Domingo |
À procura da Palavra
O anúncio na periferia
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DOMINGO IV DO ADVENTO Ano B
"O Anjo Gabriel foi enviado por Deus
a uma cidade da Galileia chamada Nazaré…”
Lc 1, 26

Quando pensamos em periferias referimo-nos àquilo que está afastado do centro, distante do mais importante e decisivo, dos lugares de destaque e de poder. E, normalmente, estamos aí nós, pois cada um tem também as suas periferias: os lugares, pessoas e realidades a que damos menos importância. Creio que em Deus não há periferias pois onde está a vida e onde estão as pessoas, Ele está. E, talvez por isso, tenha um particular gosto em surpreender-nos nas suas escolhas: Abraão era tão periférico sem terra nem descendência, Moisés tão gago e tão “queimado” entre os seus, David tão novo que quase é esquecido pelo pai, e assim por diante, na lista de surpresas de Deus! Assim, para a vinda do Messias, iria Deus subjugar-se ao poder religioso e político de Jerusalém, assente numa religião “perfeita” e perita em excluir e desprezar as periferias dos que não a conseguiam cumprir? 

De Nazaré pode vir alguma coisa boa?” (Jo 1, 46) dirá Natanael a Filipe fazendo eco da insignificância do lugar. Sim, não será em Jerusalém mas num humilde lugar da Galileia (chamada “dos gentios”, acentuando a sua periferia), não no Templo ou num palácio mas numa casa familiar, não a uma rainha mas a uma jovem desposada com um carpinteiro, que Deus anuncia o nascimento de Jesus. Quem poderia adivinhar que Deus entraria na história pela pequena porta da pobreza, pelo sim de Maria (e de José, claro!)? Deus assume fazer-se pequeno e entrar no nosso mundo pela fragilidade das nossas vidas e da nossa história. Deus, para sempre, faz-se um de nós, é “Deus connosco”, plenamente e silenciosamente. Não haverá salvas de morteiros, nem notícias de abertura em telejornais, e até os anjos de Belém terão como “share” do anúncio celeste uns pobres pastores do campo (mais uns periféricos da religião e do poder, transformados em arautos da melhor notícia para o mundo)!     

Maria, também é “periferia” da descendência de David, que será dada a Jesus, por José! Talvez representando tantas mulheres que, ao longo da história e dos tempos (e hoje também) são das periferias mais próximas de todos. Tantas vezes sofrendo desigualdades, exclusões, violência e morte: quarenta mulheres mortas em Portugal por maridos e ex-maridos, e sabe Deus quem, ao longo de 2014?; namoradas violentadas por namorados?; exclusão no trabalho quando engravidam? Jesus virá olhar de modo diferente as mulheres, apresentando-as como modelo de verdadeiros discípulos, valorizando a sua dignidade e dons próprios. E nós, aqui e agora?

Quantas periferias podemos encontrar à volta do nascimento de Jesus, onde Deus encarna, e nos pede que façamos o mesmo? A periferia de espaços familiares (onde há fome de diálogo e atenção mútua pois quanta distância, às vezes, existe numa mesma casa!), a periferia entre donos e empregados (onde nenhum lucro, fruto da exploração de outros, agrada a Deus!), as periferias de uma “comunidade” (onde grupinhos e capelinhas rivalizam por poder!), a periferia dos mais velhos (esquecidos, abandonados, “peso” nas nossas vidas egoístas e sedentas de prazer e distrações!), a periferia de mim mesmo (onde acumulo mágoas e ressentimentos, decisões corajosas e gestos que fariam felizes outros!). Parece um olhar desencantado mas não é! Eu acredito que Deus vem constantemente a essas periferias, e recebe muitos “sim”! Que alegria se Ele escutasse o meu também!

P. Vítor Gonçalves
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