deste curso, em Agosto de 2000, que a Irmã Emília foi enviada para Moçambique.

 

Ser presença maternal de Maria junto dos pobres

Durante os 10 anos que viveu em Moçambique, a Irmã Emília colaborou na formação das noviças e também trabalhou diretamente com a população de Manjacaze: “Foi a experiência de Manjacaze que me marcou profundamente. A desnutrição tocou-me muito. Vi morrer muitas crianças, vi rostos tristes de mamãs que nada conseguiam fazer pelos seus filhos. Senti muito presente o carisma Concepcionista: ‘ser presença maternal de Maria junto dos pobres’”.

Foi em Manjacaze que a Irmã Emília colaborou na abertura de um Centro Nutricional que acompanhava as crianças e as mães, procurando dar-lhes algum suporte nos primeiros anos de vida dos bebés. Colaborou ainda na criação de um Centro de Acolhimento para crianças órfãs, uma realidade que aumentou drasticamente nos últimos anos, fruto do aumento do número de casos de SIDA naquela zona do globo. Um outro desafio no qual a Irmã Emília colaborou foi a “Mesa de S. Nicolau”, um refeitório que ainda hoje serve diariamente o almoço a cerca de 300 crianças do ensino básico que apenas contam com esta refeição ao longo do dia. Hoje, a Irmã Emília recorda-nos estes 10 anos com muita ternura: “Foi uma missão em que senti a presença de Deus tão próxima! Pessoas que me ensinaram que não é necessário ter muita coisa para ser feliz, pessoas que me ensinaram que em tudo há motivo para sorrir, cantar, dançar...”

 

Ser anúncio da Palavra de Deus

Depois de 10 anos em Moçambique, a Irmã Emília foi enviada para Timor-Leste, onde chegou em novembro de 2010. Era uma realidade completamente diferente: “habituada à planura, aos largos horizontes de Moçambique, as montanhas que rodeiam Díli cortavam-me a vista, não se via para lá...” Foi em Iparira, Lautém, que a nossa convidada de hoje foi chamada a servir a Deus nos mais pobres. A comunicação com a comunidade local não era fácil e as próprias vias de acesso tornavam a missão ainda mais difícil no concreto do dia-a-dia. Mas, quer em Moçambique, quer em Timor-Leste, a Irmã Emília confiava inteiramente em Deus que a havia escolhido e enviado: “Senti-me muito ‘pequena’ junto de um povo que me chamava de Madre, que tantas vezes me estendeu a mão para pedir a bênção. Senti neste povo um grande respeito pelo sagrado numa fé pouco esclarecida. Tentei ser anúncio da Palavra, por gestos e palavras, mas sobretudo pela presença.”

Hoje, em Portugal, a Irmã Emília continua com o coração inteiramente disponível para aquilo que o Senhor desejar, e manifesta uma profunda gratidão por tudo aquilo que o Amor de Deus já foi realizando na sua vida, e, por meio dela, na vida de muitas outras pessoas: “Ao longo destes anos, em Moçambique e em Timor-Leste, não sei se fiz muito, se fiz pouco, ou se alguma coisa fiz. A minha preocupação foi colocar-me sempre ao lado dos mais pobres ao jeito de Madre Maria Isabel da Santíssima Trindade, que se fez pobre para privilegiar os pobres. Sinto-me grata, em primeiro lugar a Deus que me chamou, depois à minha Congregação que confiou em mim, e ao povo de Moçambique e de Timor-Leste que me acolheu e tanto me ensinou”.

texto por Emanuel Oliveira Soeiro, FEC – Fundação Fé e Cooperação
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