Domingo |
À procura da Palavra
Conheço Jesus?
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DOMINGO III DO ADVENTO Ano B
"No meio de vós está Alguém que não conheceis.”
Jo 1, 26

 

O que é conhecer? Na Bíblia este verbo utiliza-se não apenas para uma apreensão do real que nos rodeia, do saber que se transmite, da inteligibilidade das coisas mas também para a intimidade das pessoas e da relação com Deus. Deus é quem conhece o nosso íntimo, e o seu conhecer é amar! Por isso, a frase de João, o Baptista, no testemunho que João, o Evangelista, nos oferece, é sempre interpeladora. Tanto mais que é fácil convencermo-nos que “conhecemos Jesus” porque “somos católicos desde que nascemos”, “não faltamos a nenhuma festa religiosa”, “vamos à confissão regularmente”, “temos os sacramentos todos”, ou até, com a justificação evangélica “comemos e bebemos contigo e ouvimos-te pregar nas nossas praças” (cf. Lc 13, 27) e por aí adiante. As perguntas vieram como as cerejas: Jesus está no meio de nós e não O conhecemos? Não O seguimos? Não lhe fazemos esta festa tão bonita e luminosa do Natal? Não falo d’Ele todos os dias e celebro a sua Páscoa em cada missa? Sim… e mesmo assim, ficou a inquietação: conheço, mesmo, Jesus?

Conhecer é essencial para a amizade. Feito de pequenas e grandes aberturas, de diálogo e aprendizagem da confiança, de partilha e sonhos comuns, de dar e receber sem egoísmo nem protagonismo. Por isso está tão ligado ao amor. Querem-se reciprocamente um ao outro: amo para conhecer mais, conheço para amar melhor! A ignorância é a maior causa de tantos ódios e guerras, e o desconhecimento do outro impede a amizade e o amor. Quantos interesses egoístas e maldosos governam ainda países e organizações, apostados em multiplicar a indiferença, o preconceito, a exclusão, para justificar batalhas políticas e económicas que espalham tanta morte? Bem diz o provérbio: “Antes de julgares alguém, experimenta andar uma semana com os sapatos dele!” Porque gostava tanto Jesus de ir a casa de amigos e inimigos? Porque é na intimidade que melhor nos conhecemos. João, o Evangelista, foi um dos primeiros a fazer a pergunta: “Onde moras?” e a “ir e ver” como Jesus lhe propôs. E naquele final de tarde com Jesus, começámos a compreender que Jesus é Deus connosco!

Que “vinde e vede” podemos hoje oferecer a quem procura Jesus? Que testemunho de alegria, de jovialidade, de esperança, de “gosto de gostar de alguém” vivemos, nós, cristãos? Com que Jesus vivemos, que possa interpelar os que sentem o vazio do consumo, como perguntava o Papa Bento XVI: “vós que tendes tudo, porque não alcançastes a felicidade?” João, o Baptista, saltou de alegria no seio de Isabel quando Maria a veio visitar. E concretizará essa alegria ao ser “a voz que clama no deserto”. João, o Evangelista, encheu as páginas que escreveu, da paixão em conhecer Jesus, e da passagem das trevas à luz, da cegueira à visão, que acontecem ao acolhê-l’O na nossa vida. E um outro João, o da Cruz, cuja memória ocorre neste domingo, veio-me ao pensamento nesta aventura de questionar se conheço Jesus. Nas suas noites escuras soube procurar e encontrar o Amado (Jesus) que veio ao encontro da amada (humanidade): “Oh noite, que guiaste! / Oh noite, amável mais que a alvorada! / Oh noite que juntaste / Amado com amada, / amada em seu Amado trasnformada!”. Lembra o nosso Camões: “Transforma-se o amador na cousa amada…”. E lembra, que sem conhecer Jesus, podemos encher de luzes as ruas e as casas, e dar todas as prendas do mundo, mas haverá um pouco de escuridão dentro de nós!

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