Na Tua Palavra |
D. Nuno Brás
Barbárie

A barbárie nunca desapareceu completamente da nossa vida – basta ler um desses jornais que se especializaram nos “crimes de faca e alguidar”, e sempre lidos (pelo menos nas fotografias e nos títulos) em cafés e barbeiros. Mas eram, apesar de tudo, situações pontuais.

Contudo que a barbárie seja realizada em nome de um pretenso Estado (que assim se intitula, mesmo sem qualquer reconhecimento internacional) e que não só não seja escondida e negada frente ao resto do mundo (como acontece nas ditaduras, e como acontecia no nazismo e no comunismo) mas antes seja mostrada e propagandeada como “marca” de um regime, é algo de que nós, os vivos, já não tínhamos memória.

É por isso que não podemos deixar de nos interrogar sobre o facto de muitos dos actores deste regime de terror na Síria e no Iraque provirem do ocidente. Já acontecia há algum tempo – as notícias de um ou outro bombista suicida recrutado em Itália ou França, de facto não são de agora mas a decapitação pública de reféns ocidentais por meio das mãos de outros ocidentais que passaram a integrar esse regime de terror faz-nos tremer.

É que isso significa que a vida das sociedades ocidentais tem sido de tal forma que deixou de oferecer, particularmente aos jovens, horizontes pelos quais valha a pena viver e lutar, valores que sejam indiscutíveis, formas de vida seguras, capazes de os preencher como seres humanos. E sem nada disso por que viver, facilmente caem nas mãos de alguém que lhes acene com uma farsa onde os jogos de computador deixam de ser virtuais e passam a ser bem reais. Convenhamos que poderá ter mais emoção. Mas reconheçamos igualmente que o nosso modo de viver perdeu a capacidade de, por si, convencer e tornar as pessoas mais humanas.

Por isso, se pensarmos bem, os chamados “jihadistas” (aqueles que desapareceram de casa para integrar o exército desse pretenso califado muçulmano) são apenas a ponta mais chocante desta nossa sociedade ocidental. Vivemos numa cultura farta e aborrecida consigo mesma, que para se divertir não hesita em colocar tudo em causa e em relativizar tudo. Uma sociedade que caminha, inevitavelmente e a passos bem largos, para o desaparecimento.

Será, sem dúvida, necessário colocar, o mais depressa possível, cobro ao terror a que temos assistido, e que oprime as populações que dele são vítimas. Mas, para que isso possa ser duradoiro, há também que mudar o nosso estilo de vida.

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