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DOMINGO XXV COMUM Ano A

“Ide vós também para a minha vinha

e dar-vos-ei o que for justo.”

Mt 20, 3

 

Deus sempre nos surpreenderá. Principalmente porque nenhum dos nossos pensamentos O pode conter ou limitar: “Tanto quanto o céu está acima da terra, assim os meus caminhos estão acima dos vossos e acima dos vossos estão os meus pensamentos” lembra-nos hoje o profeta Isaías (55, 9). E talvez a maior supresa seja a sua bondade sem limites, a “vida em abundância” e o “setenta vezes sete” que os nossos esquemas calculistas têm dificuldade em aceitar.

Na parábola dos trabalhadores da vinha, Jesus não pretende estabelecer um código laboral nem regular o valor do salário mínimo. Antes revela a solicitude de um Deus que se preocupa em que ninguém fique desocupado, saíndo cinco vezes a contratar trabalhadores. Mesmo o pouco tempo de trabalho dos últimos é participação na obra comum. Não diz a sabedoria popular que “o ócio é a mãe de todos os vícios”? Imaginaria Jesus que estava a tocar num dos problemas fundamentais da humanidade, especialmente no início do terceiro milénio: o valor e o lugar do trabalho humano, a chaga do desemprego, a exclusão de milhões de um lugar activo na sociedade e da sua subsistência?

Em início de ano escolar gostava de partilhar duas leituras. No passado sábado, Inês Teotónio Pereira no jornal i, a propósito dos jovens ocidentais que se alistam no terrorismo jihadista, falava assim dos valores: “Os valores passam de pais para filhos e é dos pais e dos filhos que se fazem as nações. Não há crise de valores, existem, sim, muitos valores e liberdade para os ter e para os defender. E é em cada casa e em cada família que se faz essa defesa; é na educação que damos aos nossos filhos que se trava a nossa luta de valores.” Quase no mesmo registo, o pediatra Mário Cordeiro, numa pequena entrevista no Expresso, dizia: “A maioria das regras existe para facilitar a vida às pessoas. Isso deve ser incutido nas crianças desde sempre. (…) Se uma criança se transcende, se esforça muito, merece um prémio. Se cumpriu apenas, merece um elogio. (…) Fazer bem é um sentimento ético, não é comprável.” A escolha dos valores e a importância do trabalho semeiam-se e cuidam-se na realidade básica da família, nas palavras e gestos dos pais, no exemplo da vida em comum. 

Por entre as confusões das bolsas de contratação de professores deste ano, um professor amigo meu desabafava: “Com os 149 subcritérios de selecção que o Ministério da Educação inventou, para colocar directamente os professores nas escolas, tão em cima do prazo, criou possibilidades para respostas fraudulentas. Como vão ser comprovados esses subcritérios? Que escola vai arriscar em não aceitar quem foi lá colocado? Se a mentira é assim instituída, andamos a educar para quê?”. Não quero acreditar que isto seja possível. Mas é em casa, nas muitas casas em que realizamos o nosso viver, que a verdade é também um valor fundamental a cultivar.

Que todos trabalhem na sua vinha é o desejo de Deus; e a sua vinha é o mundo. Esta casa comum onde é urgente concretizar dinamismos de trabalho que valorizem cada pessoa, opções políticas e económicas que superem o abismo entre rendimentos escandalosos por excesso e por miséria. Que casa andamos a construir?

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